Prós e contras de manter títulos longos em carteira | Papéis long...

Edição 130

O ABN AMRO teve cinco fundos classificados como excelentes, dos quais três de renda fixa (Profit Premium, Profit Private e DAM RF Plus), um de renda variável (DAM FIA) e um de PGBL (Realprev Plus). É um salto em relação ao ranking anterior de Investidor Institucional, com avaliação de 12 meses até 15 de agosto, no qual o ABN tinha marcado apenas um fundo excelente, o Realprev Plus. “Naquele período de julho/agosto do ano passado, sofremos muito com a marcação a mercado”, reconhece o coordenador da área de renda fixa, Eduardo Castro.
De acordo com ele, passada a eleição e eleito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os papéis mais longos que o ABN mantinha em carteira voltaram a se recuperar e trouxeram uma boa rentabilidade aos fundos. “O cenário que trabalhávamos, de não ruptura, foi o que efetivamente ocorreu”, diz Castro. “Passada a eleição, o stress começou a cair”.
Na família Profit, a estratégia é de concentrar em títulos públicos federais, evitando o risco de crédito. Já na família Plus, que tem até 49% de renda variável, na parte de renda fixa a estratégia é similar ao Profit e na parte de renda variável a estratégia é de ir alterando os percentuais de acordo com os cenários. Ao final do ano passado, o Plus estava em seu limite de percentual de renda variável, conta Castro.
Segundo ele, as definições do governo Lula no sentido de manter a austeridade fiscal, criar uma lei de responsabilidade monetária e gerar superávit primário talvez até acima de 3,45% são sinalizações bastante positivas. Isso deve permitir uma redução das taxas de juros mais à frente. “Ainda vamos trabalhar com os juros nos patamares atuais até a metade do ano, mas acreditamos que a partir do final deste semestre já começa a se delinear uma tendência de queda”, diz Castro.
Para o coordenador de renda variável do ABN AMRO, Luiz Ribeiro, além dessas sinalizações positivas o governo Lula vai precisar fazer avançar as reformas prometidas, entre as quais a principal é a da previdência, para continuar a receber a confiança do mercado. “A fase da campanha acabou, agora depende de fatos”, diz.
Ele conta que a estratégia do DAM FIA, que veio do Dresdner em maio, foi de usar bastante o timing de mercado, aproveitando as oportunidades. “Esse fundo não é tão fundamentalista quanto as demais carteiras”, explica Ribeiro.
Ele acha que ainda existem boas oportunidades nas empresas de telecomunicações e bancos, dois setores que foram estigmatizados no ano passado mas podem voltar neste ano. Além disso, também as elétricas podem voltar, embora ainda faltem algumas definições no setor. “Ficou claro, nos últimos meses, que esse governo não pensa em quebrar contratos”.
Os riscos a um cenário positivo na área de renda variável seriam dois: o primeiro seria interno, se o governo não conseguir fazer avançar as reformas prometidas; o segundo seria externo, se ocorrer uma guerra contra o Iraque e essa for longa e sangrenta, barrando qualquer processo de recuperação da economia mundial.