Ibovespa sobe com payroll dos EUA; dólar fecha o dia a R$ 5,21

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quinta-feira (2/7) em alta de 0,64%, aos 172.787,62 pontos, impulsionado pela divulgação do payroll dos Estados Unidos, embora tenha perdido força ao longo do pregão em meio às preocupações com o cenário fiscal e político no Brasil. O movimento veio em descompasso parcial com as bolsas de Nova York, onde o Dow Jones subiu 1,14%, o S&P 500 recuou 0,01% e o Nasdaq caiu 0,80%.

O principal gatilho do dia foi o relatório oficial de empregos dos EUA (payroll,) que mostrou a criação de 57 mil vagas em junho, abaixo da mediana de 110 mil esperada pelo mercado, além de revisões para baixo nos números de abril e maio. A leitura inicial favoreceu os ativos de risco, mas o recuo da taxa de desemprego para 4,2%, abaixo da expectativa de 4,3%, levou os investidores a reavaliarem parte do otimismo. Com isso, os rendimentos dos Treasuries inverteram o movimento e passaram a subir, pressionando também a curva de juros futura no Brasil. No pregão, o Ibovespa oscilou entre 171.697,17 pontos na mínima e 174.425,69 pontos na máxima, com giro financeiro de R$ 19,57 bilhões.

No cenário doméstico, os ganhos também foram limitados pelo aumento das incertezas em torno das relações entre Brasil e Estados Unidos. O mercado acompanhou o envio, por Flávio Bolsonaro, de um pedido ao Escritório do Representante Comercial dos EUA para a suspensão imediata da tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, e a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou como inaceitável qualquer tentativa de submeter os interesses brasileiros aos dos Estados Unidos.

Câmbio – No mercado de câmbio, o dólar caiu 0,04%, fechando o dia em R$ 5,21, depois de perder força após a divulgação do payroll, embora fatores domésticos tenham impedido uma valorização maior do real.

Segundo participantes do mercado, o quadro fiscal, as incertezas políticas e o fim do chamado “trade do petróleo” seguiram pesando sobre a moeda brasileira. O dólar ainda chegou a tocar R$ 5,2017 durante o dia, antes de recuar. No exterior, o índice DXY caiu mais de 0,5% e rompeu o nível de 101 pontos, mas a fraqueza global da divisa americana não se traduziu integralmente em alívio para o real.