Flory assessora lançamento de FII para energia à carros voadores

Veículo voador da Eve, subsidiária da Embraer

A Flory Consultoria, do ex-presidente da Prevcom-SP, Carlos Flory, está assessorando a estruturação de um fundo de investimento imobiliário (FII) no valor de R$ 250 milhões para financiar um projeto multiuso em São José dos Campos (SP) que incluirá, além de shopping center, hotel e restaurante de alto padrão, também uma fazenda de energia solar e um sistema de infraestrutura energética renovável dedicado ao abastecimento de veículos voadores elétricos (eVTOL). O foco é o abastecimento dos eVTOLs que começam a ser entregues pela Eve Air Mobility, empresa do grupo Embraer, a partir do início de 2027.

Localizado em um terreno de 750 mil metros quadrados, na estrada que liga São José dos Campos ao município paulista de Santo Antônio do Pinhal, o projeto é capitaneado por sócios da Farmaconde, conglomerado empresarial com mais de 300 farmácias instaladas principalmente no interior de Minas Gerais, além de participação no setor supermercadista do litoral norte paulista.

Ainda sem um gestor definido, o FII passará a ser oferecido principalmente à investidores institucionais, incluindo fundos de pensão, Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e family-offices. “É o público adequado para esse tipo de projeto”, analisa Flory.

O projeto recebeu, na última quarta-feira (11/2), autorização da Prefeitura de São José dos Campos para o início dos estudos técnicos. Segundo Flory, se tudo correr de acordo com o cronograma planejado, as obras de estruturação da planta fotovoltaica — baseada em energia limpa e renovável — e a implantação da infraestrutura de abastecimento, pouso e decolagem para os eVTOLs poderão ser concluídas até o final deste ano.

As aeronaves, com capacidade para até cinco pessoas (piloto e quatro passageiros) terão autonomia para voos de pouco mais de 100 quilômetros por missão, o que exigirá uma rede de recarga distribuída, especialmente para rotas entre polos empresariais e aeroportos. Os sistemas previstos no projeto deverão permitir recarga em cerca de 15 minutos, garantindo maior rotatividade operacional.

Segundo Flory, o projeto de abastecimento elétrico terá capacidade para atender tanto aeronaves que operem no aeroporto de São José dos Campos quanto em outros pontos estratégicos do município, a serem definidos durante os estudos. Paralelamente, o consultor mantém conversas com o grupo WEG para viabilizar tecnologicamente a implantação de estruturas de reabastecimento energético na região da Faria Lima (SP) e em áreas próximas ao aeroporto de Guarulhos (SP). De acordo com ele, as negociações com a WEG ainda estão em estágio inicial.

A regulamentação das rotas e da operação dos eVTOLs ainda está em definição pelas autoridades aeronáuticas. A expectativa é que utilizem rotas semelhantes às dos helicópteros, possivelmente em altitudes mais baixas. A Eve já anunciou cerca de 2.800 a 2.900 encomendas dos seus veículos voadores, entre pedidos firmes e cartas de intenção.

Para Flory, quanto maior o número de aeronaves em operação, maior será a demanda por energia e por capacidade de recarga nos vertiportos, sobretudo em corredores de alta densidade corporativa. Projetos futuros voltados exclusivamente à geração e recarga energética para eVTOLs deverão ter custo significativamente menor — em torno de R$ 20 milhões cada — e poderão ser estruturados por meio de tokenização, permitindo a participação de investidores pessoas físicas via aquisição de tokens vinculados aos empreendimentos, explica o consultor.