
Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (27/4), mantendo o IPCA como principal foco de deterioração das expectativas. Para 2026, a mediana subiu de 4,80% para 4,86%, numa alta relevante depois de já ter avançado de 4,31% há quatro semanas. Para 2027 e 2028, as estimativas também foram revistas para cima, ainda que de forma marginal, de 3,99% para 4,00% e de 3,60% para 3,61%, respectivamente.
O movimento reforça que a inflação segue pressionando o horizonte mais relevante para a política monetária. No caso de 2026, a nova alta chama atenção pelo tamanho e pela sequência de revisões para cima. Já em 2027 e 2028, embora o ajuste tenha sido pequeno, ele mostra que a piora das expectativas continua se espalhando pelos anos seguintes. No horizonte mais longo, o quadro permaneceu mais comportado, com o IPCA de 2029 estável em 3,50%.
Depois das altas recentes, a Selic voltou a mostrar estabilidade nas projeções do mercado. A estimativa para o fim de 2026 foi mantida em 13,00%, mesmo patamar da semana passada, e a de 2027 permaneceu em 11,00%. Para 2028, a mediana seguiu em 10,00%. A interrupção das revisões para cima sugere uma acomodação temporária nas apostas para os juros, ainda que em nível elevado.
No câmbio, o Focus voltou a apontar queda do dólar para 2026, com a projeção recuando de R$ 5,30 para R$ 5,25. Para 2027 e 2028, as estimativas ficaram estáveis em R$ 5,35 e R$ 5,40, respectivamente. Já para 2029, a mediana caiu para R$ 5,41.
As previsões para a atividade econômica tiveram pouca mudança. A projeção para o PIB de 2026 recuou de 1,86% para 1,85%, enquanto a de 2027 foi mantida em 1,80%. Para 2028 e 2029, as estimativas continuaram em 2,00%.
Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Boletim Focus reúne as medianas das projeções de cerca de 170 instituições financeiras e consultorias para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico no ano corrente e nos anos seguintes.
