Edição 189
Itaú mantém liderança folgada em private e middle private, mas concorrentes reforçam estratégias
Habituados, durante anos a fio, a ter de crescer “roubando” cliente da concorrência, os executivos das áreas private e middle private dos bancos, finalmente, respiram aliviados. A economia em franca expansão e, principalmente, a explosão de aberturas de capital em bolsa têm produzido uma geração de novos ricos. Em 2007, o total de recursos de clientes private geridos pelas assets somou R$ 171,7 bilhões, um aumento de 36,6% no ano e de 25,8% no segundo semestre.
No topo do ranking, disparado, está o Itaú, com R$ 33,5 bilhões de recursos sob gestão no private e R$ 38 bilhões no middle. Mas engana-se quem pensa que o banco está acomodado nessa confortável posição. “Queremos ter um papel relevante não só no Brasil como em toda a América Latina”, avisa Paulo Corchaki, diretor de investimentos da área. Por conta dessa estratégia, o banco adquiriu, em 2007, as áreas private do BankBoston e do ABN Amro em Miami, que juntas acumulam US$ 4,5 bilhões.
A liderança folgada que o Itaú mantém no ranking desses segmentos, por sua vez, foi conquistada com a estruturação de uma equipe reforçada de profissionais qualificados, em vista da sofisticação da clientela, diz Corchaki. “São 220 pessoas, 40 delas bankers (gerentes de contas), que todas as segundas-feiras se reúnem para discutir o cenário econômico e alternativas de investimento.” Com a volatilidade dos mercados prevista para 2008, a proximidade com os investidores terá que ser ainda maior para recomendar movimentações na velocidade adequada, acrescenta o executivo. Assim como vem ocorrendo em outros segmentos, os clientes private também estão migrando para aplicações de maior risco. Em 2007, o Itaú lançou dois fundos para atender à demanda desse público: o Itaú Valor Alavancado, fundo de ações com alavancagem, e o multimercado Itaú Hedge.
A asset do Bradesco também criou uma nova família de produtos direcionada para o segmento de middle private, dentro de uma estratégia coordenada do grupo. “O Bradesco Prime, voltado para os clientes middle private, está com uma rede maior hoje e há todo um esforço institucional voltado para impulsionar o crescimento nessa área nos próximos dois anos”, conta Adolfo Alviço, superintendente comercial executivo da Bram.
No ranking Top Asset do segmento, a gestora aparece em segundo lugar, com R$ 12,326 bilhões – o que representa 7,9% do total de recursos que mantém sob gestão. No Raio X do mercado, a participação média do middle private no total gerido pelo setor é de 4,7% . Já os recursos vindos dos clientes private equivalem a 12,6% do total sob gestão pelas assets que participam do ranking. Nesse segmento, a segunda posição é ocupada pela Unibanco Asset Management (UAM), que terminou 2007 com R$ 14,935 bilhões sob gestão. O valor representa 26,3% do total gerido pela asset e um crescimento de nada menos que 30% sobre o registrado no final do primeiro semestre.
A Bram ainda está na sexta posição no ranking de private, mas teve o segundo maior crescimento no semestre (134,6%), superado apenas pela Caixa Econômica Federal (192,4%). Só que esta, ao contrário da Bram, parte de uma base menor e não aparece entre os 10 maiores do segmento nesta edição. A expectativa do superintendente da Bram é que a área de private também deve manter um ritmo intenso de crescimento em razão de uma estratégia do grupo, voltada para esse segmento, que só veio receber uma atenção maior mais recentemente, segundo ele.