Antônio Carlos Bastos D’Almeida | Melhor Controle de risco de fun...

Antônio Carlos Bastos D’Almeida, da ForluzEdição 266

O período eleitoral cheio de incertezas e a Copa do Mundo foram fatores que frearam algumas transações em 2014, segundo Antônio Carlos Bastos D’Almeida, responsável pela área de risco da Forluz, se tornando assim um ano atípico para gestores, de forma generalizada, alcançarem suas metas. Para lidar com essa situação, o executivo apostou no trabalho que sua área de controle de risco, que atua de forma segregada da área de investimentos desde 2008, vem fazendo.
“Temos uma área de risco segregada da área de investimento e um contato direto forte com as assets e demais instituições financeiras que buscam operar com a Forluz. Nosso trabalho é forte em análise qualitativa e quantitativa da performance e capacidade fiduciárias dos gestores com quem a fundação trabalha”, diz D’Almeida. “Isso dá um contato muito constante e aprofundado com o pessoal das áreas. E esse trabalho é direto na parte de gestão, sem contar ainda a análise de risco dos investimentos diretos na carteira própria da Forluz”, ressalta.
Apesar das dificuldades deste ano, o executivo acredita que a definição da equipe econômica é importante para o ritmo dos investimentos voltarem ao normal. “Acredito que essa equipe econômica escolhida pelo governo fará as teses serem cumpridas; essa é a expectativa que temos. Não achamos que Joaquim Levy, como Ministro da Fazenda, terá um posicionamento figurativo, e sim se posicionará como alguém que está lá para fazer suas atividades”, aposta D’Almeida.
O executivo diz ainda que um combate maior a inflação será essencial e provavelmente prioridade do novo ministro nos próximos anos. “Queremos acreditar que teremos um comportamento mais previsível das taxas longas de juros também. Depende de como a equipe desenvolverá seu trabalho, mas pelo menos no primeiro semestre já teremos um bom indicativo disso tudo”, acredita.
Além da situação econômica, outra questão que pode afetar o setor e que deve deixar os fundos de pensão atentos nos próximos anos é uma nova lei federal que determina a responsabilidade das pessoas jurídicas em crimes de corrupção. A Lei 12.846, em vigor desde janeiro deste ano, ainda aguarda regulamentação, mas define que as empresas se tornarão responsáveis por fraudes cometidas por seus funcionários, independentemente de nível hierárquico.
Embora ainda não tenha sido definido como elas serão autuadas, as instituições precisam começar a desenvolver uma série de mecanismos de compliance e diligência. “A aplicação das multas e punições levará em conta os instrumentos de controle e prevenção adotados pelos fundos de pensão”, explica D’Almeida.
A multa para os fundos de pensão pode chegar até a R$ 60 milhões e os executivos envolvidos podem sofrer sanções por atos ilícitos. “Essa multa pode quebrar muitas fundações se aplicada. Desta forma, as entidades precisam se precaver, criando canais de denúncia, políticas de diligência e outras ferramentas de controle”, afirma.
Antônio Carlos Bastos D’Almeida está há 10 anos na Forluz, sendo que antes de atuar na controladoria de risco da fundação, ficava na área de compliance.