Aversão ao risco derruba Ibovespa e dólar

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta segunda-feira (23/2) em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, refletindo a reação negativa dos mercados ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevação das tarifas globais de 10% para 15%. A medida, divulgada no fim de semana após a Suprema Corte derrubar o chamado “tarifaço”, elevou a aversão ao risco no cenário internacional, com as bolsas de Nova York recuando mais de 1% no dia.

Apesar da queda, o índice brasileiro chegou a renovar a máxima histórica intradiária, aos 191.002,54 pontos, e ainda acumula alta de 4,13% em fevereiro e de 17,21% no ano.

Entre as blue-chips locais, o desempenho positivo de ações de peso não foi suficiente para sustentar o índice. A Vale avançou 0,67%, enquanto a Petrobras subiu 1,95% nas ordinárias (ON) e 1,63% nas preferenciais (PN), acompanhando a alta do petróleo e notícias sobre acordo envolvendo hub de minério na Índia. O setor financeiro, porém, registrou perdas expressivas: Itaú caiu 3,62%, Santander Brasil recuou 5,69% — na mínima do dia — e Bradesco fechou em baixa de 1,92% nas ON e 2,44% nas PN.

No mercado de câmbio, o dólar caiu 0,14% no dia, fechando a R$ 5,17, o menor valor desde maio de 2024. A moeda americana perdeu força mesmo após o anúncio das tarifas, diante da leitura de que a nova configuração da política comercial dos EUA pode favorecer o Brasil, reduzindo pressões sobre exportadores que antes enfrentavam alíquotas mais elevadas. O índice DXY recuou cerca de 0,10%, ao redor de 97,700 pontos, refletindo a fraqueza global do dólar. Em fevereiro, a divisa acumula queda de 1,51% e, no ano, recua 5,84% frente ao real, que apresenta o melhor desempenho entre as moedas latino-americanas.