Mercado vai superar bancos em crédito corporativo, diz Leto

Os recursos vindos do mercado de capitais superaram os empréstimos bancários no financiamento corporativo brasileiro no final de 2025, num movimento que começou a ganhar fôlego a partir de 2021. Se o ritmo de crescimento observado nesses últimos anos for mantido, o saldo de crédito via mercado de capitais deverá ser multiplicado por 2 a 3 vezes em 5 anos. Isso levará a relação das duas modalidades de crédito – bancos e mercado – na matriz de financiamento corporativo da relação atual “1 para 1” para “2 para 1”, a favor do mercado.

A estimativa foi feita por Alexandre Muller, sócio e CIO da Leto Capital, durante o Credit Day, evento para clientes da empresa realizado no dia 1º de julho em São Paulo.

“A transformação no mercado de crédito corporativo aconteceu nos EUA a partir de 2008, depois que a crise do subprime levou ao aumento dos requerimentos de capital para bancos. Isso fez com que as assets ganhassem competitividade, escala e a capacidade de oferecer soluções customizadas para a economia real”, disse Muller. Nos EUA, essa mudança na matriz de financiamento corporativo já se consolidou e está em “4 para 1”, a favor do mercado. “Acreditamos que o Brasi seguirá por um caminho parecido. Nós temos o hábito de acompanhar o que acontece lá fora e antecipar as tendências para o mercado brasileiro”, disse Muller.

Esse foi o primeiro Credit Day sob a nova marca, Leto, novo nome da JGP Gestão de Crédito. Liderada por Muller desde sua criação há 14 anos, a empresa passou por um rebranding que marca uma nova fase, preservando a gestão dos fundos, as estratégias de investimento e o atendimento aos clientes. No evento, Muller também anunciou novos planos e verticais de negócio.

A Leto anunciou a chegada de dois novos sócios: Pedro Guedes, ex Vinci Compass, que estará à frente da recém-criada plataforma de infraestrutura com foco em private equity, e Fernanda Crivelenti, ex Icap, Santander e SL Tools, que comandará a vertical de produtos indexados e ETFs, que a Leto deverá lançar ainda este ano.

Segundo Muller, a Leto Capital também reorganizou sua grade de produtos para tornar mais clara ao investidor a origem do alfa em cada estratégia.

A família “Classic” reúne os produtos tradicionais, ancorados na gestão ativa e discricionária. Os produtos “Alts” agrupam os fundos que buscam o alfa alternativo, que depende menos do gestor e mais da capacidade que a companhia tem hoje de acessar teses e originar crédito. A família “Beta” vai reunir os indexados e ETFs, que têm gestão passiva.

Os produtos da Leto seguem várias estratégias – infraestrutura, agronegócio, offshore, special situations, high grade e high yield – mas Muller deu grande destaque ao potencial de expansão da categoria “securitização”.

Com o crescimento dos FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) desde a pandemia, essa indústria no Brasil já se aproxima do trilhão – de novo, esse mesmo movimento já aconteceu nos EUA.  “O FIDC tem a capacidade de retirar do balanço das empresas ativos que podem ser securitizados. A demanda dos fundos de pensão por FIDCs tem crescido, em linha com a busca das fundações por maior flexibilidade na alocação e por alternativas de crédito estruturado compatíveis com seus mandatos de investimento. A Leto está se aproximando de R$ 2 bilhões em FIDCs ou cerca de 10% do AuM.

Muller também anunciou no Credit Day a criação da Leto Academy, projeto que deverá ser lançado em breve e ao qual tem dedicado especial atenção. “A ambição é criar o maior projeto de educação financeira para crédito privado do Brasil”, disse.