Edição 243
Os fundos de pensão que tinham as maiores exposições a papéis e fundos do BVA estão sofrendo uma série de questionamentos sobre os motivos que os levaram a definir tais aplicações.
Em meio às respostas e justificativas, as fundações dizem que devem adotar uma análise mais minuciosa do risco dos ativos de crédito privado. A Petros, por exemplo, formalizou a criação de uma gerência executiva no primeiro semestre de 2012 com a função de responder pela análise de crédito. Foi designado um gerente executivo, Marcelo Almeida de Souza e foram contratados dois novos analistas. A equipe atual é formada por cinco profissionais.
Anteriormente a análise de crédito privado era realizada por uma gerência setorial, que tinha sido criada em 2010. E antes disso, não existia uma área específica para a função. “A carteira de crédito privado da Petros está crescendo gradualmente. Buscamos uma análise mais constante e ágil dos papéis para evitar maiores problemas”, diz Carlos Costa, diretor de investimentos da Petros. Ele considera que as dificuldades pontuais com ativos do BVA não devem prejudicar o desempenho global da carteira de crédito privado, que está avaliada atualmente em pouco mais de R$ 3 bilhões.
Coincidência ou não, as aplicações em fundos com papéis do BVA vieram antes da criação da gerência há dois anos. São três fundos sob gestão da Vitória Asset Management, que era controlada pelo BVA até outubro de 2011. O primeiro fundo foi constituído em 2007, e outros dois, em outubro de 2009 e totalizam atualmente cerca de R$ 80 milhões. A Petros possui ainda aplicações em quatro FIDCs do BVA. Os valores investidos nesses fundos são estimados em R$ 86,4 milhões.
O Serpros é outro fundo de pensão com alta exposição em papéis do BVA (R$ 54,2 milhões de Letras Financeiras, R$22,2 milhões em DPGEs, R$ 23,2 milhões em FIDCs e R$ 46,4 milhões no FIP Patriarca). A aplicação que mais preocupa é o FIP, seguida pelos FIDCs. Os demais ativos contam com garantias ou do FGC ou do emissor. “Daqui em diante, vamos evitar aumentar a exposição em papéis de bancos pequenos e médios”, diz Thadeu Macedo, presidente do Serpros.