A Aon plc, empresa global de serviços profissionais, divulgou nesta quinta-feira (6/8) o relatório do primeiro semestre de fusões e aquisições na América Latina. O relatório, elaborado em colaboração com a TTR Data e a Datasite, destaca o Brasil como líder na região ao registrar 593 operações entre janeiro e junho de 2026, com uma movimentação de US$ 32,557 bilhões. Embora o volume de transações tenha recuado cerca de 35% em relação ao mesmo período de 2025, o valor movimentado aumentou 15%.
Fusões e Aquisições (M&A) figura no topo, com 297 transações que movimentaram US$ 20,333 bilhões. Na sequência, o segmento de Aquisição de Ativos (Asset Acquisition) com 151 operações e um valor de US$ 4,424 bilhões. Já o setor de Capital de Risco (Venture Capital) contabilizou 106 transações com um volume financeiro de US$ 1,272 bilhão, enquanto as operações de Participações em Empresas (Private Equity) responderam por 41 transações, com valor agregado de US$ 6,528 bilhões no período.
O relatório evidencia o interesse dos investidores por ativos estratégicos de alta qualidade, com o setor de tecnologia (software e serviços de TI) ainda sendo o que mais gera negócios, com 104 transações. A seguir vêm os setores imobiliário, com 98 transações, serviços profissionais, com 37, e bancos e investimentos, com 31.
“O desempenho do primeiro semestre indica um mercado brasileiro mais seletivo, porém concentrado em operações de maior porte, o que contribuiu para o aumento do capital mobilizado mesmo diante da redução no número de transações. Esse movimento demonstra que investidores continuam priorizando ativos estratégicos e negócios capazes de gerar valor no médio e longo prazo. Embora o Brasil continue sendo um mercado prioritário, os compradores internacionais seguem com cautela dado o cenário de eleições, uma vez que esse ambiente de maior incerteza tende a afetar o apetite por riscos no curto prazo, especialmente em transações mais sensíveis”, afirma André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions para o Brasil na Aon.
Marcaram o período transações como a aquisição da mineradora Serra Verde pela companhia USA Rare Earth, por US$ 2,75 bilhões, e a compra da FS Bioenergia (biocombustíveis) pela Amaggi, por cerca de US$ 1 bilhão. Ambas as operações evidenciam a forte atratividade de ativos ligados à transição energética e à sustentabilidade no Brasil.
América Latina – A América Latina registrou no primeiro semestre deste ano recuos de cerca de 30% no volume de transações (1.062) e de cerca de 6% no valor total agregado (US$ 49,107 bilhões), comparados ao mesmo período de 2025.
Chile aparece na segunda posição no ranking regional, logo após o Brasil, com 163 transações, uma queda de 13% em relação ao primeiro semestre de 2025. O país também registrou retração de 13% no valor agregado, que totalizou US$ 3,595 bilhões.
A Argentina ocupa o terceiro lugar, com 129 operações e movimentação de US$ 4,672 bilhões (diminuição de 5% em operações e aumento de 38% em capital mobilizado), enquanto o México aparece na sequência, com 118 transações, redução de 19% no volume de operações, mas crescimento de 21% no valor agregado (US$ 10,911 bilhões).
A Colômbia registrou 91 transações, uma diminuição de 29%, enquanto o capital mobilizado aumentou 50% (US$ 7,230 bilhões). Por fim, no Peru, foram realizadas 58 operações, com redução de 21% frente ao primeiro semestre de 2025, acompanhada por um expressivo crescimento de 313% no valor agregado, que atingiu US$ 4,337 bilhões.
As empresas que mais realizaram transações estratégicas na América Latina são originárias da América do Norte (163), Europa (143) e Ásia (37).