Edição 289
A edição 288 da revista Investidor Institucional, que circulou em dezembro/janeiro deste ano, saiu com um erro de edição na tabela “Projeções macroeconômicas para o final de 2017”, que foi publicada com informações truncadas. Esse erro, corrigido ainda no ano passado na versão online e na revista digital, está sendo corrigido agora também na edição impressa com a republicação dessa tabela com os números corretos na página 49. Além da tabela revisada estamos republicando também as outras tabelas que ilustraram a reportagem “Perspectivas 2017”, baseada em projeções feitas pelo mercado para indicadores macroeconômicos e demanda de ativos, embora apenas a primeira tabela contivesse dados truncados.
Na referida reportagem, entrevistamos diversos economistas que analisaram o principal fator do ano passado, que eram a queda da inflação e das taxas de juros. “A boa notícia do final de 2016 é a queda da inflação, que gera maior espaço para a mudança na política monetária”, afirmou o economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena. Ele antecipou o corte de 0,75% pontos percentuais na taxa Selic, na reunião de janeiro. “Atualmente temos um processo crível de redução da Selic, diferentemente do que ocorreru há quatro anos quando houve uma queda forçada, artificial”, analisou Pena.
Para o economista da BNP Paribas Asset, Eduardo Yuki, o ajuste fiscal que o governo conseguiu aprovar no final do ano passado representa um passo importante no rumo da retomada do crescimento econômico. “Estamos prevendo uma recuperação lenta e gradual para a economia, mas o mais importante é que está havendo um processo de retomada lenta e gradual da atividade”, diz. Ele avalia que já a partir do segundo semestre deste ano a economia volte a crescer, devendo apresentar recuperação mais forte a partir de 2018.
Já para o responsável pela gestão da Votorantim Asset, Marco de Callis, a expetativa é de um crescimento do PIB entre 0,5% e 0,8% neste ano. A explicação, segundo ele, é que os efeitos do ajuste econômico impactam fortemente o consumo das famílias e inibem o crescimento, além do desemprego que segue elevado. Diferentemente da média do mercado, que prevê um ritmo mais elevado dos cortes da Selic neste ano, de Callis fixa uma projeção consercadora de 11,50% para o final do ano. “Podem ocorrer turbulências no cenário internacional e, além disso, o dólar mais valorizado pode pressionar a inflação no ano que vem”, analisa.
Demanda aquecida – Apesar das projeções de queda das taxas de juros para este ano, a demanda por títulos públicos deve se manter aquecida neste ano, seja para aproveitar as oportunidades ainda existentes entre os ativos atrelados à inflação ou para se posicionar nos pré-fixados que são os mais beneficiados com a redução da Selic. Para o diretor de renda fixa da Franklin Templeton, Rodrigo Borges, a renda fixa pré-fixada e mesmo as opções ligadas à inflação estiveram um pouco adormecidos entre os investidores institucionais desde o último ciclo de queda dos juros, entre 2012 e 2013. “Devemos ter um ciclo de queda dos juros relativamente longo, e vemos um bom espaço para o BC cortar os juros, em função do cenário de inflação e de atividade. Nesse ambiente os pré-fixados devem ser uma opção interessante”, afirma Borges.
Já o chefe de renda variável da Franklin Templeton, Frederico Sampaio, acredita que ainda há “muita nuvem no horizonte” para 2017. Ele lembra que no início de dezembro de 2016 o mercado passou por uma forte revisão das estimativas para o crescimento do PIB de 2017, que começou com projeções ao redor de 1,5% e terminou apontando algo próximo a zero. “O que eu vejo é pouca convicção, a convicção do mercado nas estimativas ainda é baixa”, aponta o profissional. “A única certeza, no momento, em relação à 2017, é que o BC irá ampliar a magnitude de seu ciclo de corte na taxa de juros”, afirma.
Crédito privado – Para Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos, vida e previdência da Sulamérica, os dois segmentos que mais devem capturar o fluxo dos investimentos em 2017 serão os de crédito privado e de multimercados. “Acreditamos que o mercado de crédito deve retomar em 2017. Já estamos vendo um crescimento no volume de emissões, e na quantidade, e isso deve continuar nos próximos meses pela forte demanda dos investidores, principalmente dos institucionais”, prevê o especialista, que lembra também que as empresas devem ter um apetite maior por emissões em um ambiente com perspectivas mais positivas para a economia no médio e longo prazo. Uma busca maior por ativos de crédito, avalia Mello, também terá como motivador a queda da taxa de juros. “Os investidores devem buscar ativos para compensar a redução da Selic”.
Em relação aos multimercados, o vice-presidente da Sulamérica destaca a vantagem do veículo por sua liberdade de fazer um balanceamento entre a renda fixa e ações, e aumentar ou diminuir o peso nas classes de ativos de acordo com o cenário que se desenha. “São mandatos mais flexíveis que podem operar diversos mercados, e tendem a superar o CDI”, pondera.