Edição 293
Um número recorde de gestores de recursos avalia que o mercado global de ações está acima de seu preço justo, de acordo com pesquisa do Bank of America Merrill Lynch (BofA). O levantamento mostra que 44% dos 210 gestores ouvidos pelo banco de 2 a 8 de junho, e que tem sob sua responsabilidade aproximadamente US$ 596 bilhões em ativos, entendem que o mercado acionário global está sobrevalorizado, contra os 37% observados na pesquisa anterior de maio.
Na divisão regional, um percentual, também recorde, de 84% dos gestores acredita que o mercado de ações dos Estados Unidos é atualmente o mais caro entre os mais representativos à disposição dos investidores. Na pesquisa anterior esse percentual era de 82%. Por outro lado, 48% dos gestores que responderam ao questionário do BofA em junho, contra 44% em maio, entendem que o mercado acionário nos países emergentes está subvalorizado. Em relação ao mercado bursátil europeu, 18% dos gestores, ante 20% no levantamento anterior, avaliam que as ações estão sendo negociadas no velho continente abaixo de seu valor justo.
A pesquisa de junho do BofA mostra ainda um recuo nas expectativas dos gestores quanto aos indicadores de crescimento e inflação. Apenas 39% dos profissionais do mercado esperam por uma economia mais forte no ano que vem, número bem abaixo dos 62% verificados em janeiro. Sobre a inflação, o levantamento aponta que 60% dos gestores acreditam que os índices de inflação aos consumidores estarão em níveis mais elevados em 2018, contra 75% em abril.
Política monetária – Entre as demais conclusões do estudo de junho do BofA, aparece também que 47% dos especialistas entendem que as políticas monetárias globais estão “muito estimulantes”, maior percentual para o quesito dos últimos seis anos. Além disso, o aperto de crédito que tem sido promovido pelo governo chinês continua sendo avaliado como o maior risco para os mercados globais nos próximos meses, de acordo com 31% dos gestores que participaram do levantamento. Na sequência aparecem no radar dos gestores como possíveis riscos à frente um crash no mercado global de ‘bonds’, apontado por 18% dos participantes da pesquisa, e um eventual atraso nas reformas fiscais corporativas dos Estados Unidos, lembrado por 14% dos especialistas.
Ainda segundo o trabalho realizado pelo BofA junto aos gestores, apenas 7% dos profissionais do mercado financeiro avalia que o dólar está sobrevalorizado, o menor patamar desde as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro do ano passado, e abaixo dos 23% verificados na pesquisa de maio.
O levantamento também mostra que as alocações ‘overweight’ (acima da média praticada pelo mercado) dos gestores no mercado acionário global e japonês caíram para 40% e 1%, respectivamente, contra 45% e 12% em maio. Enquanto isso, no mercado acionário americano, a alocação ‘underweight’ (abaixo da média praticada pelo mercado) dos gestores caiu de 17% em maio para 15% em junho; no mercado de ações do Reino Unido, a alocação ‘underweight’ dos gestores recuou de 27% para 23% no mesmo período de comparação; e nos países emergentes, a alocação ‘overweight’ dos profissionais no mercado de ações subiu de 41% para 42%. Em relação ao mercado de renda variável da Zona do Euro, a alocação ‘overweight’ dos especialistas ficou em 58% em junho, praticamente sem alteração na comparação com os 59% de maio.