Mercado de capitais cresce 15,5% e soma R$ 236,1 bi até abril

O mercado de capitais movimentou R$ 236,1 bilhões em ofertas no primeiro quadrimestre distribuídos em 918 operações, apresentando um crescimento de 15,5% no volume e de 10,5% na quantidade de emissões em relação ao registrado no mesmo período do ano passado. Considerando apenas o mês de abril, foram movimentados R$ 55,4 bilhões em 227 operações, representando um aumento de 14,0% no volume e de 3,2% na quantidade, informa a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O destaque ficou com os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que chegaram a R$ 36,4 bilhões no quadrimestre, com um aumento de 47,6% na comparação com os primeiros quatro meses de 2025. O resultado foi puxado pelo desempenho de abril (R$ 15,0 bilhões), que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2021.

“Além do crescimento robusto no volume de FIDCs no acumulado do ano, vale ressaltar que o valor médio de R$ 111,2 milhões por operação é o menor entre todos os instrumentos, reforçando seu papel de porta de entrada para muitas empresas no mercado de capitais”, avalia Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.

Notas comerciais – As notas comerciais somaram R$ 13,7 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, com expansão de 46,9% no volume em relação ao mesmo intervalo no ano anterior. Em abril houve o encerramento das duas primeiras ofertas realizadas via Regime Fácil, usufruindo das flexibilizações regulatórias previstas na Resolução CVM 232, totalizando R$ 23 milhões em notas comerciais. “O Regime Fácil deve acelerar esse movimento de entrada de emissores de menor porte no mercado de capitais”, afirma Maranhão.

FIIs e Fiagros – No segmento de títulos híbridos, os FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) mais que dobraram o volume de ofertas no quadrimestre. Os FIIs atingiram R$ 25,9 bilhões, com aumento de 106,5%, e os Fiagros somaram R$ 4,0 bilhões, com crescimento de 128,1%.

Debêntures – Já as debêntures totalizaram R$ 119,7 bilhões no mesmo período, apresentando um recuo de 5,6% frente ao mesmo quadrimestre de 2025, com os recursos sendo destinados principalmente para investimentos em infraestrutura (47,0%) e gestão ordinária (17,2%). O prazo médio dos papeis atingiu 8,2 anos, um pouco abaixo do contabilizado em igual intervalo no ano anterior (8,8 anos).

CRIs e CRAs – As emissões de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) também tiveram redução no comparativo entre os quadrimestres, totalizando, respectivamente, R$ 12,8 bilhões e R$ 3,9 bilhões, com retração de 18,9% e 58,3%.

CPR-Fs  – As CPR-Fs (Cédulas de Produto Rural Financeira), uma alternativa ao CRA dentro do financiamento do agronegócio, registraram R$ 5,9 bilhões em ofertas, mais do que o volume contabilizado em 2025 inteiro (R$ 4,5 bilhões).

Mercado externo – No mercado internacional, as emissões de renda fixa totalizaram US$ 9,8 bilhões em abril, o que levou o acumulado do primeiro quadrimestre a US$ 18,6 bilhões, patamar 42,9% acima do contabilizado em igual intervalo de 2025. A República respondeu por mais da metade do volume (55,5%), seguida por empresas (33,5%) e instituições financeiras (11,0%).