Anbima cria índice para medir o uso de IA entre empresas do setor

inteligencia artificial

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) criou o primeiro Índice de Maturidade em IA voltado ao mercado de capitais brasileiro. O índice baseia-se em pesquisa realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha, que mostra que 92% das empresas do mercado de capitais brasileiro utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações.

Foram entrevistadas 177 instituições associadas ou adentes aos códigos de regulação da Anbima, resultando num índice médio de 2,7, numa escala de 1 a 5, destinado a medir o uso da IA entre as empresas do setor.

“O índice mostra um mercado em transição entre a experimentação e a escala. A IA já está presente na rotina das instituições, mas ainda há espaço para evoluir na consolidação de processos, governança e geração de valor de forma estruturada e sustentável”, afirma Marcelo Billi, superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação da Anbima.

Entre as empresas entrevistadas, 59% afirmam que a relevância da inteligência artificial cresceu significativamente nos últimos 12 meses, enquanto 63% acreditam que sua importância continuará aumentando no próximo ano. Nenhuma das instituições participantes prevê perda de relevância da tecnologia no horizonte avaliado, reforçando a percepção de que a IA ocupará um papel cada vez mais central nas estratégias de negócios.

Os benefícios já percebidos também ajudam a explicar esse movimento. Entre as empresas que utilizam IA, 80% apontam aumento de produtividade, 75% destacam a automação de tarefas e 57% relatam apoio à tomada de decisão e redução de riscos ou erros. As aplicações mais difundidas estão ligadas à ciência de dados (72%) e aos modelos generativos (67%), seguidas por machine learning (48%) e processamento de linguagem natural (36%).

Segundo o levantamento, a IA está presente em atividades como análise de dados, automação de processos, produtividade, gestão de riscos e suporte à tomada de decisão. Além de mapear sua adoção, o estudo buscou identificar o nível de maturidade do setor nessa jornada.

Utilização e maturidade – A pesquisa mostra que adoção não significa necessariamente maturidade. Enquanto 48% das empresas afirmam utilizar IA em áreas-chave com ganhos de eficiência e melhoria de processos, apenas 11% já integram a tecnologia a processos críticos de negócio e somente 3% relatam uma vantagem competitiva clara decorrente de seu uso. Os dados sugerem que o desafio do mercado já não está em acessar ou implementar a tecnologia, mas em transformá-la em uma competência estratégica integrada ao negócio.

Essa transição explica por que governança e mensuração aparecem como alguns dos principais desafios da jornada. Menos de um terço das instituições informa possuir estruturas de governança de dados classificadas como estruturadas ou avançadas, enquanto apenas 12% se posicionam em estágios consolidados ou avançados no que se refere às políticas de uso responsável da inteligência artificial.

A mensuração dos resultados também surge como uma lacuna relevante. Entre as empresas usuárias de IA, 43% afirmam avaliar seus impactos apenas de forma subjetiva, sem métricas estruturadas, enquanto somente 3% possuem indicadores corporativos integrados à estratégia da organização. Os resultados indicam que o mercado já reconhece o potencial da tecnologia, mas ainda precisa evoluir na capacidade de medir, acompanhar e capturar valor de maneira sistemática.

Perspectivas – Apesar desses desafios, as perspectivas são amplamente positivas. Entre as empresas participantes, 93% acreditam que a IA aumentará a eficiência dos processos internos, 90% enxergam potencial para geração de diferenciais competitivos e 73% veem oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio.

Para que esse potencial se concretize, entretanto, o mercado ainda terá de enfrentar desafios importantes. Entre as instituições que utilizam IA, 61% apontam obstáculos para ampliar seu uso de forma segura e estruturada. A necessidade de novos controles e auditorias aparece como o principal ponto de atenção, seguida pela falta de capacitação e treinamento, custos de implementação, questões relacionadas à segurança e privacidade, escassez de especialistas e ausência de políticas e procedimentos internos estruturados.