Edição 262
Após receber da Brasil Plural um relatório informando a atual situação do fundo de direitos creditórios (Fidc) multissetorial do Trendbank, os investidores esperam medidas dos atuais responsáveis pela administração do fundo para reaver o dinheiro investido e apurar corretamente a responsabilidade pelas perdas. O volume de créditos vencidos atualmente representa cerca de 98% da carteira do fundo.
O relatório da Brasil Plural, atual gestora do Fidc, informou aos cotistas sobre a existência do grande número de títulos podres dentro da carteira, não performados, com credores inexistentes, e que muitos não estariam assinados. Segundo informou um dos cotistas, o relatório aponta que apenas 1,2% dos ativos da carteira são recuperáveis.
Com esse diagnóstico, o instituto de previdência municipal de Praia Grande (IPMPG) fez uma denúncia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central, além de ter enviado uma representação ao Ministério Público para apurar a responsabilidade por essas perdas. Regina Mainente, superintendente do instituto, diz que foi aplicado R$ 1 milhão no Fidc e já foram resgatados R$ 357 mil. “Não entendo que vamos perder muito, pois o fundo só acaba em 2017 e alguns devedores já estão fazendo acordos. Por hora, teve uma desvalorização bastante grande do papel”, reitera Regina. O Fidc, que no início possuía patrimônio líquido de R$ 400 milhões, hoje opera com aproximadamente R$ 8 milhões.
Eudis Urbano, diretor-presidente do instituto de previdência de Jundiaí (Iprejun), relata que foram investidos R$ 5 milhões pelo instituto no Fidc em dezembro de 2011, e hoje a amortização é de apenas R$ 880 mil. “Estamos aguardando os procedimentos do atual gestor. Só vamos decidir atitudes a serem tomadas quando o fundo estiver finalizado”, explica. “Acredito que tenha havido uma má gestão do fundo em algum momento. Mas esperaremos um relatório exato do Brasil Plural, que está fazendo um bom trabalho, para emitir nossa opinião sobre o ocorrido”.
Outro RPPS que investiu Fidc do Trendbank foi o SBCPrev, instituto de previdência de São Bernardo do Campo. Antonio Gilmar Giraldini, administrador financeiro do instituto, explica que o próprio fundo, representando os cotistas, entrará com ação judicial para apurar a responsabilidade pelas perdas do Fidc. “Hoje, praticamente todo o valor é considerado perdido. Nós enquanto cotistas queremos receber, e por isso um comitê de crédito acionará os prestadores de serviço para que os investimentos sejam devolvidos”, diz Giraldini. O instituto de São Bernardo também investiu R$ 5 milhões no fundo.
Outros investidores – Entre os investidores do Fidc estão os fundos de pensão Postalis e Petros, além do banco coreano KDB e 12 regimes próprios. Em comunicado, a Petros informou que seu investimento na segunda série de cotas seniores do Fidc foi de R$ 23 milhões e que, desde a primeira integralização, já recebeu cerca de R$ 8,8 milhões. Também por meio de nota, o Postalis informou que foram investidos R$ 50 milhões, sendo recebidos R$ 23 milhões, e que foi contratado pelos cotistas um “renomado escritório de advocacia para apurar as responsabilidades, com o propósito de embasar possível ação judicial”.
Atualmente, o fundo conta com administração da Planner e ativos sob custódia do Santander. Contudo, o Fidc já passou por uma constante troca de gestores e administradores, o que tem atrasado o processo de recuperação dos ativos.
Administradora desde abril, a Planner informou que está fazendo uma avaliação da carteira e trabalhando na tentativa de recuperar os créditos. “Nesse momento, estamos verificando a carteira do fundo e se todos os demais prestadores de serviços agiram no cumprimento dos deveres judiciais”, disse Artur Figueiredo, diretor financeiro da administradora.
Por meio de nota, o Brasil Plural declarou que, a partir de um diagnóstico inicial, que já foi realizado, serão efetivadas as medidas necessárias para minimizar e recuperar as perdas dos cotistas. A gestora assumiu o fundo recentemente, substituindo a Evocati. Já o Santander esclareceu que assumiu o papel de custodiante em 2013, quando o patrimônio do fundo ainda somava R$ 330 milhões, e que todas as operações cedidas no fundo seguiram as disposições do regulamento e as boas práticas de mercado.