Edição 187
A Revista Investidor Institucional promove a quinta edição da votação para eleger os melhores profissionais do mercado financeiro que, neste ano, escolheu 17 deles, tendo cada um recebido no mínimo 10 votos. Nesta edição, o processo de votação foi diferente. Antes, a eleição era aberta aos leitores para que eles votassem diretamente no endereço eletrônico da revista (www.investidorinstitucional.com.br) ou por meio de fax. Agora, para evitar que uma mesma instituição votasse várias vezes com o intuito de privilegiar uma determinada pessoa, a Revista enviou, durante os meses de outubro e novembro, uma ficha de votação para aproximadamente 200 fundos de pensão e 80 empresas de asset management, de forma que cada instituição votasse em um único profissional de cada categoria. Desse universo, 108 instituições responderam à pesquisa, sendo 61 fundos de pensão e 47 assets. O Prêmio Investidor Institucional foi criado com a intenção de mostrar o reconhecimento do mercado aos profissionais que se destacaram no ano em suas respectivas áreas.
O banco UBS Pactual foi a instituição que teve o maior número de profissionais eleitos, vencendo em três categorias: Gustavo Gatass, analista em petróleo e petroquímica; Pedro Batista, em energia elétrica; e Bruno Pereira, que é eleito pela segunda vez o melhor analista de bancos.
Em seguida, ficaram empatados o Bradesco (BBI e Bram) e o Credit Suisse Hedging-Griffo, cada um com dois profissionais eleitos. Do Bradesco venceram Raphael Biderman, em siderurgia e mineração, e Herculano Aníbal, que é bicampeão na categoria gestor de fundos de renda variável. No Credit Suisse foram eleitos Nilson Teixeira, como melhor economista de instituição financeira, e Luis Stuhlberger, em gestão de multimercados, pela Credit Suisse Hedging-Griffo.
Na categoria de consultorias, Everaldo França, da PPS, foi eleito como melhor consultor financeiro, enquanto Antônio Fernando Gazzoni, da Gama Consultores Associados, levou o prêmio em consultoria atuarial e Marcelo Rabbat, da RiskOffice, venceu pela quarta vez em consultoria de risco. Na categoria investimentos imobiliários, o eleito foi Marcello Milman, do Santander, e em papel e celulose, Marcos Paulo Fernandes Pereira, da Fator Corretora. No setor de telecomunicações, quem levou o prêmio foi André Baggio, do JP Morgan, enquanto em títulos privados o mais votado foi Ciro Shoiti Matuo, da Itaú Corretora. A única mulher a figurar no prêmio foi Juliana Rozenbaum, do Unibanco Corretora, que foi eleita como melhor analista de alimentos e consumo. Já em gestão, Marcelo Saddi Castro, da BNP Paribas Asset Management, levou o prêmio em renda fixa, e Antonio Bonchristiano, da GP Investments, em gestão de fundos de private equity e venture capital.
Os eleitos fizeram projeções para o ano de 2008, por meio de um questionário enviado pela Revista, além de indicarem seus acertos no ano que passou. Em geral, os profissionais esperam um ano com continuidade da queda da taxa de juros, boas perspectivas com a chegada do investment grade e um forte crescimento econômico. “Acreditamos em uma redução da taxa básica de juros em meados de 2008, terminando dezembro em 10,5% ao ano, taxa de câmbio (real/dólar) próxima dos níveis atuais e crescimento econômico da ordem de 4,5% ao ano”, prevê Marcelo Saddi Castro, da BNP Paribas. Já para a economia internacional, ele acredita que o baixo crescimento dos Estados Unidos será compensado pela “pujança dos países emergentes, incluindo o Brasil”.
Para os investidores institucionais, quem traça a conjuntura é o consultor da PPS, Everaldo França. Segundo ele, os fundos de pensão terão que adotar posições mais agressivas, em função da contínua queda da Selic, aumentando a exposição a risco e diversificando a carteira. “É um ano em que as entidades locais deverão começar a aprender algo sobre investimentos em mercados internacionais, preparando-se para considerá- los num futuro não muito distante”, comenta. Marcelo Rabbat, na RiskOficce, concorda. “Estamos otimistas com o aprofundamento dos estudos, por parte dos investidores institucionais, de ativos de fundos no exterior”, prevê o consultor. Contudo, ele recomenda atenção com a “overdose” de crédito e com o excesso de gestores dessa área com pouca experiência.
A movimentação internacional de recursos será uma via de mão dupla, uma vez que os eleitos também prevêem a continuidade de investimentos estrangeiros no país. “O Brasil deve alcançar o investment grade, o que continuará beneficiando o fluxo de recursos de estrangeiros para o país”, afirma Herculano Anibal Alves, da Bram.
Juliana Rozenbaum Melhor analista de alimentos e consumo
Carreira: Depois de ganhar o Prêmio Investidor 2003 de melhor analista de varejo pela Itaú Corretora, Juliana Rozenbaum volta a figurar entre os eleitos de 2007, dessa vez no setor de alimentos e consumo, pela Unibanco Corretora, onde é analista sênior do setor de consumo desde março de 2007. Juliana também já passou pelo Deutsche Bank, Itaú BBA e JPG Hedge Fund.
Acertos em 2007: A consistência do meu trabalho ao longo dos últimos anos é o meu grande “acerto”. Muito mais do que recomendar a cada investidor o que comprar, eu prefiro trabalhar em cima dos fatores que impulsionem os negócios da empresa e das relações entre o comportamento do consumidor, o ambiente macroeconômico e como cada uma dessas variáveis se refletem nas companhias. Assim, acredito que ajudo o investidor a pensar suas próprias estratégias, o que parece ser mais importante do que acertar uma ou outra recomendação.
Projeções econômicas para 2008: Esperamos a continuidade de um cenário macroeconômico benigno, que deve suportar a demanda interna, assim como a performance das empresas brasileiras no setor de consumo. Dessa forma, continuamos com algumas recomendações de compra no setor, como Perdigão, Ambev, Lojas Americanas, B2W, Dasa e CBD.
Bruno Pereira Melhor analista de bancos
Carreira: Bruno Pereira, analista de investimentos sênior na área de pesquisa de renda variável do UBS Pactual, leva pela segunda vez o prêmio de melhor analista de bancos, concedido pela Investidor Institucional. Pereira cobre o setor financeiro há dez anos, desde quando iniciou a carreira no Banco Icatu, em 1997. Antes, ele trabalhou por três anos na área de auditoria da Ernst Young.
Acertos em 2007: A recomendação de compra das ações do Unibanco, com base nas expectativas de contínua melhora de rentabilidade, dinâmica de crescimento da carteira de crédito e melhora de eficiência, foi uma das principais apostas no ano de 2007. Nossa recomendação ‘neutra’ para os papéis do Bradesco, fundamentada na expectativa de resultados aquém das estimativas do mercado, também se provou acertada. O time de bancos no UBS Pactual tem hoje uma cobertura bastante extensa do setor. Vários relatórios de início de cobertura foram feitos em 2007.
Acredito que isso tenha contribuído de maneira relevante para que os investidores pudessem melhor acompanhar o setor, oferecendo uma visão mais abrangente sobre a dinâmica de resultados.
Projeções para 2008: Mantemos uma visão positiva para o setor, com expectativa de crescimento forte do crédito ao consumo, acima de 20% ao ano, e também do financiamento a pequenas e médias empresas. Ainda esperamos que os bancos mantenham patamares de rentabilidade elevados, com retornos sobre o patrimônio superiores a 25%, embora alguns bancos, como Itaú e Bradesco, possam ter retornos abaixo do observado em anos anteriores. O setor ainda tem oportunidades de crescimento a médio e longo prazo, particularmente considerando a baixa penetração do crédito imobiliário no país, a dinâmica de crescimento da economia e o elevado nível de depósitos compulsórios. O setor, no entanto, também enfrenta desafios, como a maior competição e a regulação das tarifas bancárias. Dentro da estratégia para o mercado de renda variável para 2008, não temos o setor bancário como uma das apostas principais, mas ainda vemos oportunidades em Unibanco e Banco do Brasil. Os bancos médios que abriram capital recentemente devem mostrar taxas de crescimento superiores aos dos grandes bancos, representando também uma oportunidade de investimento interessante.
Marcello Milman Melhor analista de empreendimentos imobiliários
Carreira: Marcello Milman, eleito melhor analista de investimentos imobiliários, trabalha há dois anos no banco Santander cobrindo a área.
Anteriormente, Milman passou pelo Banco Espírito Santo, como analista de varejo e do setor petroquímico, e pelo UBS, onde cobriu petróleo e petroquímica.
Acertos em 2007: A preferência pelo papel da Cyrela em detrimento da ação da Gafisa resultou numa substancial performance relativa – a Gafisa caiu 3% e a Cyrela subiu 62% desde que iniciamos cobertura, no fim de 2006. Outra boa recomendação de compra foi a ação da Rossi. Apostamos na recuperação operacional da empresa e no fechamento do diferencial de valuation deste papel em relação aos demais. Na outra ponta, recomendei a venda das ações da Duratex no momento em que o mercado precificou um valor exagerado. A Duratex estava cotada a R$43,8 em fevereiro e, um mês após soltamos o relatório, caiu 10%. Hoje, está apenas 3% acima desse preço, por isso melhorei minha recomendação para manutenção.
Projeções econômicas para 2008: Do ponto de vista da demanda, o setor imobiliário permanece sólido, com forte oferta de crédito e continuidade no processo macroeconômico de convergência (juros médios mais baixos, inflação sob controle e crescimento econômico). Com isso, a velocidade de vendas deve continuar forte, mesmo com o expressivo aumento da oferta de unidades. Em alguns micromercados pode haver sobreoferta pontual, mas nada que preocupe em excesso. A atenção dos investidores deve se voltar para a execução, de modo a determinar quem consegue lançar, vender e entregar tudo o que promete, e essas empresas devem continuar a receber um prêmio de valuation. Continuamos gostando de Rossi, e entre as opções ainda de menor liquidez, recomendamos Agra.
Pedro Batista Melhor analista de energia elétrica
Carreira: Esta é a terceira vez que Pedro Batista, chefe de pesquisa, analista de energia elétrica e saneamento e estrategista de Renda Variável para o Brasil do UBS Pactual, é eleito o melhor analista de energia elétrica. Com dez anos de casa, Batista trabalhou, anteriormente, no planejamento financeiro da Shell Brasil.
Acertos em 2007: Nossos maiores acertos, em 2007, foram as recomendações de compra de Transmissão Paulista e Cesp. No caso de Transmissão Paulista, o retorno total da ação no ano, até 12 de dezembro, era de 77% e, da Cesp, de 34%. Nesse mesmo período, o Índice de Energia Elétrica (IEE) apresentou performance de 20,7%. A recomendação da transmissora foi em função de alto dividend yield e da expectativa de surpresas positivas na performance operacional. Para a Cesp, prevíamos um beneficiamento da empresa com o aumento dos preços futuros e boas perspectivas também quanto ao seu endividamento, em dólar, já que esperávamos a apreciação do real no ano.
Projeções para 2008: Nossa preferência continua a recair sobre os seguimentos de geração e transmissão em detrimento do segmento de distribuição. Em nossa visão, o aumento nos preços de geração de energia deverá ser suportado pelo cenário apertado de oferta e demanda e pela necessidade de inserção de termelétricas no sistema. As geradoras de energia deverão se beneficiar desse cenário, na medida que os investidores ganhem mais confiança na curva futura de preços de energia, além de potenciais movimentos de fusão e aquisição. As empresas de transmissão listadas em bolsa devem se beneficiar da boa previsibilidade de geração de caixa e altos dividendos, em um cenário macroeconômico favorável. Por outro lado, as distribuidoras puras deverão continuar a sofrer, devido a incertezas com relação às revisões tarifárias. A Aneel estuda mudanças na metodologia de custos da empresa de referência, inadimplência regulatória, entre outras questões, o que poderá acarretar revisões negativas, dado que as revisões que ocorreram em 2008 continuam provisórias. A nossa top pick é Cesp.
Marcos Paulo Fernandes Pereira Melhor analista de papel e celulose
Carreira: Marcos Paulo Fernandes Pereira, da Fator Corretora, foi eleito o melhor analista de papel e celulose. Ele cobre há nove anos o setor, sendo os dois últimos pela Fator. Antes, ele atuou como analista de investimentos sell side do HSBC e chefe de pesquisa da corretora Socopa.
Acertos em 2007: No início do ano, era um dos poucos analistas que mantinha uma visão positiva para o setor de papel e celulose, acreditando que a manutenção da forte demanda por celulose e o fechamento de fábricas nos Estados Unidos não afetariam significativamente o preço da commodity. E o ano surpreendeu positivamente. Nossas principais recomendações eram as ações da VCP, Suzano e Klabin. Até meados de dezembro, a VCP subia 42,9%, Suzano, 43,1%, e Klabin, 41,4%.
Projeções econômicas para 2008: O setor de papel e celulose deve apresentar uma performance inferior à registrada em 2007, quando grandes elevações nos preços causaram surpresa. Em 2008 isso não deve se repetir. Os projetos da Suzano no Brasil e da Botnia no Uruguai, com um milhão de toneladas de capacidade cada, entraram em operação no fim de 2007 e devem pressionar o mercado a partir do segundo semestre de 2008. Dado o atual cenário e a valorização das empresas em bolsa, não vemos grande potencial de valorização no curto prazo. Estamos revisando para baixo algumas recomendações. Nossas principais sugestões de investimento no setor, após as revisões de targets, são a Klabin, em função da nova unidade produtora de cartões que inicia processo de desalavancagem e agrega margem à companhia, e a VCP, em função das boas perspectivas de longo prazo e da possibilidade de movimentos de fusões e aquisições em 2008.
Gustavo Gattass Melhor analista de petróleo e petroquímica
Carreira: O analista de óleo, gás e petroquímicos para a América Latina Gustavo Gattass, que cobre a área há três anos no UBS Pactual, ganhou o reconhecimento dos leitores de Investidor Institucional em 2007. Gattas foi também analista de energia elétrica por seis anos no UBS e, antes de 1998, no Icatu.
Acertos em 2007: Foram dois grandes acertos no ano. Um com a Petrobras, na qual foi mantida uma visão positiva durante a maior parte do ano em função da atratividade fiscal brasileira, fazendo com que os investidores globais aumentassem sua exposição no Brasil, além da perspectiva de que 2007 poderia ser um ano forte de descobertas. Outra aposta de sucesso foi a previsão de boas estimativas para a Ultrapar em detrimento do papel da Braskem. Nosso otimismo com a Ultrapar vem desde o começo do ano, enquanto a visão mais conservadora sobre a Braskem foi detectada no início de agosto.
Projeções para 2008: O ano ainda vai ser muito positivo para a Petrobras e mais difícil para a Braskem e Lupatech. Esperamos mais notícias de descobertas da Petrobras, com um potencial grande de surpresas positivas. No campo petroquímico, o ano de 2008 deve ser mais difícil, dada a maior capacidade de produção no mundo. Para a Lupatech será um ano chave. A companhia tem uma perspectiva ótima, mas precisa mostrar crescimento nos recém adquiridos negócios de cabos de ancoragem e de serviços a empresas de óleo. A Braskem temos como neutra. O preço das resinas termoplásticas tende a cair com uma oferta maior do produto no exterior.
Raphael Biderman Melhor analista de siderurgia e mineração
Carreira: O analista sênior de recursos naturais Raphael Biderman, da Bradesco BBI, foi indicado pelos leitores, em 2007, como o melhor analista de siderurgia e mineração. Há apenas sete meses na instituição, Biderman tem uma vasta experiência na cobertura desses setores (14 anos), tendo passado por casas como BBVA, onde foi analista sênior de metais para a América Latina, Unibanco, cobrindo a área de telecomunicações, e JP Morgan Chase – Flemings, também no setor de metais.
Acertos em 2007: A recomendação de compra de Vale em julho não foi fácil, uma vez que a ação já havia subido 76% em 12 meses e, seu valor de mercado, ultrapassado a casa dos US$ 100 bilhões. Era uma aposta difícil, pois parecia que a empresa estava no topo do ciclo. Mesmo assim, acreditávamos no projeto de crescimento orgânico da companhia e também no valor estratégico de suas reservas minerais “world class”, que ainda não estavam devidamente precificadas. A ação teve uma boa performance desde então, subindo 34% até o downgrade, em agosto, quando mudamos a recomendação de compra para manutenção. A empresa, na época, estava avaliada em US$ 140 bilhões. Só fizemos o upgrade após o anúncio de seu ambicioso programa de investimento de US$ 60 bilhões. Outra recomendação bem sucedida foi a MMX. Quando fui convidado pelo Bradesco para regressar ao Brasil e decidimos iniciar a cobertura da ação, ela já havia dobrado desde o IPO. Mesmo assim acreditamos no projeto do Eike Batista e que havia ainda valor não reconhecido pelo mercado. Nos impressionou também na empresa a boa equipe de relação com investidores que o Eike formou. A ação subiu adicionais 52%, desde então.
Projeções econômicas para 2008: A performance dos setores de mineração e siderurgia depende muito de questões macroeconômicas globais complexas. Continuamos acreditando que existem distorções nesse cenário e que a probabilidade de elas causarem um impacto negativo no setor de commodities é de 30%. O nosso cenário base é de que essas distorções criem turbulência no curto prazo. A forte demanda por metais por parte da China, porém, mais que compensa um desaquecimento nos Estados Unidos. Nosso cenário base é de um decoupling entre consumo de metais em mercados emergentes e economia americana. Entretanto, é bom tomar cuidado, pois o perfil de crescimento do PIB chinês está se alterando de um crescimento baseado em construção de infra-estrutura básica, intensiva no uso de metais, para um crescimento de PIB baseado no consumo, o que requer menos metal intensivo. Mesmo assim existe a possibilidade de boas surpresas em metais, já que outras economias emergentes estão entrando em uma forte dinâmica de crescimento.
André Baggio Melhor analista de telecomunicações
Carreira: Há quatro anos no JP Morgan, André Baggio foi escolhido o melhor analista de telecomunicações em 2007. Baggio cobre o setor há seis anos e, entre suas experiências de trabalho anteriores, estão a de projetista de modems na Digitel e analista de sistemas da IBM.
Acertos em 2007: A visão mais pessimista no setor de telecom, que ainda sofre com a concorrência excessiva entre as empresas de celular e problemas societários nas operadoras de telefonia fixa, foi determinante para as nossas estratégias. O setor subiu somente 18%, contra 40% do Ibovespa. Os acertos incluem: downgrade da TIM, que no ano teve uma expansão de margem inferior ao esperado (a ação caiu 3%); recomendação de overweight da Positivo, antecipando o boom do crescimento das vendas (a ação subiu 100% desde a recomendação); e o recente downgrade na Telesp Fixa, que vem tendo problemas tanto de queda de receita como de margens (a ação caiu 20% em um mês).
Projeções econômicas para 2008: A possibilidade de reestruturação das companhias de telefonia fixa deve dominar o interesse dos investidores, especialmente com uma nova oferta da Telemar, que pode ser tanto nos moldes das ofertas anteriores como também de alguma outra nova forma. Em relação às empresas de telefonia móvel, o ambiente de competição ainda muito acentuado, assim como os debates sobre alto custo de interconexão, devem diminuir os retornos para as ações.
Devemos ter ainda um bom ano de crescimento para as empresas de TV a cabo (Net Serviços) e software (Totvs), já que ambas têm um baixo grau de penetração, bem como para PCs (Positivo), dada a taxa de câmbio baixa e mais financiamentos ao consumidor.
Ciro Shoiti Matuo Melhor analista de títulos privados
Carreira: Ciro Shoiti Matuo, chefe de análise de dívida corporativa da Itaú Corretora, levou o prêmio em 2007 de melhor analista de títulos privados.
Matuo está desde maio de 2006 na corretora, tendo passado antes pela asset, onde ocupou a função de analista de renda variável para o setor elétrico, de saneamento e de concessões de rodovias, e pela área de análise de M&A, capital markets e project finance do banco Itaú. Matuo já trabalhou também para o grupo Indosuez.
Acertos em 2007: Dentre as empresas cobertas em 2007, podemos mencionar nossa visão acertada sobre a capacidade de repasse do custo de matéria prima da J.Macedo, segunda maior moedora de trigo do Brasil.
Mesmo em um período de alta volatilidade e pressão no custo do insumo, a companhia foi capaz não só de manter inalterada a sua margem bruta, mas também conseguiu elevar sua margem Ebitda com a conclusão de um processo interno de reestruturação operacional. Conseguimos desenvolver também, ao longo do ano, um formato interessante para a nossa série de relatórios de crédito corporativo (Let’s Get Fixed), abordando os principais pontos fortes e fracos da companhia analisada, elaborando projeções detalhadas de fluxo de caixa e de resultado, mostrando análises de sensibilidade com as principais variáveis.
Projeções para 2008: Entendemos que no atual cenário de redução da taxa de juro, o aumento da demanda por opções de investimento com retornos diferenciados fará com que 2008 continue sendo um ano bastante promissor para emissões de títulos privados (debêntures, FIDCs e CCBs). Parte dessas emissões pode ter origem em uma das inúmeras empresas que listaram suas ações na bolsa em 2007, seja para readequar sua estrutura de capital ou para financiar, na atual conjuntura econômica favorável, seus novos investimentos. Emissoras menos conhecidas e por vezes pertencentes a setores não tão usuais também devem continuar surgindo, reforçando a importância do trabalho de análise da corretora na abordagem dos riscos junto aos investidores.
Marcelo Saddi Melhor gestor de fundos de renda fixa
Carreira: O diretor de renda fixa da BNP Paribas Asset Management, Marcelo Saddi, levou o prêmio de melhor gestor de fundos de renda fixa em 2007. Castro cobre o setor há 16 anos, 9 deles na Lloyds Asset Management. Há outros 9 na BNP Paribas Asset Management, é, atualmente, gestor de fundos de renda fixa e multimercados de baixo risco.
Acertos em 2007: O principal mérito tem sido gerenciar os mandatos de renda fixa, mesmo os mais conservadores, num horizonte de médio e longo prazo, com gestão ativa. Nesse sentido, a estratégia iniciada em meados de 2005, de apostar na queda dos juros nominais e reais (e que durou até o fim do primeiro semestre de 2007), foi determinante. Ao longo desse período, mantivemos forte posicionamento nos ativos pré- fixados e atrelados à inflação. Essa estratégia ajudou a compensar momentos menos favoráveis, como o ocorrido no segundo semestre de 2007, onde os ativos de renda fixa voltaram a exibir retornos equivalentes ao fim do ano de 2006.
Adicionalmente, outro acerto que vale ser destacado é o trabalho em equipe da gestão de renda fixa, sempre procurando mostrar coerência entre os cenários econômicos e a estratégia implementada, além da transparência para com os cotistas.
Projeções econômicas para 2008: Apesar de os dados recentes indicarem inflação elevada e atividade econômica forte, acreditamos que eventuais descompassos entre a oferta e a demanda agregadas sejam compensados parte pelas importações, parte pelos fortes investimentos nos diversos setores da economia brasileira. Dessa forma, acreditamos em uma redução da taxa básica de juros em meados de 2008, terminando dezembro em 10,50% ao ano, taxa de câmbio (real/dólar) próxima dos níveis atuais e crescimento econômico da ordem de 4,5% ao ano. Quanto à economia internacional, o baixo crescimento dos Estados Unidos (sem recessão) será compensado pela pujança dos países emergentes, incluindo o Brasil.
Herculano Anibal Alves Melhor gestor de fundos de renda variável
Carreira: Superintendente executivo de renda variável da BRAM (Bradesco Asset Management) desde 2001, Herculano Anibal Alves foi eleito, pela segunda vez, o melhor gestor da categoria. Com 25 anos de bagagem em análise de investimentos e administração de recursos de terceiros, Alves trabalhou como gestor de renda variável na Bradesco Templeton Asset Management, como diretor dessa mesma área na ABN Amro Asset Management e como gerente de investimentos do Unibanco antes de se juntar à BRAM. Além disso, foi diretor técnico e conselheiro da Abamec São Paulo.
Acertos em 2007: Contribuíram de forma significativa para a performance do primeiro semestre as ações da Vale e, para a segunda metade do ano, também as ações da Petrobras. Outros setores que foram responsáveis para o bom resultado do ano foram o de siderurgia e as ações de empresas relacionadas ao consumo interno. Além disso, o fato de sempre termos sido seletivos na aquisição de ações dos IPOs nos ajudou, principalmente a partir de agosto, quando da crise de liquidez do subprime eclodiu, pois muitas destas ações sofreram, devido à sua baixa liquidez.
Projeções econômicas para 2008: O cenário continuará favorável para o mercado de ações, porém a bolsa deve ter uma maior volatilidade. Apesar de a economia americana apresentar riscos de recessão, o PIB mundial ainda apresentará um bom crescimento, sustentando assim melhores preços de commodities. Nesse cenário, o Brasil deve alcançar o investment grade, o que continuará beneficiando o fluxo de recursos de estrangeiros para o país. As perspectivas são boas para as ações de empresas atreladas ao preço de commodities e para os papéis de companhias voltadas para o mercado interno, que prometem apresentar resultados crescentes. O risco desse cenário é uma alta ainda mais significativa do preço de commodities, o que pode fazer com que os Bancos Centrais mundiais se tornem um pouco mais rígidos, no intuito de conter a inflação.
Luis Stuhlberger Melhor gestor de fundos multimercados
Carreira: À frente do já lendário Fundo Verde (lançado em 1997), Luis Stuhlberger, diretor da área de asset management do Credit Suisse Hedging-Griffo, foi escolhido pelos leitores de Investidor Institucional o melhor gestor de multimercados em 2007. Com 26 anos de experiência na área, Stuhlberger começou a carreira como broker de mercados futuros e commodities na própria Hedging-Griffo.
Acertos em 2007: Entre as apostas, destacam-se a expectativa de uma inflação muito mais alta do que a esperada, via compra de inflação implícita; as apostas contra o “play de convergência acelerada” de juros longos, por meio da aquisição de títulos prefixados abaixo de 10%; e a perspectiva de valorização do câmbio durante o ano, por conta do maior fluxo de investimento estrangeiro direto. Houve também redução de exposição em bolsa antes da crise do subprime, em julho.
Projeções econômicas para 2008: Será um ano mais difícil, com muito mais volatilidade e incertezas. A inflação deve aumentar no Brasil. A balança comercial será menor por causa da aceleração das importações. O provável investment grade levará a uma queda de juros longos no país e à retomada do play de convergência. A maior competição entre as empresas “priced to perfection” resultará em menores retornos.
Antonio Bonchristiano Melhor gestor de fundos de private equity/venture capital
Carreira: Antonio Bonchristiano, co-CEO e co-chairman da GP Investments, tem um currículo prá lá de respeitável. Fundador do Submarino, foi também CFO do Supermar Supermercados, sócio da Johnston Associates e associado ao Salomon Brothers. Está há 15 anos na GP Investments. Em 2007, primeiro ano em que os profissionais da categoria private equity puderam concorrer ao Prêmio Investidor, Bonchristiano foi eleito o melhor gestor.
Acertos em 2007: Em 2007, levantamos nosso maior fundo de private equity, o GPCPIV, no valor de US$ 1,3 bilhão, no qual além de general partner, somos também investidores importantes. Tivemos um primeiro closing do fundo em julho e em apenas seis meses já investimos 42% dos recursos em quatro companhias. A aquisição da San Antonio, formada pelos ativos latino-americanos da Pride International, em agosto merece destaque por várias razões: (i) a dimensão da transação, US$ 1 bilhão; (ii) a estruturação dos recursos, na qual usamos alavancagem financeira e atraímos co-investidores; e (iii) nossa entrada em outros mercados na América Latina, dado que a empresa está presente em oito países da região, como Argentina, Colômbia e México. Somadas as transações do fundo GPCPIII, ao todo investimos em seis empresas durante o ano.
Realizamos a venda de nossa participação restante na Equatorial Energia e, além disso, executamos a abertura de capital de duas companhias de nosso portfólio – BRMALLS e Tempo. Finalmente, em um ano de turbulências no mercado internacional de crédito, além de utilizarmos dívida nas aquisições de Magnesita e San Antonio, captamos US$ 190 milhões em bônus perpétuos na GP Investments, em uma operação inédita para empresas de private equity de todo o mundo.
Projeções econômicas para 2008: O mercado de private equity continuará aquecido em 2008, com a América Latina ganhando espaço no cenário econômico internacional. Seguiremos nossa estratégia de expansão para outros países da região. Já anunciamos a constituição de um escritório no México e temos um time dedicado à análise de negócios fora do Brasil.
Vemos oportunidades de investimento bastante interessantes, tanto no Brasil como em outros países latino-americanos, nos mais diversos setores da economia.
Everaldo França Melhor consultor financeiro
Carreira: O prêmio de melhor consultor financeiro é o segundo concedido por Investidor Institucional a Everaldo França, presidente da PPS Portfólio Performance. Há 11 anos à frente da consultoria, França também trabalhou no Banco Itaú, Banco Real, Unibanco, Banco Bandeirantes e Esteve Irmãos SA.
Acertos em 2007: Com base no cenário favorável traçado para a economia brasileira e nos estudos de ALM que fizemos para nossos clientes, foram muito relevantes as nossas sugestões de aumento de alocações de recursos em carteiras de ações, que trouxe resultados bastante favoráveis. Analogamente, nossas sugestões de constituição de carteiras de NTN-Bs, com advertências sobre a urgência de tal posicionamento no início do ano, trouxeram resultados expressivos, com grandes ganhos obtidos em função do fechamento dos cupons embutidos em tais títulos.
Na verdade, consideramos que tal fato é mais evitar perdas do que efetivamente obter ganhos, porque a partir do momento que os cupons das NTN-Bs passam a ser inferiores às metas atuariais, não mais ajudarão as entidades a alcançarem seus objetivos de rentabilidade. Efetivamente, tratou-se mais de não perder uma chance que ainda existia.
Projeções econômicas para 2008: Em função da esperada continuidade de queda da Selic, os fundos de pensão adotarão um posicionamento mais agressivo em seus investimentos, seja aumentando a parcela alocada em carteiras de ações ou em fundos multimercados, seja aumentando o orçamento de risco das carteiras tradicionais ou adotando novas modalidades ainda não utilizadas por muitos, como FIPs, FIDCs, CRIS e as outras alternativas existentes. Ainda não será neste ano que as entidades brasileiras olharão para os investimentos em commodities, embora internacionalmente haja um movimento desse tipo. É um ano em que as entidades locais deverão começar a aprender algo sobre investimentos em mercados internacionais, preparando-se para considerá- los efetivamente num futuro não muito distante.
Marcelo Rabbat Melhor consultor de risco
Carreira: Com 11 anos de experiência na área, Marcelo Rabbat, sócio- diretor da RiskOffice Consultoria há 9, leva pela quarta vez o prêmio de melhor consultor de risco da Investidor Institucional. Graduado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, Rabbat é também mestre em Probabilidade e Estatística pelo Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo e Doutor no Laboratório de Automação e Controle da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Acertos em 2007: A discussão com os clientes institucionais sobre investimentos alternativos…