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PIB cai 0,1% no trimestre e Brasil entra em “recessão técnica”

Levantamento divulgado nesta quinta-feira (02/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,1% no terceiro trimestre deste ano na comparação com o trimestre anterior. É a segunda queda trimestral consecutiva do PIB. Com isso, o País entra numa recessão técnica, destacaram análises de várias instituições financeiras.
“Hoje descobrimos que já estamos em recessão técnica, e agora antecipamos crescimento econômico negativo (-0,5%) em 2022. Com a inflação rodando acima de dois dígitos, chegamos à estagflação”, diz nota assinada pelo diretor da gestora ASA e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawal. Além disso, o economista disse que “a aprovação da PEC dos Precatórios é um enorme retrocesso institucional”.
O Bank of América (BofA) analisa que “o país está agora numa recessão técnica ... acreditamos que a atividade continue a cair no quatro trimestre devido à queda na economia global, desajustes nas cadeias de suprimentos globais, um cenário doméstico de forte aperto monetário e aumento das incertezas fiscais”.
Já o banco Itaú, que não chega a usar a expressão "recessão técnica" em sua nota, diz que “o PIB do 4º trimestre aponta para uma expansão trimestral de +0,1% e vemos leve viés de baixa para nossa projeção de crescimento do PIB em 2021, de 4,7% (antes era de 5%). Já para 2022, esperamos que o PIB encolha 0,5%, principalmente por causa dos juros mais altos e seu impacto sobre setores sensíveis ao crédito”.

Queda no trimestre - A queda de 0,1% no terceiro trimestre deste ano foi puxada pelo setor agropecuário, que teve perdas de 8%. Segundo a pesquisadora Rebeca Palis, do IBGE, o resultado foi influenciado pelo encerramento da safra de soja, que fica mais concentrada no primeiro semestre do ano. “Como ela é a principal commodity brasileira, a produção agrícola tende a ser menor a partir do segundo semestre”, disse. Além disso, a agropecuária vem de uma base de comparação alta, já que foi a atividade que mais cresceu no período de pandemia e, para este ano, as perspectivas não foram tão positivas, explicou a pesquisadora.
A indústria manteve-se estável, por conta de uma alta de 3,9% na construção, enquanto o setor de serviços cresceu 1,1%. No setor de serviços as atividades que apresentaram crescimento foram informação e comunicação (2,4%), transporte, armazenagem e correio (1,2%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,8%) e outras atividades (4,4%). Já as atividades que tiveram queda foram financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,5%) e comércio (-0,4%).