Caixa lidera em multimercados | Daycoval e Mauá ficam com a segun...

Marcelo PerossiRoberto KroppMarcelo LublinerFundos verdesMultimercados

Edição 247

 

A estratégia de produtos com ativos de crédito privado atrelados IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) garantiu que a Caixa Econômica Federal tivesse o melhor desempenho em multimercados do ano passado. Seis dos nove produtos da casa levaram o selo verde do ranking e foram considerados as melhores opções de investimento para os institucionais em 2012. No total, o levantamento da Investidor Institucional em parceria com a Luz Engenharia Financeira analisou 222 opções de fundos da modalidade. 

Com quatro fundos verdes, a segunda posição ficou dividida entre o Daycoval Asset Management e a Mauá Sekular. Nas posições seguintes houve outro empate, da Bradesco Asset Management (Bram) e da Equitas Investimentos, ambos com três fundos excelentes. 

O superintendente nacional de gestão de ativos de terceiros da Caixa, Marcelo de Jesus Perossi, credita a rentabilidade conquistada pelos fundos do banco à estratégia baseada na incerteza do cenário em renda variável, que sofreu com a performance fraca da bolsa, e em uma possível reabertura da taxa de juros. “Optamos por concentrar nossas escolhas em decisões que envolvessem baixo risco e que, ao mesmo tempo, garantissem a superação das metas atuariais dos fundos de previdência”, conta. 

Os fundos tiveram bons resultados por conta de papéis do tipo DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial) que são indexados ao IPCA ao mesmo tempo que contam com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

Na visão do gestor, a fase que se apresenta ao mercado é de diversificação e desenvolvimento de produtos mais elaborados com atenção especial para fundos estruturados, renda variável e multimercados. Soluções que fujam das saídas tradicionais de alocação. Neste sentido, a asset lançou em janeiro um FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios) de crédito consignado que já captou R$ 750 milhões e outro fundo imobiliário que está em fase de formação para este ano. 

Para 2013, as apostas trilham o mesmo caminho, com oportunidades principalmente para RPPS em fundos de dividendos e produtos estruturados. Além disso, a Caixa vem oferecendo opções de fundos que antes eram de varejo e que foram adaptados à legislação dos institutos municipais e estaduais de previdência no ano passado. 

Participações – No Daycoval, o diretor da gestora de recursos, Roberto Kropp, explica que o segmento se beneficiou principalmente no segundo semestre do ano passado por conta da queda dos juros e da valorização de algumas empresas não muito conhecidas e subavaliadas que cresceram durante o período. 

Segundo ele, esse movimento também ajudou a garantir uma alta do número geral de ativos sob gestão da casa, dos R$ 2 bilhões projetados pela equipe interna, foram atingidos R$ 1,9 bilhão. “Percebemos uma preferência nos institucionais por estratégias mais objetivas, com rendimentos mais previsíveis e de fácil acompanhamento na hora deles planejarem o casamento de seus passivos”, conta. 

Sobre os planos e metas de alocação de cada um dos produtos considerados bons investimentos, Kropp prefere comentar que a escolha por fundos de fundos com uma cesta de 20 produtos e a seleção pelos melhores gestores do mercado foi responsável pelo alívio no momento de fechar a conta dos ganhos. 

Esse processo seletivo de administradores e fundos foi bastante detalhado e passou por análises quantitativas, que classificava as janelas de prazo das alocações. Foram utilizados estudos qualitativos que avaliaram fatores subjetivos das estratégias e de mensuração mais complexa como estudo das empresas envolvidas.“Para protegermos os fundos da volatilidade do mercado, nós realizamos um trabalho que pode ser considerado lento, porque optamos por uma análise minuciosa, mas acredito que esse tenha sido o principal fator que nos ajudou a tornar nossos retornos positivos.” 

O executivo conta que 2012 foi um ano intenso também na prospecção e no trabalho desenvolvido junto aos clientes institucionais, com destaque para as estratégias junto às instituições de previdência. Entre as classes de ativos mais utilizadas, o diretor citou fundos multimercados, de ações, de dividendos e produtos de renda fixa (atrelados ao IMA). 

Devido à demanda crescente deste tipo de investidor, a entidade aproveitou para criar um novo fundo chamado long buyer. A ideia da estratégia é escolher dez ações de empresas de setores como logística, shopping e construção civil, que não necessariamente estejam listadas na BM&FBovespa, mas que apresentem “bons fundamentos”. A companhia passa por uma análise sobre seu retorno futuro, independente do histórico. Atualmente, 19 institucionais, todos RPPS, participam de fundos geridos pela asset. 

Juros e Moedas – O sócio responsável pelas áreas de relacionamento com investidores e produtos da Mauá Sekular, Marcelo Lubliner, afirma que para alcançar resultados satisfatórios, seus três fundos macro não definiram perfis estáticos como moderado ou agressivo. No caso do fundo Absoluto e do Strategy, as principais ações realizadas envolveram juros e moedas. 

A equipe desenvolveu também análises macro dos mercados brasileiro e internacional, tais como o monitorameno da opinião de autoridades monetárias e leituras do ambiente de negócios para preparar suas posições de mercado. A carteira do fundo Macro, por sua vez, considera todas as premissas anteriores, mas se diferencia porque também entra em posições de carregamento, o que dispensa a exigência de uma vantagem de preço para obter uma posição melhor em bolsa. 

Outra estratégia, desta vez em renda variável, que rendeu o segundo lugar à asset foi o Orion, antigo clube de investimentos que há 8 anos é opção de produto na companhia. “Especializamos em eventos corporativos, a fim de entender melhor as divergências das empresas e traçar a forma ideal de vendê-las ao mercado”, diz. 

De acordo com Lubliner, essa opção apresentou aos grandes investidores a possibilidade de atuar em conselhos administrativos e fiscais, e bons métodos de relacionamento com os controladores, o que teria atraído ao interesse de outros participantes do segmento. 

Na gestora, o momento é de expansão dos serviços. O sócio conta que está a procura de um novo profissional exclusivo para atender investidores qualificados, medida inédita na empresa que atende o setor desde o segundo semestre do ano passado. 

Hoje são administrados R$ 2,5 bilhões em ativos, destes R$ 150 milhões são recursos de clientes institucionais, entre eles dez fundos de pensão. 

No fim do último ano, a Mauá criou um fundo exclusivo enquadrado a 3792 a seis mãos, com uma consultoria e uma fundação que não tiveram nomes seus revelados pelo executivo. O resultado foi um portfólio mais ativo, atrelado ao IMA-B e com uma gestão de duration mais longa ou mais curta para os papéis, a depender da crença dos gestores no mercado.