Previc publica as despesas administrativas das EFPC em 2025

A Previc publicou nesta terça-feira (18/8) relatório sobre as despesas administrativas das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) relativas a 2025. O documento conclui que o porte das entidades continua sendo determinante para a diluição dos custos. “Os resultados evidenciam a importância dos ganhos de escala na diluição de custos e no fortalecimento da sustentabilidade econômico-financeira das entidades”, aponta o relatório.

Segundo o estudo, as entidades maiores, classificadas nos segmentos S1 e S2, concentram quase 90% dos R$ 1,39 trilhão em ativos da amostra e operam com taxas de administração proporcionalmente menores. Já as entidades de menor porte, especialmente as do segmento S4, enfrentam custos relativos mais elevados e maiores desafios para alcançar o equilíbrio econômico-financeiro.

A taxa de administração do sistema ficou em 0,27%, igualando o resultado de 2021, até então o menor da série histórica iniciada em 2017, quando o indicador estava em 0,33%. Já a taxa de carregamento recuou para 2,72%, o menor percentual da série, ante 3,41% em 2017. “O equilíbrio entre sustentabilidade econômico-financeira e eficiência administrativa é essencial para a perenidade e sustentabilidade do regime de previdência complementar fechado”, destaca o documento.

Na segmentação por porte, a taxa de administração foi de 0,19% no S1, 0,34% no S2, 0,42% no S3 e 0,89% no S4. Dessa forma, o custo relativo das menores entidades foi quase cinco vezes superior ao das maiores. A mesma diferença aparece na taxa de carregamento: 1,91% no S1, 3,40% no S2, 4,69% no S3 e 7,63% no S4. No último segmento, a taxa foi aproximadamente quatro vezes maior que no primeiro.

Despesas e receitas – Em 2025, as EFPC tiveram R$ 4,34 bilhões em despesas administrativas e R$ 4,29 bilhões em receitas administrativas. Segundo o relatório, essa diferença não significa necessariamente desequilíbrio, pois as entidades também podem utilizar os rendimentos dos investimentos do Plano de Gestão Administrativa (PGA) e os recursos acumulados nos fundos administrativos.

No conjunto do sistema, pessoal e encargos responderam por 54,4% das despesas administrativas, serviços terceirizados por 25,3% e outras despesas por 20,3%. Somados, os gastos com pessoal próprio e serviços terceirizados chegaram perto de 80% do total. “De modo geral, há um balanceamento entre despesas com pessoal próprio e serviços terceirizados”, indica o relatório.

Quanto menor a entidade, maior tende a ser a dependência da terceirização. Os serviços de terceiros representaram 18,2% das despesas no S1 e chegaram a 38,1% no S4. Há, portanto, uma compensação entre a manutenção de equipes próprias e a contratação externa.

Em relação ao tipo de patrocínio, as entidades predominantemente públicas apresentaram custos relativos menores, com taxa de administração de 0,26% e taxa de carregamento de 2,51%. Nas entidades privadas, os percentuais foram de 0,28% e 3,06%; nas instituídas por associações e sindicatos, de 0,35% e 4,13%. “As Taxas de Administração e as Taxas de Carregamento das EFPC com patrocínio predominantemente público foram inferiores às registradas por aquelas patrocinadas majoritariamente por entes privados e por instituidores”, conclui o documento.

Menos EFPCs – Entre 2017 e 2025, o número de EFPC ativas caiu 13%, de 308 para 268, enquanto o número de planos aumentou 5%, de 1.108 para 1.168. A Previc relaciona esse movimento à busca por ganhos de escala, aos processos de fusão e incorporação e à diversificação do sistema, com a criação de planos para servidores públicos e de planos família.

A Previc também utiliza no levantamento o Índice de Eficiência Operacional (IEFO), que procura medir se uma entidade gasta mais ou menos do que seria esperado considerando seu porte e sua complexidade. O S4 apresentou a maior mediana e a maior dispersão do indicador, apontando despesas mais elevadas em relação às estimadas pelo modelo e maior heterogeneidade entre as entidades do segmento.

Segundo a autarquia, o IEFO não deve ser interpretado isoladamente. Custos superiores aos estimados também podem decorrer de melhor atendimento, governança mais robusta ou investimentos extraordinários em tecnologia, estrutura e qualificação, capazes de gerar benefícios futuros. “Serviços de maior qualidade tendem a implicar custos operacionais mais elevados, como estruturas de governança mais robustas ou melhor atendimento aos participantes e assistidos”, ressalta o relatório.

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