
Um grupo de investidores liderado pela gestora de venture capital B Capital e pelo Calpers, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, fechou acordo para adquirir a Russell Investments por US$ 2,8 bilhões (R$ 14,3 bilhões), segundo informações publicadas pela Bloomberg. A B Capital tem entre seus principais acionistas o brasileiro Eduardo Saverin, que criou o Facebook ao lado de Mark Zuckerberg.
A compra da Russell pelo grupo de investidores ainda depende de aprovação regulatória e deve ser concluída apenas no início de 2027. Até lá, a gestora, que administra cerca de US$ 416 bilhões (R$ 2,12 trilhões) em ativos, continuará operando de forma independente, mantendo Zach Buchwald como CEO e Kate El-Hillow como diretora de investimentos.
A compra combina dois movimentos que vêm ganhando força na indústria global de gestão de recursos: a busca por escala em plataformas com forte presença institucional e o uso de tecnologia para entregar soluções de investimento mais personalizadas. A Russell é conhecida por atuar junto a investidores institucionais e pelo modelo de arquitetura aberta, que combina estratégias de diferentes gestoras na montagem de carteiras.
Em entrevista à Bloomberg, Raj Ganguly, um dos cofundadores da B Capital, disse que há espaço para melhorar a forma como investidores poupam e investem para a aposentadoria com o apoio da inteligência artificial. Ele ressaltou, porém, que a tecnologia deve complementar, e não substituir, a atuação humana nas decisões de investimento.
A B Capital pretende ampliar os investimentos em tecnologia na Russell, com foco no desenvolvimento de soluções mais customizadas para os clientes. A aposta ocorre em um ambiente em que grandes gestoras buscam crescer por meio de aquisições, expansão em ativos privados e alternativos e maior capacidade de atendimento sob medida.
A transação também mostra a valorização da Russell na última década. A gestora havia deixado a bolsa em uma operação avaliada em US$ 1,15 bilhão, quando tinha cerca de US$ 270 bilhões sob gestão. Agora, será vendida por US$ 2,8 bilhões, com ativos de US$ 416 bilhões. Segundo a companhia, a captação orgânica junto a clientes cresceu mais de 15% nos últimos dois anos.