Captação de fundos florestais | Investidores institucionais ident...

Edição 286

 

Em um cenário de altas taxas de juros dos títulos públicos, em que os fundos de pensão buscam bater suas metas atuariais com o menor risco possível, houve pouca atratividade para investimentos estruturados nos últimos dois anos. Com a perspectiva de novo ciclo de corte de juros da economia, os fundos estruturados, que incluem private equity, imobiliários e infraestrutura, começam a voltar ao radar dos fundos de pensão. Mais especificamente, as fundações começam a olhar e até investir em uma modalidade bastante específica: a de fundos florestais.
Considerados investimentos estruturados de menor risco, os fundos florestais começaram a despertar o interesse de fundos de pensão por conta das oportunidades tanto de plantação de novas florestas no Brasil, quanto de compra de florestas já plantadas. Segundo a consultoria Consufor, os fundos florestais brasileiros cresceram 15,6% no último ano, alcançando um volume de R$ 9,6 bilhões. Já a pesquisa Raio X dos fundos de pensão, apresentada pelo sócio-fundador da Itajubá Investimentos, Carlos Garcia, durante o 37º Congresso Brasileiro do Fundos de Pensão, mostrou que fundos florestais foram apontados como uma estratégia interessante entre os fundos de investimento em participações (FIPs) por 60% das 116 fundações que participaram da pesquisa. Na mesma pesquisa realizada em 2013, a classe de ativos nem aparecia como opção de estratégia para as fundações (veja gráficos ao lado).
O crescimento do mercado têm estimulado gestoras a lançarem novos fundos no segmento. No ano passado, duas gestoras captaram para novos fundos florestais. Foram elas a Lacan e o BTG Pactual. Agora, outras assets estão fortalecendo sua atuação na área. Uma delas é a Copa Investimentos. A gestora, que atua exclusivamente no segmento de fundos florestais, nasceu em 2012 com uma equipe composta por Marcelo Sales e Fernando Abucham, que atuavam na área de fundos de investimentos em ativos florestais da Claritas. Com dois fundos já captados, lançados quando a equipe ainda atuava na Claritas, o terceiro fundo da Copa, único com gestão independente, foi aberto para captação no início deste ano e já encerrou a primeira fase. Segundo fontes do mercado, o fundo captou aproximadamente R$ 400 milhões.
Cerca de dez fundações aplicaram no fundo, e entre eles está o fundo de pensão da Basf, que investiu um total de R$ 5 milhões. De acordo com Marcelo Sales, um dos sócios da Copa, a gestora conversou com cerca de 20 fundos de pensão. “É um desafio grande captar para fundos estruturados, principalmente com o mercado pagando NTN-B com alta remuneração. Inicialmente, tivemos certa dificuldade em atrair investidores, mas ao longo das conversas, eles entenderam o valor dessa classe de ativos”, explica Sales.
Segundo o gestor, o que atraiu os investidores foi a não correlação com outras classes de ativos e o prazo do projeto, por se tratar de um fundo de 12 anos. “O fundo está em linha com o longo prazo buscado por eles, e a expectativa de retorno é atraente”, complementa.
Sales destaca que como os dois primeiros fundos da gestora já estão em fase de desinvestimento, sendo que um deles está colhendo a floresta que foi plantada, os investidores se sentiram mais seguros podendo ver na prática o resultado da implantação e da produtividade do ativo.
Carlos Garcia, da Itajubá, que ficou responsável pela distribuição do fundo, diz ainda que os fundos florestais apresentam outra vantagem que é a de não ter a curva J, que representa o desempenho negativo do investimento nos primeiros anos e, posteriormente, ganhos elevados, normalmente encontrada em fundos de private equity tradicionais. “A curva J nos fundos florestais é muito minimizada, pois é possível comprar uma floresta mais madura, pronta e que já esteja produzindo”, explica Garcia.
O executivo diz ainda que mesmo quando uma floresta é plantada desde o início, uma consultoria é contratada para avaliar o crescimento da mesma, precificando-o. “Isso é outra grande diferença em relação a private equity, que normalmente tem quatro anos para investir e na maioria das vezes não há revisão das cotas. Já o preço da floresta é revisto anualmente”.
Além disso, Carlos Garcia destaca que quando o contrato de um fundo florestal é encerrado, não há necessidade de fazer a venda do ativo, pois a dinâmica tradicional é que a madeira seja vendida ao longo do tempo.

Novo fundo – Aproveitando o maior otimismo do mercado em relação a fundos de ativos florestais, a gestora norte-americana Hancock prepara o lançamento de um fundo no Brasil. De acordo com o diretor de investimentos da Hancock Asset Management Brasil, Cleidson Rangel, o fundo ainda está na fase pré-operacional, sem registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas a asset já está em conversas com potenciais investidores sobre o interesse deles na classe de ativos. “Estamos na fase de pré-marketing do produto, que está tecnicamente pronto. O fundo investirá em várias regiões de floresta do Brasil, e em espécies diferentes”, explica Rangel.
O lançamento do novo fundo deve ocorrer no segundo semestre de 2017. A expectativa é que a captação da primeira fase fique entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão e que tenha investidores estrangeiros investindo lado a lado com fundos de pensão locais. “Teremos duas fases de captação. Queremos alinhar grupos diferentes, com fundos de pensão menores e outros maiores no futuro”.
Para Rangel, o mercado está gradativamente mais otimista em relação a fundos alternativos. “Os investidores querem saber qual será o próximo passo a frente. Uma vez que o ambiente macroeconômico apresentar mais estabilidade no curto e médio prazo, devemos ver o início de uma onda de diversificação, que incluiria florestas”, salienta. O executivo diz ainda que infraestrutura era o principal competidor da classe de ativos até dois anos atrás. “Mas muitos projetos nos quais alguns fundos de pensão embarcaram não foram bem. Por isso, agora eles procuram uma alternativa mais segura”, complementa.
A Hancock possui 150 clientes no exterior, em sua maioria fundos de pensão. O total de ativos sob gestão da gestora no mundo chega a US$ 11,6 bilhões.