O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quarta-feira (29/4) em queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos, no menor nível desde 30/3, refletindo a aversão ao risco após a decisão do Federal Reserve de manter os juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% ao ano e o tom mais duro da despedida de Jerome Powell. O movimento veio em linha com o exterior, onde o Dow Jones caiu 0,57%, o S&P 500 recuou 0,04% e o Nasdaq subiu 0,04%.
A sexta baixa consecutiva do índice também foi influenciada pelo agravamento das preocupações com o Oriente Médio. Em sua coletiva, Powell destacou o fortalecimento das perspectivas de inflação no curto prazo, pressionadas pela alta do petróleo, enquanto o mercado seguiu monitorando o risco de bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz. Após o fechamento, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, citando o ambiente internacional incerto e a inflação ainda elevada no Brasil.
Entre as blue chips, a Petrobras ajudou a limitar perdas maiores, com altas de 3,16% nas ações ordinárias e de 3,03% nas preferenciais, acompanhando a disparada do petróleo no exterior. Já a Vale, ação de maior peso no índice, tombou 5,87%, enquanto o setor financeiro também teve desempenho negativo, com destaque para a queda de 3,68% de Banco do Brasil ON.
Câmbio – No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,39% no dia, fechando a R$ 5, acompanhando a comunicação mais conservadora do Fed e o aumento das incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A leitura de mercado passou a ser de um ciclo de cortes de juros mais distante nos EUA, o que deu força à moeda americana.
Além disso, o câmbio refletiu a alta de mais de 5% do petróleo e a percepção de que um acordo com o Irã ainda está distante, com expectativa de manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz. No exterior, o índice DXY avançou 0,21%, reforçando o movimento de valorização global do dólar.