Edição 276
Apesar das dificuldades, a ATS Brasil (Americas Trading System) não desistiu de montar uma segunda bolsa de valores no Brasil para concorrer com a BM&FBovespa. A empresa deu entrada com pedido de constituição da nova bolsa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em meados de 2013 e até o momento não conseguiu a aprovação do órgão regulador. O principal problema foi a falta de uma clearing, uma câmara de compensação e liquidação, para operacionalizar a nova bolsa. Depois de analisar as alternativas, a ATS decidiu abrir uma clearing própria.
“Estamos em conversação com o Banco Central para a abertura de uma clearing própria. Já temos também um parceiro de tecnologia para a nova clearing”, diz Alan Gandelman, presidente da ATS Brasil, sem ainda revelar o nome do parceiro. A outra opção, que era a utilização da clearing da própria BM&FBovespa, foi descartada pela empresa.
O executivo explica que, diferente do processo para a criação da nova bolsa junto à CVM, a abertura da clearing não exige um pedido de autorização formal. “É uma série de conversas com o Banco Central. Estamos aguardando agora alguns protocolos para conseguir o sinal verde para a clearing”, explica Gandelman. Com a abertura da clearing, a empresa espera obter todas as autorizações para o funcionamento da nova bolsa durante o ano de 2016.
Com isso, ele prevê que será possível iniciar a fase de testes para a nova bolsa de valores no próximo ano, com vistas a colocar a bolsa em funcionamento pleno em 2017. A ATS é uma joint venture da ATG (Americas Trading Group) com a Nyse Euronext, que é o sócio minoritário do negócio, que está entrando com a tecnologia para a nova bolsa. O sistema disponibilizado pela Nyse Euronext para o projeto da nova bolsa é o Universal Trading Platform (UTP), que é uma plataforma de negociação usada pelas bolsas do grupo no mundo.
México – O presidente da ATS traça um paralelo entre o mercado de ações no Brasil e no México. O mercado mexicano já conta com um pedido de abertura de uma segunda bolsa de valores a exemplo do que ocorre no Brasil.
A mexicana Cencor (Central de Corretajes) solicitou ao Ministério das Finanças do México autorização para começar a operar uma nova bolsa de valores na cidade do México. A nova bolsa adotará o nome de Bolsa Institucional de Valores (Biva). Para o chairman da Cencor, Santiago Urquiza, “essa iniciativa segue em linha com a reforma financeira recentemente aprovada pelo governo mexicano”.
Urquiza acredita que a Biva propiciará ao mercado financeiro mexicano inovações tecnológicas, aumento da liquidez, menores custos de operação, alternativas de trading e atração de novos IPOs. “Nós acreditamos que os investidores e participantes do mercado darão boas vindas a essa iniciativa e festejarão os benefícios que ela trará. Temos trabalhado por três anos no desenvolvimento desse projeto e hoje estamos fazendo a solicitação de autorização para operar às autoridades”, comentou Urquiza através de release distribuído ao mercado mexicano.
Alan Gandelman, explica que o objetivo da criação da segunda bolsa no Brasil é praticamente o mesmo do novo projeto mexicano. “O maior problema tanto no mercado mexicano quanto no brasileiro é o monopólio, a falta de competição. O surgimento de uma segunda bolsa irá gerar maior eficiência, tecnologia e redução de custos”, diz Gandelman. “Como existe uma situação de monopólio, a BM&FBovespa praticamente pode cobrar o quanto quiser”, diz Gandelman.
O executivo diz o projeto da nova bolsa no Brasil, além da redução de custos, deve gerar também aumento da liquidez dos ativos e, consequentemente, o incentivo ao maior número de IPOs (abertura de capital). Gandelman cita ainda o exemplo do mercado australiano que aprovou a abertura de uma nova bolsa em 2011, gerando até o momento, redução média de 50% nos custos dos negócios do mercado acionário. A nova bolsa na Austrália já detém participação em cerca de 20% do mercado acionário.