Busca de maior liquidez para pagar benefícios | Previ vende CPFL ...

Edição 286

 

Alinhada com a política de investimentos que indica a redução da carteira de renda variável, sobretudo nas participações no controle de empresas, a Previ do Banco do Brasil vendeu sua parcela na CPFL. A oportunidade surgiu a partir da oferta de compra da participação da Camargo Corrêa, de 23,6% do controle da empresa, pela chinesa State Grid, anunciada no início de setembro ao valor de R$ 25 por ação. O fundo de pensão avaliou positivamente a oferta e decidiu vender sua participação de 29,4% no bloco de controle da CPFL Energia e CPFL Renováveis.
Segundo o fundo de pensão, a venda representará um ingresso de cerca de R$ 7,5 bilhões em seu caixa, com avaliação de ganho em relação ao valor de mercado da CPFL em 2015. Poucos dias antes da decisão, o diretor de investimentos da Previ, Marcus Moreira de Almeida disse que o preço oferecido pela State Grid que já tem um prêmio do valor que estava em Bolsa no momento do anúncio da oferta. “Já tem um prêmio razoável ao que estava precificado no mercado que é a expectativa de preço dos agentes”, diz.
A decisão foi incentivada devido à necessidade de dar maior liquidez para a carteira de investimentos do Plano 1 da Previ, que possui alto compromisso com pagamentos mensais de benefícios. São aproximadamente R$ 800 milhões desembolsados todos os meses para o pagamento de pensões e aposentadorias complementares. “A prioridade da Previ é deixar as posições mais líquidas possíveis. Por isso estamos avaliando positivamente a venda da participação em CPFL”, apontou o diretor de investimentos.
A política de investimentos da Previ, que considera um horizonte de até sete anos, tem como uma das principais diretrizes, a maior liquidez para o Plano 1. Por isso, a prioridade é reduzir o tamanho da carteira de renda variável, seja das ações de mercado quanto de participações no controle. “Nossa política irá prever certamente uma continuidade do processo que já estamos fazendo de diminuição gradual do peso da renda variável do Plano 1. Esse é um movimento irreversível dada a maturidade do plano e da necessidade de reduzir gradualmente o risco”, diz Almeida.
A decisão de venda da participação na CPFL pela Previ foi acompanhada por outros fundos de pensão. A Petros aprovou a venda de sua participação de 22,78% no fundo Energia São Paulo FIA, que integra a estrutura societária da CPFL. O controle se dá por meio da holding Bonaire, que também conta com Sistel, Sabesprev e Funcesp. A participação direta da Petros na CPFL é de 3,39%.
De acordo com a fundação, a aprovação da venda acompanhou voto favorável dos demais cotistas do fundo, que também optaram pela venda conjunta das ações. Com a venda, a Petros ganhará R$ 675 milhões em seu caixa.

Resultados – Os planos da Previ encerraram agosto com rentabilidade acumulada acima da meta atuarial. O Plano 1, de benefício definido (BD), registrou 12,64% de rentabilidade, enquanto o Previ Futuro, de contribuição definida (CD), ficou em 18,13%, ambos contra uma meta de 9,60% (INPC + 5%).
O segmento de renda variável apresentou melhor desempenho nas carteiras dos dois planos, gerando 15,72% de retorno ao Plano 1 e 31,74% ao Previ Futuro. Segundo a fundação, Banco do Brasil e Petrobras foram os destaques da carteira do Plano 1, com valorização em torno de 10% para cada papel só em agosto.
Renda fixa obteve 11,96% e 14,22% de rentabilidade, respectivamente, na carteira dos planos, enquanto imobiliários ficou em 4,55% no Plano 1 e 4,68% no Previ Futuro.
O resultados positivo em 2016 deve melhorar ainda mais até o final do ano. A previsão é reforçada pelo otimismo com a reavaliação das participações da Previ em três ativos com forte peso em sua carteira: a Vale, Neoenergia e Invepar. Os três ativos são responsáveis sozinhos por metade da carteira de renda variável do Plano 1. Como a bolsa tem performado positivamente, a avaliação das participações, que é feita uma vez ao ano, deve conferir uma forte valorização dos ativos. Com isso, a Previ espera reverter o déficit registrado em 2015 e a necessidade de equacionamento do valor de R$ 2,9 bilhões.
“Estamos trabalhando com a perspectiva de eliminar a necessidade de equacionamento do déficit no próximo ano devido ao resultado da reavaliação de nossas principais participações em empresas”, diz Almeida. O diretor explica ainda que o resultado do plano Previ Futuro é mais positivo até o momento porque a maior parte da carteira é de renda fixa, com sistema de marcação a mercado. O retorno médio do Previ Futuro está quase 9% acima da meta até agosto.