Edição 225
Os efeitos da crise financeira internacional sobre os negócios já são águas passadas na Claritas. No decorrer de 2009, a gestora promoveu mudanças que renderam bons frutos no ano passado. Não por acaso, a Claritas é a asset independente mais bem colocada do ranking de fundos de institucionais, com o quinto lugar. Dos oito produtos analisados pelo levantamento, sete foram considerados excelentes.
“O ano passado foi muito bom para nós porque algumas áreas em que nós investimos logo depois da crise de 2008 começaram a mostrar resultado. Trouxemos novos times de gestão que criaram novos produtos, como é o caso do Absolute e do Fundo Claritas Institucional. Isso melhorou a nossa parte de análise de mercado como um todo, porque temos o time de renda variável, o time que faz macro, o que faz arbitragem e o que olha volatilidade. Apesar de cada uma ter um objetivo diferente, essas equipes discutem, de forma conjunta, as suas visões sobre o cenário, o que acaba enriquecendo o debate”, explica Carlos Eduardo Ambrósio, sócio da Claritas. Ele acrescenta que, logo depois da crise financeira internacional, a gestora adotou como estratégia centrar esforços de distribuição no mercado local, inclusive no investidor institucional, acreditando que por aqui a recuperação seria mais rápida. A Claritas encerrou 2010 com R$ 2,8 bihões sob gestão. Antes da crise, o volume estava em R$ 2,2 bilhões, sendo que o menor nível atingido durante a turbulência global foi de R$ 1,6 bilhão. “Tínhamos como investidores alguns fundos de fundos estrangeiros que aplicavam em Brasil. Na crise, eles sofreram muito com resgates e nós acabamos provendo liquidez para que eles pudessem atender a essas retiradas”, recorda Ambrósio.
Mário Issa, sócio da Claritas responsável por distribuição, completa que a gestora trouxe uma pessoa para focar no atendimento ao investidor institucional – Marcos Chiquito –, uma vez que antes a asset não tinha alguém 100% dedicado a isso. Há dois anos, a gestora tinha fundações como clientes em um Fundo de Investimento em Participações (FIPs), e os demais produtos se enquadravam no limite de 3% dos recursos dos fundos de pensão segundo a legislação vigente na época. De meados de 2009 para a frente, houve duas mudanças: a asset lançou seu fundo institucional, totalmente aderente às regras das entidades, e uma nova legislação aumentou para 10% o limite de aplicações em multimercados com alavancagem. “Hoje, temos R$ 400 milhões de fundos de pensão, e a perspectiva é de crescimento”, sinaliza Issa. Ambrósio completa que o estrangeiro deve voltar a fazer parte de um trabalho ativo da gestora, que não abandonará o aplicador local por conta disso.
Produtos – Um dos grandes acertos do Claritas Institucional foi saber a hora de entrar e de sair de bolsa no ano passado. “Também ficamos fora de prefixados, e principalmente o último trimestre foi um período em que a taxa de juros abriu bastante. Contamos com uma análise macro muito forte, e nesse fundo conseguimos não só ter um call macro acertado mas também um bom market timing. Isso, aliado ao processo de análise bottom-up de ações ajudou bastante”, diz Fabiano Guido Rios, gestor dos fundos Institucional e Absolute, ambos com o selo verde.
O Volatilidade, por sua vez, opera com opções de renda variável, principalmente Petrobras, Vale e Índice Bovespa. “No ano passado também usamos opções de outros ativos, como alguns bancos e siderúrgicas, mas o grande ganho mesmo veio de operações com Petrobras e Vale”, diz Emerson Sanchez, gestor responsável pelo fundo.
Ele acrescenta que o produto não é direcional e seu objetivo é dar “CDI mais um alpha moderado, de 2% ou 3% ao ano”. “O fundo tem dez anos sem nenhum mês negativo”, completa Sanchez.
No que se refere a renda variável, a visão era de que 2010 seria um ano difícil para os large caps, o que levou a gestora a ficar underweight em Petrobras. O foco, então, ficou com empresas locais. “Nós já víamos a economia crescendo a 7% e uma série de setores avançando entre 15% e 20% com valuation interessante. Nossa estratégia foi buscar empresas que tivessem alto crescimento econômico com pouca exposição a taxa de juros, por conta do processo de alta da Selic”, explica Helder Rodrigues da Cunha Soares, sócio da Claritas responsável por renda variável. Ele detalha que os fundos tomaram posições, por exemplo, nos segmentos de concessão rodoviária, varejo de confecção, locação de automóveis, companhias aéreas e seguradoras de veículos.
Depois da precificação da Petrobras (com a capitalização promovida na empresa), a Claritas voltou a ficar mais otimista com esse papel. “Entre setembro e outubro, o crescimento mundial já vinha melhorando e nós passamos a ficar mais animados com as ações cíclicas. Adotamos uma posição overweight principalmente em Petrobras e Vale, além de em produtores de açúcar e etanol”, afirma Soares. Por outro lado, alguns papéis ligados à economia doméstica deixaram de fazer parte do portfólio, por conta de uma subida no preço. “Varejo, por exemplo, não continua na nossa carteira por questão de valuation”, cita o executivo. E isso vale para 2011: a carteira da Claritas está mais balanceada, com algumas ações ligadas ao mercado doméstico e também commodities. “É um ano melhor que 2010 para a Bolsa como um todo. No ano passado o crescimento de lucro foi acima de 40% e a Bolsa ficou parada. Para 2011, vemos um crescimento de lucro de 20%, e se a Bolsa ficar parada de novo ela vai se tornar muito barata. Achamos que o cenário internacional teria de ser muito adverso para a Bolsa não acabar subindo seus 20% ou 25%”, estima Soares.