O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quarta-feira de Cinzas (18/2) em queda de 0,24%, aos 186.016,31 pontos, refletindo a volatilidade provocada pela divulgação da ata do Federal Reserve e ajustes técnicos em dia de vencimento de opções. O movimento ocorreu em linha com o fortalecimento do dólar no exterior e maior cautela dos investidores globais, embora as bolsas internacionais não tenham registrado oscilações tão expressivas quanto o câmbio.
A ata do Fed, divulgada à tarde, indicou que vários dirigentes consideram possível iniciar cortes de juros caso a inflação converja para a meta de 2% ao ano, mas ponderaram que esse processo pode ser lento. O documento também mostrou que não há percepção de deterioração relevante no mercado de trabalho, reduzindo a urgência para flexibilização monetária. No cenário brasileiro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Pleno, instituição que já enfrentava dificuldades de captação e de cumprimento de compromissos, fato que contribuiu para o ambiente de cautela. Profissionais do mercado também relataram indícios de saída de capital estrangeiro da Bolsa, com parte dos recursos migrando para a renda fixa, aproveitando o patamar elevado dos juros domésticos.
Entre as blue-chips, a Vale recuou 3,57% e foi o principal vetor de pressão sobre o índice, em sessão marcada pela ausência do mercado chinês — fechado até o dia 24 pelo Ano-Novo Lunar — o que reduziu referências para o minério de ferro. Em Cingapura, a commodity caiu 0,25%. As ações da Petrobras avançaram, com alta de 1,11% na ON e 0,81% na PN, beneficiadas pela valorização superior a 4% do petróleo no mercado internacional, mas o movimento não foi suficiente para neutralizar a queda da mineradora. No setor bancário, o desempenho foi misto: Bradesco caiu 0,61% na ON e 0,29% na PN, enquanto Santander Brasil (Unit) subiu 1,86%.
No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,20% no dia, fechando a R$ 5,24, em sessão de liquidez reduzida após o Carnaval, o que deixou a taxa mais sensível a operações pontuais. Ao longo da tarde, a moeda ganhou força acompanhando o movimento externo, após a ata do Fed reforçar a percepção de que o banco central americano deve agir com cautela antes de iniciar cortes de juros. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou cerca de 0,60%, pressionando moedas emergentes e de países exportadores de commodities.