A abertura dos mercados nesta segunda-feira (23/3) deve ser marcada por cautela, em um ambiente dominado pelo choque de petróleo e pela escalada das tensões no Oriente Médio — fatores que, na avaliação de estrategistas internacionais, ainda não estão plenamente refletidos nos preços dos ativos.
De acordo com análise publicada pela Reuters, o principal vetor de risco neste início de semana é a disparada dos preços de energia, com o Brent operando acima de US$ 110 e acumulando alta expressiva no mês. O movimento reflete o temor de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de abastecimento.
A leitura de casas globais é de que o mercado ainda pode estar subestimando os efeitos de um choque energético mais duradouro. Relatório do JPMorgan Chase aponta que os investidores demonstram complacência ao assumir que o conflito será de curta duração, apesar da forte alta do petróleo. Historicamente, episódios semelhantes tiveram impacto relevante sobre crescimento e inflação, frequentemente associados a desacelerações econômicas mais amplas.
Analistas destacam o risco de um cenário de “stagflation”, combinando inflação elevada com crescimento mais fraco. Eles observam que muitos investidores têm reduzido exposição a ações e migrado para posições mais defensivas, em um movimento que tende a pressionar os mercados na abertura da semana.
Outro ponto central da análise é que o choque atual ainda está em fase inicial de precificação. As análises apontam que o choque de petróleo “pode se prolongar por semanas ou meses”, lembrando crises anteriores de choque de petróleo se desenvolveram de forma gradual, à medida que os impactos sobre oferta e demanda se tornavam mais claros.
Nesse cenário, a expectativa predominante é de uma abertura mais defensiva nos mercados globais, com maior volatilidade e sensibilidade a notícias geopolíticas. Para emergentes como o Brasil, o movimento deve ser guiado principalmente pelo exterior, com o petróleo e o comportamento do dólar no centro das atenções.