Ibovespa dispara 7,70% e dólar cai 4,12% após eleições no Brasil

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta segunda-feira (5/10) em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, em reação ao resultado do primeiro turno das eleições e às expectativas em relação à uma suposta austeridade fiscal no caso de Flávio Bolsonaro (PL) se eleger no segundo turno. O resultado do índice brasileiro superou os ganhos de Nova York, onde o Dow Jones subiu 0,18%, o S&P 500 avançou 0,67% e o Nasdaq ganhou 1,05%.

É a primeira vez que o índice ultrapassa os 200 mil pontos, renovando os recordes nominal e real de fechamento. O recorde real considera a inflação e permite comparar o nível da Bolsa em diferentes períodos. Foi a maior valorização diária desde 24 de março de 2020, quando o índice subiu 9,69%.

Investidores associam a candidatura de Bolsonaro à possibilidade de uma política econômica mais liberal e de medidas para reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).

O Ibovespa também atingiu a máxima histórica intradiária de 209.605,70 pontos. No ano, a Bolsa acumula valorização de 28,4%.

O Boletim Focus elevou de 4,99% para 5,01% a projeção para o IPCA, indicador oficial da inflação brasileira, em 2026. A estimativa de crescimento do PIB caiu de 1,86% para 1,85% neste ano, de 1,41% para 1,40% em 2027 e de 1,83% para 1,81% em 2028.

Os bancos lideraram os ganhos. BTG Pactual disparou 22,52%, Bradesco subiu 13,57%, Banco do Brasil avançou 11%, Itaú ganhou 10,37% e Santander teve alta de 2,63%. O índice financeiro da B3 avançou 14,2%.

Petrobras ON subiu 6,68% e Petrobras PN avançou 8,19%, apesar da queda do petróleo. Vale recuou 0,97%, em uma sessão sem a referência do minério de ferro negociado na China devido ao feriado.

O Ibovespa oscilou entre 192.137,63 e 209.605,70 pontos. O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 103,3 bilhões.

Câmbio – O dólar caiu 4,12%, fechando a R$ 5, na maior desvalorização diante do real em oito anos. Pela manhã, a moeda chegou a R$ 4,95, enquanto o real apresentou o melhor desempenho entre as principais moedas líquidas.

O movimento refletiu a expectativa de entrada de recursos no país e a possibilidade de adoção de uma agenda de reformas e ajuste fiscal caso Flávio Bolsonaro confirme a vitória no segundo turno.

No exterior, o dólar avançou. O DXY, índice que mede a moeda americana diante de uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,21% no fim da tarde, aos 102,146 pontos.

Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também registraram alta moderada nos prazos mais longos.