Maior versatilidade | Em momentos de incerteza, fundos multimerca...

Edição 291

 

Os melhores nos multimercados (em pdf)

Em um cenário difícil para a política do país, em meio a um impeachment, o mercado se deparou com um período de incertezas no início de 2016. A partir do segundo trimestre do ano, porém, as expectativas se reverteram: a bolsa entrou em recuperação, o Real se valorizou e o Banco Central começou a dar indicativos de redução de taxas de juros. Com a volatilidade do mercado, investidores institucionais voltaram a analisar os fundos multimercados, principalmente por conta da maior flexibilidade em termos de estratégia de investimentos, o que fez com gestores conseguissem manter seus fundos firmes durante o ano.
Em primeiro lugar no ranking, com sete fundos verdes, a BB DTVM explica que apesar da recessão forte e questões fiscais relevantes para serem resolvidas, as expectativas de reforma do governo de Michel Temer na segunda metade do ano fez com os juros começassem a convergir para meta, a bolsa subisse e o Dólar caísse. Como a maioria dos fundos multimercado da gestora é de aplicações no exterior, não apenas o cenário nacional, mas o externo também afetou a performance dos fundos.
O gerente executivo responsável pelos fundos multimercado e offshore da BB DTVM, Marcelo Pacheco, explica que questões de difícil previsão como a saída do Reino Unido da União Europeia, chamada de Brexit, e a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, não estavam precificados e trouxeram volatilidade aos fundos, mas o ano acabou mais otimista, com os ativos internacionais performando bem. “Os fundos brasileiros que investem no exterior sofreram com a queda do dólar, mas a performance do ativo lá fora acabou sendo muito boa. As bolsas subiram muito no exterior”, salienta Pacheco.
O executivo destaca que uma parte importante do resultado dos fundos é reflexo do câmbio, o que explica a rentabilidade negativa dos veículos, que não têm proteção cambial. “Alguns investidores que estão de fato olhando pro longo prazo não veem essas flutuações da moeda, mas outros operam pela variação do dólar. No ano passado vimos alguns resgates em função da queda do dólar, e recentemente vimos uma reversão desse fluxo, já com novas aplicações no início deste ano”, salienta.
A BB DTVM está aguardando oportunidades para lançar fundos de renda fixa global, o que não era possível até então por conta da disparidade das taxas de juros mundiais, próximas a zero, quanto no Brasil estavam se elevando continuamente. “Na medida em que a taxa de juros no Brasil cair, veremos uma aproximação dos juros cobrados aqui com os juros externos, e estaremos preparados para lançar esses fundos”, complementa o Pacheco.
Já a asset do J. Safra, com uma família de fundos mais diversificada, também conseguiu se manter bem posicionada com quatro fundos verdes no ranking deste ano. Dois fundos classificados como excelentes são os S&P, que aplicam no índice S&P 500 do mercado norte-americano. Os fundos não estão expostos à variação cambial e segundo o head da asset, Luiz Fabiano Godoi, o sucesso dos veículos se deve à valorização da bolsa americana. O executivo também destaca o desempenho do Safra Kepler, um multimercado long and short, cuja grande parte do risco é do mercado de ações.

Aproveitando a volatilidade – A Oceana Investimentos, que emplacou dois fundos excelentes na categoria multimercados, emplacou outros três em renda variável. São cinco fundos verdes no total, de 5 fundos analisados, o que dá um aproveitamento de 100%. Segundo o sócio-fundador da gestora, Alexandre Rezende, o bom desempenho da gestora baseia-se na sua estratégia de análise fundamentalista, focando sempre nos fundamentos de companhias específicas. Ainda de acordo com Rezende, as decisões de investimento da gestora não se baseiam apenas na flutuação do preço das ações. “Estamos aproveitando a volatilidade para encontrar ativos. Buscamos comprar ativos baratos”, explica. “O mercado teve uma volatilidade elevada e vimos uma depressão grande, seguida por uma euforia grande. Isso desencadeou movimentos bruscos nos preços de ativos. Sempre nos aproveitamos desse movimento de alta volatilidade para alocar ou desalocar capital dos fundos”, destaca.
Dos seus cinco fundos classificados como excelentes, a gestora considera que o que teve melhor desempenho foi o Oceana Long Biased, apesar dele ter sido classificado pela consultoria Luz no segmento de renda variável. “O Long Biased é um fundo no qual fazemos uma estratégia de valor relativo, comprando e vendendo ativos que tenham algum tipo de relação entre eles. Conseguimos gerar muito valor aos nossos investidores com essa estratégia, apesar do mercado acionário ter andado de lado”, explica Rezende.

Inflação – A Claritas Investimentos é outra gestora independente que conseguiu classificar um fundo multimercado como excelente no ranking: o Claritas Inflação, que tem como benchmark o índice IMA-B5. “Já que o fundo é focado em investidor institucional e tem como objetivo bater inflação, é um produto que atende bem a expectativa por ser ativo. Ele opera o mercado local e internacional através de moedas e bolsas”, explica o gestor de fundos macro da Claritas, Damont Carvalho. “Conseguimos bom retorno com esse fundo por meio de posições pré-indexadas nominais e posição em bolsa brasileira”.
Carvalho destaca que o diferencial do fundo no ano passado, por ter uma gestão ativa, foi poder antecipar o movimento de melhora da bolsa. “Agora estamos mais cautelosos por conta das dificuldades na parte de ajuste fiscal. Somos otimistas com as reformas anunciadas pelo governo, que podem destravar o valor da bolsa e ativos de risco, mas estamos mais conservadores, pois achamos que pode haver uma pressão na inflação”, salienta.
Outras onze gestoras emplacaram um fundo excelente no ranking dos multimercados. São elas: Capitânia; Modal; Western; Opportunity; Mongeral Aegon; Daycoval; Brasil Plural; Solis Investimentos; Socopa Gestão; Rio Performance; Appia Prime e Austro Capital.