Estruturados mantêm expansão | Incertezas nos cenários para os in...

Edição 262

 

A recuperação dos rendimentos dos títulos públicos e a tímida guinada da bolsa atraiu recursos para fundos mais tradicionais no primeiro semestre de 2014. Ainda assim, o segmento de estruturados manteve trajetória de expansão, principalmente por conta das incertezas quanto à recuperação do mercado externo e a proximidade das eleições, fatores que tentem a trazer mais volatilidade aos papéis de renda fixa e variável no segundo semestre. Nesse cenário, a busca por ativos menos suscetíveis a fatores exógenos tem se mostrado uma estratégia fundamental entre os investidores institucionais, inclusive entre os de menor porte.
Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) apresentaram maior crescimento em comparação com os demais veículos. No acumulado em doze meses, encerrado em junho deste ano, o segmento registrou alta de 20%, alcançando estoque de R$ 116,9 bilhões. No no primeiro semestre o crescimento foi de 9,5%. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) também se destacaram, com expansão de 8,8% em doze meses, atingindo R$ 43,8 bilhões em ativos sob gestão.
Já os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidcs) tiveram um dos piores resultados. Em doze meses, houve queda de 27,4% no patrimônio dos fundos. Somente nos seis primeiros meses de 2014, o recuo foi de 13,8%. Ao todo, a categoria soma R$ 61,9 bilhões em ativos. De acordo com gestores, parte desse cenário pode ser explicado pela mudança na Instrução 531, que afetou as emissões de títulos privados no mercado.

Imobiliários – Com valorização de apenas 1,7% no acumulado de janeiro a agosto deste ano, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) da BM&FBovespa vieram ensaiando uma recuperação em relação aos retornos negativos apresentados no ano passado. De forma geral, o mercado anda de lado com aumento da taxa de vacância, mas há alguns ativos que conseguiram se destacar.
Para a BTG Pactual Asset Management, foram as lajes corporativas que trouxeram os melhores retornos aos FIPs. “O desempenho fraco das cotas em bolsa reflete o movimento de alta dos juros, que faz com que os investidores busquem rentabilidades superiores ao CDI, e o ciclo natural do mercado imobiliário, que passa por estabilidade de preços frente ao desaquecimento do nível de atividades do país”, afirma Marcelo Flora, chefe de distribuição do BTG Pactual.
Com um patrimônio de R$ 3,2 bilhões, e rendimentos de 11% em 2013, o Corporate Office Fund, de lajes corporativas, teve a última emissão de cotas no ano passado. Para 2014, não há previsão de novas emissões, mas aquisições não foram descartadas. Outro destaque do segmento foi o FII Fundo de Fundos, que acumula patrimônio de R$ 400 milhões e rentabilidade de 9,7%.
No caso da Votorantim Asset Management, o segmento que mais se destacou foi o de fundos de recebíveis imobiliários, administrados e geridos pela asset, lançados em parceria com o Banco do Brasil. Esse é o caso do BB Progressivo II e do BB Renda, produtos que têm rendimentos periódicos, lastreados em contratos de aluguel. “As cotas vem apresentando alta nos últimos meses, sinal de que o mercado pode estar melhorando”, afirma Reinaldo Lacerda, diretor de investimentos. Segundo ele, a Vam observa diversos projetos para investir, mas não há previsão de entrar em lançamentos imobiliários até o final do ano.

Private Equity – Com o maior crescimento entre os veículos de investimento em seis meses, as assets mais focadas no segmento estão buscando novos ativos para aplicar recursos, estruturando o lançamento de fundos de participação ainda este ano. Na BTG Pactual Asset Management, o momento é de captação de recursos para um fundo de desenvolvimento florestal (Leia mais na página 70).
A gestora também lançou um fundo de infraestrutura que deve captar mais de US$ 1 bilhão nos próximos meses. Entre as empresas já investidas, estão a Sete Brasil, de sondas para a Petrobras, GlobeNet, de cabos de fibra óptica, e a Contrail, de gestão de cargas em porto. “Alocamos 30% desse valor, pois ainda estamos analisando opções de investimento dentro do fundo”, afirma Marcelo Flora. Segundo ele, a demanda dos institucionais por Fips tem crescido mais entre as fundações de menor porte. “Os grandes fundos de pensão já estão alocados no limite em Fips”. A gestora analisa, ainda, a possibilidade de lançar um Fundo de Investimento em Cotas (FIC) de Fips para este ano.
Já a Votorantim Asset Management duplicou no primeiro semestre o patrimônio de sua carteira de Fips, em relação a dezembro de 2013. O resultado veio por conta de uma captação nova, de R$ 3 bilhões, de dois Fips do segmento imobiliário. “O setor de imóveis deu uma desaquecida, mas ainda está lançando projetos. Estamos, no momento, avaliando a possibilidade de investimento em uma operação grande, que acontecerá em São Paulo”, afirma Reinaldo Lacerda.
Dentro do segmento de private equity, a asset também está de olho em oportunidades pouco convencionais, participando, inclusive, da licitação para gerir o FIP Mercado de Acesso, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 250 milhões.

Direitos creditórios – As assets que conseguiram se destacar em meio às adversidades foram aquelas que buscaram ativos pouco convencionais para compor seus Fidcs. “Os fundos do mercado estão com muitas dificuldades em superar o CDI, por isso buscamos lançar produtos mais inovadores para garantir rentabilidades melhores aos investidores”, afirma Leonardo Calixto, diretor da Empírica Investimentos. Os Fidcs representam mais de 80% dos ativos sob gestão da asset, somando R$ 494,8 milhões.
Entre as carteiras diferenciadas da casa está um fundo de recebíveis de home equities, o Fidc Domus Platinum, e um fundo lastreado em operações de cartão de crédito – o primeiro do mercado –, o Fidc Sorocred Cartões. Este ano, a Empírica planeja lançar mais três Fidcs não convencionais: um lastreado em ativos imobiliários, outro em contratos de estacionamento e, o último, em contratos de locação em shoppings.
Para Ricardo Binelli, gestor de fundos da Petra Asset, as melhores oportunidades estão nos papéis de empresas menos conhecidas, com rating igual ou superior ao de grandes companhias. Os Fidcs da Petra que mais se destacaram apresentaram remunerações em torno de 130% do CDI. Esse é o caso do Fidc Master Crédito Privado, que aplica em 30 séries de 19 Fidcs. Nos últimos doze meses, o patrimônio desse fundo passou de R$ 40 milhões para R$ 145 milhões. Por conta da demanda, a Petra lançou, no final de julho deste ano, o Master II, que investirá em 14 outros Fidcs.
Atualmente, a Petra possui R$ 400 milhões em Fidcs “diversificados”, de um total de R$ 1,5 bilhão sob gestão aplicados em fundos de recebíveis. “A economia este ano tomou um rumo que ninguém estava imaginando. Bater o CDI está muito difícil e, para garantir rentabilidades maiores, sem correr riscos também maiores, é preciso reforçar a análise de crédito”, diz.