Aposta nos fundamentos | Fundos que se destacaram na renda variáv...

Edição 291

 

Os melhores na renda variável (em pdf)

No segmento de renda variável, de 217 fundos analisados pela Luz Soluções Financeiras, 72 foram classificados como verde; 118 como amarelo, e 27 vermelhos. A primeira colocação, assim como no levantamento anterior, permaneceu com a Itaú Asset, com 14 fundos considerados excelentes. Na sequência aparecem a Bradesco Asset Management (Bram) e a BlackRock, com seis fundos cada, e a BNP Paribas Asset e a XP Gestão, com quatro fundos cada.
Entre os quatro fundos de renda variável considerados excelentes da gestora do BNP Paribas pelo ranking, dois adotam estratégias voltadas para o mercado doméstico – Action e Small Caps – e outros dois tem como foco o mercado global europeu e americano. Em relação ao Action e ao Small Caps, Frederico Tralli, diretor de renda variável da gestora responsável pelas estratégias dos fundos que atuam na Bovespa, explica que se tratam de veículos que não seguem nenhum benchmark do mercado. “Toda discussão de investimento se dá de maneira bastante agnóstica e dentro de casa, sem ficar preso a nenhum benchmark”, afirma o especialista.
Em relação ao Action, Tralli afirma que se trata de um fundo long biased, que não necessariamente fica 100% investido em bolsa. Em momentos no qual o gestor acredita que a performance do mercado não será tão positiva, o fundo mantém uma parcela de seu patrimônio alocado em caixa. “A perspectiva do ciclo econômico em contraste com o valuation das empresas é a base das discussões para definir a exposição à renda variável do fundo”, diz o diretor, que fala ainda que o Action tem uma carteira mais concentrada, com 10 a 15 papéis, com um horizonte de investimento de longo prazo, de um a dois anos. Além da manutenção de caixa, o especialista explica que uma outra forma do fundo de se proteger de eventuais quedas do mercado é através do uso de instrumentos derivativos.
Em relação ao fundo de small caps, o diretor da BNP Paribas Asset fala que parte do sucesso do veículo se deve ao fato de ele não focar exclusivamente nas ações de menor capitalização, de R$ 500 milhões a R$ 2 bilhões. Até pela falta de boas oportunidades nesse nicho, o fundo ampliou seu escopo e também considerou ações mid caps, com valor de capitalização de mercado de R$ 2 bilhões a R$ 10 bilhões. “As small caps sofreram muito nos últimos anos no país, por serem empresas mais alavancadas que enfrentaram a piora do ambiente econômico e a queda na liquidez do mercado”. Além do foco nas mid caps, Tralli ressalta também a disciplina na tomada de decisão dos investimentos em empresas com bom management.
Já sobre os dois fundos com ativos globais, americanos e europeus, Luiz Felipe Santos, responsável pela área de produtos da BNP Paribas Asset, afirma que se trata de uma aposta intensificada pela casa a partir de 2010, na diversificação regional dos investidores brasileiros. Santos nota que, com a Instrução 555 da CVM editada no ano passado, que permitiu a entrada do investidor qualificado que tenha aplicações financeiras de R$ 1 milhão, os fundos tiveram seus tickets de entrada reduzidos de R$ 1 milhão para R$ 25 mil. “Esses produtos não visam só os institucionais, mas também o investidor pessoa física por meio das plataformas de distribuição com as quais a gestora trabalha”.

Vitória de Trump – João Luiz Braga, gestor de renda variável da XP Gestão, explica que as carteiras de três dos fundos considerados excelentes pelo levantamento – Investor, Long Biased e Long Short – são praticamente iguais, com diferenças no perfil dos veículos. O Long Biased é um fundo tradicional de bolsa, com volatilidade em linha com os demais fundos de renda variável da indústria, e tem a possibilidade de fazer hedge em suas posições. Braga lembra que quando o então candidato Donald Trump começou a aparecer com boas chances de vitória no pleito presidencial dos Estados Unidos o fundo fez uma grande posição de hedge, que gerou uma economia de 4 a 5 pontos percentuais quando houve uma realização de mercado por conta do agitado noticiário político norte americano.
A diferença entre o Long Biased e o Investor, comenta Braga, é que o segundo é composto por uma carteira pura de ações selecionada pelos gestores, enquanto no primeiro o ‘market timing’ tem um peso mais importante, com posições mais defensivas quando a bolsa indica uma trajetória de queda, e com maior nível de exposição em momentos de alta do mercado. Já o Long Short se assemelha mais a um multimercado, por não depender da variação da bolsa em determinado período para auferir ganhos aos cotistas. “Falamos que esse não é um fundo de bolsa, mas um fundo de arbitragem, com a bolsa sendo apenas um instrumento”. O racional do fundo é montar uma carteira comprada que tende a ir melhor do que a carteira vendida do veículo.
O quarto fundo no estudo, de dividendos, tem o foco em empresas mais defensivas, resilientes e mais previsíveis. A construção da carteira em 2016, baseada em fatores micro das empresas selecionadas, foi o diferencial que fez os fundos se destacarem, ressalta Braga. “Sempre tem uma razão micro para fazermos o investimento em determinada empresa, que tem dentro de si mesma motivos para melhorar os retornos dos papéis. Preferimos uma abordagem ‘bottom up’, ao invés da ‘top down’, de apostar em uma alta ou queda do mercado como um todo”, afirma Braga.
No início do ano passado, recorda o especialista, a XP estava com uma postura defensiva e cautelosa em relação aos investimentos, com uma posição maior no setor elétrico, tradicionalmente mais conservador. Passados os primeiros meses do ano, contudo, a gestora alterou o perfil da carteira, e obteve resultados positivos advindos dos setores de infraestrutura e de bancos. “A partir de maio também fizemos uma aposta na melhora das estatais, como Petrobras e Eletrobrás, e conseguimos capturar bem os ganhos desses papéis. Foi uma boa construção da carteira comprada que gerou bons resultados para nossos fundos”, diz o gestor da XP. Braga ressalta que a alteração de um perfil mais conservador para um mais agressivo ocorreu em fevereiro de 2016, quando a bolsa estava em patamares bastante deprimidos.