A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, marcando o início do ciclo de cortes após quase dois anos, foi bem recebida pelo mercado. Segundo economistas de instituições financeiras e casas de investimento, a cautela do Copom diante das incertezas do cenário global — especialmente com a escalada das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo — se justifica.
Na visão de José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, a decisão foi correta e importante para preservar a credibilidade do Banco Central. Ele ressalta que o nível elevado de juros já foi suficiente para desacelerar a economia, abrindo espaço para o corte, embora as expectativas de inflação ainda permaneçam desancoradas — quadro que pode ser agravado por choques externos, como a alta das commodities energéticas.
Já Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destacou que o comunicado trouxe um tom mais suave do que o esperado, com projeções de inflação relativamente benignas, mesmo diante do ambiente externo mais desafiador. Para ela, isso pode abrir espaço para uma aceleração do ritmo de cortes, com possibilidade de redução de 0,50 ponto já na próxima reunião, dependendo da evolução do cenário internacional.
Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a decisão indica que o Banco Central já vê espaço para uma política menos restritiva, diante de uma economia mais fraca e inflação mais administrável. Ainda assim, ele pondera que o mercado continuará atento à evolução do conflito no Oriente Médio, que pode afetar expectativas de inflação, câmbio e juros futuros.
Para Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, a decisão confirma que o Banco Central optou por iniciar o ciclo mesmo diante das incertezas externas, mas em ritmo conservador. Segundo ele, o Copom deu mais peso à desaceleração da atividade e à melhora marginal da inflação do que ao choque inflacionário potencial vindo do petróleo. A avaliação é de que o ciclo deve seguir com cortes de 0,25 ponto, podendo acelerar para 0,50 ponto caso haja alívio nas tensões geopolíticas e nos preços de energia.
Por fim, Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, avalia que o início do ciclo, mesmo em meio a um choque geopolítico relevante, reforça a credibilidade do Banco Central. Segundo ele, a tendência é de continuidade do processo de flexibilização de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto, embora um cenário externo mais favorável — com menor pressão do petróleo — possa permitir movimentos mais intensos adiante.
Para Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike, o movimento marca o início de uma flexibilização monetária, mas com forte dependência do cenário externo. Ele destaca que o impacto sobre crédito e atividade tende a ser gradual, uma vez que o Copom ainda enfrenta riscos inflacionários relevantes, especialmente ligados à geopolítica e à volatilidade dos preços de energia.
Para Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, o corte inaugura um ciclo de flexibilização em ritmo moderado, refletindo o aumento das incertezas recentes. Ele destaca que a inflação ainda apresenta desafios, com núcleos pressionados e expectativas acima da meta, além do impacto potencial do petróleo em um ambiente global mais instável, o que reforça a necessidade de cautela nos próximos movimentos.