Novas regras ajudam Pimco a crescer | Ativos sob gestão cresceram...

 

Pimco em números (em pdf)

A gestora de recursos Pimco, com US$ 1,69 trilhão em ativos sob gestão globalmente, viu suas atividades de gestão no mercado brasileiro darem um salto nos últimos meses por conta da disseminação de fundos de investimento no exterior. A Pimco, que em outubro de 2016 tinha R$ 139,9 milhões de investidores brasileiros encerrou outubro de 2017 com R$ 5,65 bilhões.
Luis Otavio Oliveira, vice-presidente sênior da Pimco para América Latina, aponta a mudança regulatória advinda da Instrução CVM 555, que permitiu a criação de fundos multimercados para investidores qualificados que investem até 100% no exterior, como um fator decisivo para o crescimento apresentado. A ICVM 555, de dezembro de 2014, alterou a regra para os fundos no exterior, que antes do normativo tinham um ticket mínimo de entrada de R$ 1 milhão. Com a alteração da regra, o ticket mínimo para fundos no exterior deixou de existir para os investidores qualificados, que são aqueles com mais de R$ 1 milhão alocados no mercado.
A base de clientes da Pimco no Brasil soma cerca de 20 mil investidores, sendo a maior parte investidores qualificados pessoas física. “Boa parte desses investidores investem através de nossos parceiros”, afirma o executivo. Segundo o profissional, além de investidores pessoas físicas a gestora conta também com 15 fundações como clientes, entre as quais a Previbayer. Oliveira diz que tem “notado uma demanda crescente de fundos de pensão nos últimos três meses”.
Atualmente a Pimco oferta em sua grade de produtos aos investidores brasileiros dois fundos que acessam ativos internacionais, com uma estratégia de renda fixa global com hedge da moeda para o Real, e uma de renda variável global que acompanha a variação da divisa. De acordo com Oliveira, a intenção é lançar nos próximos meses duas novas estratégias, ambas de renda fixa global com hedge. “Queremos lançar produtos focados em atender as demandas de nossos clientes”, afirma o vice-presidente da asset.

Perspectivas – Do ponto de vista de negócios na região, Oliveira diz que a gestora americana está bastante animada com o potencial de desenvolvimento de suas operações no mercado brasileiro após a implementação da ICVM 555. “Entendemos que o investidor brasileiro está apenas começando a investir globalmente, o que nos dá ânimo para trazer novas oportunidades a nossos clientes”, pondera o executivo.
Já do ponto de vista de investimentos, o vice-presidente afirma que a Pimco segue com uma visão positiva para o Brasil, “mas esperamos que 2018 seja um ano muito marcado por volatilidade em virtude da eleição presidencial”. Segundo o profissional, o cenário base com o qual a Pimco trabalha no momento prevê que um candidato de centro-direita ganhe as eleições em 2018 e continue o programa de reformas estruturais iniciado pelo governo atual. “Porém, esse cenário ainda está cercado de incertezas pois não sabemos ainda quem serão os candidatos e qual será a política econômica defendida por alguns deles”, afirma o especialista, que ressalta que a Pimco tem “bilhões de dólares investidos em ativos brasileiros”.
A eleição presidencial, prossegue o vice-presidente da Pimco, é vista pela maioria dos investidores como o maior risco para o mercado brasileiro em 2018, “mas também a vemos como uma oportunidade em potencial caso um candidato com uma agenda reformista consiga consolidar apoio político em cima de sua proposta”. Outra possível oportunidade para o Brasil na avaliação do executivo é uma recuperação econômica melhor que a esperada, impulsionada pela queda nos juros reais e a volta dos investimentos, que poderia melhorar a arrecadação e permitiria um alívio importante nas contas fiscais. “O cenário externo continua sendo um importante risco para o Brasil pois acreditamos que a normalização nas taxas de juros nos países desenvolvidos continuará em 2018”, diz Oliveira.