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Edição 259
O Banco do Estados do Espírito Santo e a empresa do grupo Banestes DTVM abriram uma nova frente de atuação para a gestão dos recursos dos regimes próprios de previdência. Através de acordos com assets privadas, como o BTG Pactual e a XP Gestão de Recursos, o banco estadual tem conseguido diversificar o leque de fundos de investimentos voltados para os institutos de previdência. A iniciativa deve se multiplicar, pois o BTG Pactual já está conversando com outros bancos estaduais para atrair novos clientes que atualmente não consegue atingir através dos canais de distribuição próprios. Além disso, o próprio Banestes negocia com outras assets para novas parcerias semelhantes.
O primeiro produto do Banestes nesta linha foi um fundo de cotas de um fundo de dividendos do BTG Pactual lançado em meados do ano passado. O segundo fundo, na mesma linha de parceria, veio no início de maio passado, junto à XP Gestão. A opção pelas parcerias é uma maneira encontrada pela Banestes para oferecer produtos mais diversificados para os regimes próprios do Espírito Santo, que enfrentam restrições do Tribunal de Contas do Estado para aplicar recursos em instituições privadas. “Aqui no estado, os regimes próprios ainda têm a restrição de aplicar recursos em assets privadas. Ao mesmo tempo, tínhamos dificuldade de concorrer com a Caixa e a BB DTVM, que são as maiores instituições estatais”, explica José Márcio Soares de Barros, diretor de administração e gestão de recursos do Banestes.
A saída encontrada pelo banco estadual foi a realização de parcerias com os gestores privados. A Banestes entra como administrador do fundo, enquanto a outra asset fica com a gestão dos recursos. Em outro desenho semelhante, a Banestes DTVM pode abrir um fundo de cotas (Fic) que funciona como espelho do fundo original da asset parceira. Na figura de administrador ou de gestor do Fic, não existe a restrição do Tribunal de Contas. Além do Espírito Santo, o TCE do Rio Grande do Sul também apresenta a mesma restrição.
Os valores captados pelos novos fundos da Banestes ainda não são volumosos. No caso do fundo de cotas que aplica em outro fundo de capital protegido, da XP Gestão, a captação foi de R$ 15,4 milhões. “O que chamou a atenção é que o montante foi captado em apenas três dias, depois tivemos que fechar o fundo”, diz Vítor Duarte, diretor presidente da Banestes DTVM. Do total de recursos do fundo, cerca de R$ 9 milhões foram captados junto aos regimes próprios de previdência. O restante foi captado com clientes pessoa física. Os gestores dos institutos tinham intenção de aplicar valores maiores, mas o acordo entre as instituições não previa a ampliação além do valor previsto.
O fundo da XP Gestão investe cerca de 15% da carteira em derivativos atrelados a ações de grandes empresas de tecnologia e internet – Google, Apple e Facebook. O restante da carteira, ou seja, 85% está alocada em títulos públicos. As posições em renda variável estão travadas até o teto de 30%. Se houver desempenho negativo, o fundo devolve o capital investido após o prazo de um ano e meio, que é a liquidez do produto. Já o fundo de dividendos, lançado em parceria com o BTG Pactual, conseguiu captar cerca de R$ 13 milhões. “Os montantes ainda são baixos, mas o mais importante é que a experiência está dando certo. Tanto é que pretendemos lançar novos produtos com as mesmas características”, diz Duarte.
Regimes próprios – O RPPS do estado do Espírito Santo (Ipajm) está investindo nos dois fundos. Com um patrimônio de R$ 1,16 bilhão, o instituto realizou uma aplicação de R$ 3 milhões no fundo de dividendos no segundo semestre do ano passado. Na início de maio, realizou também uma aplicação inicial de R$ 2 milhões no fundo de capital protegido. “Queríamos entrar com um valor maior, mas não podemos ultrapassar o limite de aplicação para cada fundo de investimento”, explica, Gilberto de Souza Tulli, diretor de investimentos do Ipajm.
Ele se refere ao limite de até 25% das cotas de cada fundo. Embora a política de investimentos do regime próprio não esteja direcionada para o aumento da renda variável em 2014, o dirigente explica que o fundo em questão tem outras características que fogem da bolsa tradicional. O instituto mantém R$ 975 milhões em aplicações de renda fixa ou títulos públicos. Outros R$ 100 milhões fazem parte de um fundo financeiro, utilizado para pagar os benefícios mensais do instituto. E o restante, apenas R$ 84 milhões estão alocados em renda variável.
Em relação ao fundo de capital protegido, o diretor do Ipajm diz que a motivação foi a aplicação em ativos da bolsa estrangeira. “É um fundo atrelado a ações da bolsa americana que hoje têm melhores perspectivas que a renda variável doméstica. Estamos evitando o aumento da exposição a fundos de ações domésticas, devido à instabilidade provocada pelo período eleitoral e pós-eleitoral”, diz Tulli. Ele acredita que a bolsa americana e, neste caso do fundo do Banestes em parceria com a XP, as ações de empresas de tecnologia têm boas perspectivas de valorização. Além disso, como se trata de um fundo da modalidade de capital protegido, na pior das hipóteses, o instituto pode resgatar o volume aliado inicialmente.
O regime próprio de Vitória (Ipamv) é outro investidor que entrou nos dois fundos em questão. Foram aplicados R$ 1 milhão no fundo de dividendos e R$ 2 milhões no produto de capital protegido. “Avaliamos que eram fundos que permitiam uma boa perspectiva de diversificação de nossa carteira de ativos”, explica Herickson Rangel, diretor do Ipamv. O dirigente explica que o que mais atraiu no fundo do Banestes em parceria com a XP Gestão foi a perspectiva de aplicar recursos em empresas de ponta de tecnologia e internet como o Google e Facebook.
Ele considera a iniciativa das parcerias da Banestes com outras assets uma maneira importante para ampliar o leque de produtos de investimentos para os RPPS. “Ainda temos a restrição do tribunal de contas do Espírito Santo e as parcerias dos bancos estatais com outras assets é uma saída importante para que possamos diversificar o portfólio”, diz Rangel, que além de ser dirigente do RPPS de Vitória, também faz parte da direção da Aneprem – Associação Nacional das Entidades de Previdência Estaduais e Municipais. O dirigente cita ainda o exemplo de alguns fundos da Caixa Econômica, como um FIDC (direitos creditórios) de crédito consignado, estruturado a partir de uma parceria com o BMG e com a asset Integral.
Outras parcerias – Pela experiência acumulada com os primeiros produtos, tudo indica que a Banestes DTVM pretende ampliar o rol da parcerias com as assets privadas. “Estamos preparando o lançamento de novos fundos em parceria com outras assets com o objetivo de ampliar a diversificação de nossa grade”, revela Vítor Duarte. Ele explica que a Banestes DTVM prefere o caminho das parcerias ao invés de montar e capacitar equipes próprias de gestão com diferentes especialidades. “Não temos condições nem escala para investir em equipes próprias de segmentos muito específicos”, diz Duarte.
Neste sentido, a Banestes está negociando com assets como o próprio BTG Pactual, e outras como o Brasil Plural e Credit Suisse Hedging Griffo, para a oferta de produtos voltados para os RPPS e demais investidores. A Banestes pretende ainda chegar a regimes próprios de outros estados, principalmente do Rio Grande do Sul, onde também persiste a restrição do TCE para a aplicação em fundos de gestores privados. Além disso, há regimes próprios em estados onde não há tal restrição pelo tribunal de contas, mas o próprios conselho do instituto mantém o veto para aplicação em instituições privadas. “Por enquanto, conseguimos captar apenas com regimes próprios do Espírito Santo, mas queremos chegar aos institutos gaúchos e de alguns municípios que mantém a restrição aos bancos privados, como por exemplo, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro”, diz o diretor presidente da Banestes DTVM.
Além das parcerias para administração e gestão compartilhada, o banco estadual também tem realizado acordos para a distribuição de produtos das assets. “Outra linha de atuação, que vai na mesma direção dos fundos com gestão compartilhada, são os acordos de distribuição. Neste caso, atuamos como distribuidor de fundos de outras assets para clientes do varejo”, explica Duarte. São exemplos de assets que contam com a distribuição do Banestes, a Itaú Unibanco, Brasil Plural, Votorantim Asset Management, Sul América, entre outras.
BTG Pactual aposta nas parcerias com bancos estaduais
Já o BTG Pactual também tem apostado em algumas parcerias para distribuir seus produtos. A parceria com a Banestes é a principal e já há conversas para o lançamento de outro fundo com o banco capixaba. “É um processo de conhecimento, também cultural, vamos avançando pouco a pouco. Lançamos o primeiro produto, que é o fundo de dividendos e agora estamos esperando um pouco para lançar uma segunda opção para os regimes próprios em parceria com a Banestes”, diz Marcelo Flora, sócio-diretor e responsável pela área de distribuição da BTG Pactual Asset Management.
Um segundo parceiro da BTG Pactual é o BNB – Banco do Nordeste do Brasil. Também neste caso, o banco estadual montou um fundo de cotas que funciona como espelho do fundo de dividendos da asset do BTG Pactual. O produto está voltado para os clientes de varejo do banco. “São públicos que nós não conseguimos acessar normalmente, então, é bastante vantajoso esse tipo de parceria”, diz Flora.
Questionado sobre a divisão das taxas entre o gestor e o distribuidor, Flora diz que não pode revelar os valores. Mas a divisão depende de cada produto, se for um fundo mais ativo, o gestor tende a ganhar mais. Se for um fundo passivo, o distribuidor ou administrador conseguem ganhar um pouco mais. Um terceiro possível parceiro é o Banrisul, com quem o BTG Pactual tem mantido negociações para lançar produtos na mesma linha do banco do Espírito Santo.
Além das parcerias com os bancos estaduais, o BTG Pactual tem apostado em outros produtos para crescer no mercado de regimes próprios. Um deles é um fundo de florestas, o BTG Pactual Brasil Florestal. É um fundo gigante que pretende captar até US$ 750 milhões, dos quais US$ 200 milhões serão investidos pelo próprio banco. “É uma opção bem interessante para os fundos de pensão e regimes próprios pois mantém correlação com a inflação, além de um comportamento contra-cíclico”, explica o sócio-diretor da BTG Pactual. Além disso, diz Flora, é uma aplicação com risco mais baixo se comparado a um private equity tradicional ou uma aplicação em infraestrutura.
O fundo ainda não entrou em fase de captação, mas já tem expectativa de receber cerca de US$ 200 milhões de investidores estrangeiros, além dos recursos do próprio banco. A asset espera que o restante seja captado no mercado doméstico. O fundo tem expectativa de rentabilidade de Ipca mais uma taxa entre 9% e12% ao ano.