Edição 297
Os melhores na renda fixa (em pdf)
Mesmo com as sinalizações do Banco Central para redução da taxa de juros, os fundos de renda fixa mantiveram o bom desempenho ao longo dos últimos 12 meses encerrados em junho. No ranking, o segmento contabilizou 90 fundos excelentes. A Bram foi a gestora com maior número de fundos verdes em renda fixa, totalizando 15 fundos, enquanto a Santander Asset totalizou 12 fundos verdes nesse segmento, e o Itaú, 7 fundos. Apostando no segmento, a Votorantim Asset Management – Vam também contabilizou um maior número de renda fixa com performance excelente em detrimento a outros segmentos.
Com 6 fundos verdes de renda fixa, a VAM adotou uma estratégia de manter uma posição zerada em renda variável, para evitar a volatilidade, e apostou em fundos de crédito. “Demos prioridades a fundos com baixo risco de crédito e tivemos um bom resultado com uma boa carteira de crédito bancário e de empresas”, diz o diretor da VAM, Reinaldo Lacerda. “Também aproveitamos a queda de taxa de juros de forma controlada para não provocar volatilidade alta nas cotas”, complementa. Para Lacerda, a expectativa da queda da Selic e da inflação permite a asset a dar continuidade a essas estratégias. “Ainda temos perspectiva de continuar obtendo ganhos com esses fundos”, destaca.
Crédito – A Itaú Asset também apostou em uma carteira de crédito para compor a carteira de renda fixa. O gestor da asset, Rodrigo Noel, observa que tiveram destaque no levantamento tanto fundos que buscam uma assimetria maior com os principais benchmarks do segmento, como produtos de estratégia mais livre, que se beneficiaram do fechamento dos juros, “uma aposta que realmente fizemos” nas suas palavras, mas também com contribuição de outros ativos disponíveis como os de crédito privado ‘high grade’. “O fato de termos uma análise bem feita de crédito, com a escolha de empresas corretas e com o devido grau de concentração nos colocou em uma posição de destaque”, afirma o gestor da Itaú Asset, que diz ainda que a casa apostou na queda dos juros nominais e também no recuo da inflação implícita presente nos ativos.
Gilberto Kfouri, gestor responsável pela renda fixa da BNP Paribas Asset, destaca o papel importante das emissões de crédito por parte das instituições financeiras e também das empresas para gerar um retorno adicional ao prêmio pago pelos títulos públicos no portfólio dos fundos da gestora. “Privilegiamos para nossa carteira bancos de primeira linha, eventualmente com alguma alocação em instituições de segunda linha”, pondera Kfouri. A asset contabilizou 2 fundos excelentes no segmento de renda fixa.
O gestor ressalta, contudo, que nos últimos meses o percentual em caixa dos fundos com exposição relevante em crédito esteve relativamente alto, ao redor dos 30%. Kfouri explica que esse patamar elevado se deve à própria natureza dos investidores que costumam investir nos fundos, que tem fluxos constantes de entradas e saídas. “Isso faz com que o fundo fique um pouco mais engessado do lado da gestão, mas dá uma flexibilidade maior ao cliente”. Além disso, a dinâmica observada no segmento nos últimos meses, com uma redução nas emissões, também pesou para o maior nível de caixa. O gestor recorda que no período considerado pelo levantamento grandes bancos, como o Itaú, praticamente não realizaram novas emissões no mercado.
Ainda assim, apesar do menor volume de emissões, Kfouri lembra que o efeito positivo da queda dos juros para os fundos de títulos públicos também ocorreu de maneira similar para os de crédito privado. O gestor comenta que, devido à alta demanda dos investidores, com um nível de oferta abaixo do necessário para atender os investidores em sua totalidade, os spreads das ofertas que saíram vieram bastante comprimidos.
Com três fundos verdes em renda fixa, a BB DTVM destaca que, além do fechamento da curva de juros dos títulos públicos que foi a grande fonte de retorno para os fundos da indústria no período analisado pelo levantamento, o segmento de crédito privado também teve contribuição importante. “Tivemos uma retomada importante do crédito privado nos últimos meses, não só com novas emissões, como também com o fechamento das taxas das emissões que já haviam no estoque que gerou uma expressiva recuperação nos preços dos ativos”, diz o diretor executivo da asset, Carlos André. Como os bancos ainda tem demonstrado pouco apetite por expandir de maneira agressiva suas concessões de crédito, e portanto, sem a necessidade de realizar novas emissões, a maior parte das operações de crédito privado observada nos 12 meses encerrados em junho de 2017 foram corporativas, explica.
Perspectivas – Para que renda fixa continue gerando bons retornos, o cenário político e econômico do país deve permanecer estável, o que é difícil de prever já que o Brasil entrará em período eleitoral. Ainda assim, os gestores mantêm uma expectativa de manutenção das políticas econômicas, com a possibilidade de um candidato que agrade o mercado. Para a Bram, que liderou o segmento de renda fixa no ranking, o segmento ainda tem ganhos, mas vem assumindo uma posição menos protagonista. “É uma carteira que tem uma importância grande, porém tende a perder um pouco para estratégias de mais risco. Mas é um processo gradual que pode incluir posições mais diversificadas”, diz o diretor superintendente da Bram, Vinicius Albernaz. “Cada vez mais vemos que, nesse cenário de retomada de risco e a mudança do predomínio do CDI nas carteiras, há uma necessidade de manter estrutura grande com bastante capacidade de investimento e research para alcançar resultados superiores”, complementa.
A asset do Santander, que apostou durante os últimos 12 meses na compra de NTN-Bs mais curtas num primeiro momento, começou a alongar suas posições para buscar um prêmio adicional no primeiro semestre deste ano, já se vendo diante de uma mudança no cenário. “Sabemos que não será possível manter a expectativa de um movimento tão intenso na renda fixa quanto esse que vivemos no primeiro semestre, pois não teremos um novo fechamento de juros na ordem de 7% como tivemos”, diz o superintendente executivo de investimentos da Santander Asset, Eduardo Castro. “Ainda vemos prêmio, principalmente na parte mais longa da curva de renda fixa, diferentemente do que ocorreu no início do ano. Mas para isso dependemos da manutenção do cenário externo benigno, e no cenário local, a economia tem que continuar crescendo sem afetar a inflação. Achamos que há uma chance razoável disso acontecer”, destaca.
Reinaldo Lacerda, da VAM, avalia que dado o cenário de continuidade da melhoria da economia, a bolsa pode mostrar maior capacidade de crescimento, mas renda fixa sempre vai ser forte na carteira dos clientes. “Claro que é preciso correr mais risco, pois sem isso vai ser difícil agregar rentabilidade. Nesse caso, apostamos mais em fundos multimercados, que operam em todos os mercados, de renda variável a renda fixa, passando por moedas e investimentos no exterior. Também temos fundos estruturados, imobiliários e FIDCs, e estamos tentando buscar originar operações nessas áreas, principalmente em imobiliários que devem começar a deslanchar mais com a queda da taxa de juros. Vamos dar continuidade nesse processo de crescimento nessa linha de produtos com mais risco para trazer rentabilidade para a carteira dos clientes”, destaca.