Conservadorismo garante bons resultados do Safra | Asset conquist...

Edição 220

 

Ao contrário do que se esperava ao fim do ano passado, quando se imaginava um 2010 sem grandes sobressaltos, o primeiro semestre foi marcado por uma grande volatilidade que repercutiu nos fundos de renda fixa. O principal impacto veio da inflação, que teve alta acima do estimado no primeiro trimestre. Além disso, a expectativa inicial era de uma intervenção do Comitê de Política Monetária (Copom) já em março, mas o aumento da taxa básica de juros acabou vindo apenas na reunião seguinte, em abril.
Graças a um posicionamento adequado para acompanhar esse movimento de alta na inflação aliado a um conservadorismo nas aplicações, o Banco Safra BSI emplacou seis fundos de renda fixa entre os classificados como excelentes, o que o coloca como líder nesse segmento no período de julho de 2009 a 30 de junho deste ano. Para o superintendente executivo da gestora, Márcio Appel, a opção por papéis atrelados a inflação foi o principal diferencial nesses doze meses. “Acreditávamos que a inflação viria mais robusta, sem que a autoridade monetária fizesse uma intervenção logo no início do ano”, afirma. Ainda no ano passado, durante o segundo semestre, a asset fez dos títulos públicos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as NTN-Bs, sua principal aposta, antevendo esse movimento. “Em vez de apostarmos nos pré-fixados, buscamos os pós, uma vez que a Selic deveria começar a subir, para fazer frente à inflação”, diz Appel. Neste ano, a taxa Selic passou por um período de alta e está estabilizada em 10,75% ao ano desde julho.
A segunda metade de 2009 foi marcada pela recuperação após um início do ano ainda bastante afetado pela crise. Apesar de ver uma melhora no cenário geral, o governo ainda mantinha os diversos incentivos dados durante a fase aguda da turbulência internacional, inclusive com a manutenção da taxa de juros básica em um dígito, em 8,5% ao ano na época.

Crédito – Em relação às aplicações em crédito privado, a posição da gestora foi conservadora. O Safra não fez grandes apostas em debêntures e manteve estoque de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) adquiridos durante a crise. “Algumas carteiras também carregavam DPGEs [Depósitos a Prazo com Garantia Especial] e esse investimento foi mantido”, informa Appel. Segundo ele, a gestora administrou esses ativos, trocando papéis que tinham 2010 como ano de vencimento por outros com prazos de 2011. “Fazemos uma análise fundamentalista, sem apostas de curto prazo para se beneficiar de um determinado momento. Preferimos sempre apostar em títulos mais longos”, aponta o executivo.
Com essa proposta, o Safra, que não possuía nenhum fundo de renda fixa listado como excelente no levantamento referente ao período entre julho de 2008 e 30 de junho de 2009, e apenas um na classificação amarela, mostrou evolução ao fim do ano passado, com dois fundos com a classificação verde e cinco na amarela. Já neste mais recente levantamento, foram seis fundos classificados como excelentes, que são: Safra Soberano Regime Próprio FIC FI Referenciado DI, Safra Institucional DI Crédito Privado FIC FI RF, Safra Soberano Institucional FIC FI REF, Safra Executive FI Renda Fixa, Safra Soberano DI FI Referenciado e Safra Max DI FIC FI REF Crédito Privado.
Para 2011, a estratégia deverá ser mantida. “Será mais seguro manter a posição que temos hoje e continuar com uma estratégia similar. Devemos prosseguir com os papéis atrelados à inflação, que deverá ser maior que a esperada pelo mercado”, avalia o executivo. Além disso, Appel pretende evitar papéis de crédito que sejam mais difíceis de acompanhar, como o Certificado de Crédito Bancário (CCB), por exemplo. Atualmente, a marcação a mercado de títulos de crédito privado é feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) que, além dos índices IMA para acompanhamento de títulos públicos, desenvolve metodologia para acompanhamento de preço de debêntures.