

Edição 285
Um grupo de 33 pessoas deixou a GAP Asset Management para montar uma nova gestora de recursos: a Novero. A nova asset tem foco na gestão de fundos de crédito e ativos estruturados, com lastro no mercado imobiliário. Liderada por Roberto Pitta, experiente profissional com passagens pelo antigo BCN Alliance, Mellon, entre outras casas, ele comanda o grupo de executivos junto com Gabriel Ramos, Marcos Oliveira e o gestor Leonardo Teixeira.
A asset já estava em processo de estruturação ao longo do primeiro semestre de 2016, mas foi formalizada somente a partir do mês de julho passado, quando saiu a mercado para apresentar sua equipe e grade de produtos. A principal novidade, agora é a parceria com uma asset global, a PGIM Real Estate.
Na verdade, a PGIM é uma asset ligada ao grupo Prudential, com o foco no setor de ativos imobiliários. A gestora tem atuação em 18 cidades das Américas, Europa e Ásia, com ativos sob gestão de US$ 65,4 bilhões. Na América Latina, a gestora tem maior presença no mercado mexicano. Segundo Alfonso Munk, diretor de investimentos e CIO para as Américas da PGIM, a empresa já vinha procurando uma oportunidade de associação com uma gestora local para atuar no mercado brasileiro (ver entrevista no Box).
A Novero, que quer dizer “grupo” em latim, nasce com R$ 1,6 bilhão de ativos sob gestão. Possui oito fundos exclusivos e dois produtos abertos. São fundos de ativos imobiliários, a maioria formada por CRIs – Certificados de Recebíveis Imobiliários. Cerca de 90% dos ativos da asset são provenientes de fundos de pensão.
Já a asset GAP, de onde saiu o grupo de profissionais para montar a nova gestora, informou que mantém a parceria estratégica com a Prudential, iniciado em 2008, que continua válida para os fundos líquidos da casa. Cabe citar que Pitta, Oliveira e Ramos não eram funcionários da GAP. Eles tinham uma empresa de agentes autônomos que mantinha uma parceria exclusiva de distribuição dos fundos da asset.
Com as dificuldades de crescimento da gestora no mercado de investidores institucionais e na indústria em geral, os executivos decidiram desfazer a parceria e seguir um caminho próprio, agora com a Novero. A GAP fechou o mês de junho passado com R$ 4,32 bilhões de ativos sob gestão, segundo dados do ranking Top Asset. Em 12 meses, o volume de ativos apresentou queda de 18,29%.
Em agosto a GAP contratou Frederico D’Agosto como responsável pelo relacionamento com investidores institucionais. O profissional tem mais de 20 anos de experiência no mercado de gestão, com passagens pelo FonteCindam, Mellon e corretora Ágora. Sua última casa foi a ARX Investimentos de onde saiu para se integrar à GAP, que continua com sua grade de fundos multimercados e de renda variável.
Paramis – Ao se separar da GAP, o grupo que fundou a nova asset levou consigo a equipe da Paramis, uma empresa de estruturação de operações do mercado imobiliário. A GAP havia adquirido 50% do controle da Paramis a partir de 2012. Agora a participação foi desfeita e a empresa fica associada à Novero, em negociação que não teve os valores e termos divulgados. A empresa é um dos pilares da nova asset, que pretende manter o foco em fundos e operações de financiamento de empresas do ramo imobiliário.
Ao analisar o cenário atual, Leonardo Teixeira, enfatiza que o momento é bastante favorável para investidores institucionais de longo prazo para iniciar um novo ciclo de investimentos em ativos estruturados. “O crédito escasso e a taxa de juros elevada vem gerando excelentes oportunidades no mercado local de crédito imobiliário. Quem se posicionar agora, poderá construir uma carteira com ativos de longo prazo, baixo risco, alto volume de garantias e retornos atrativos quando comparados aos títulos públicos atrelados a inflação”, afirma Teixeira.
Para a equipe da Novero, o cenário atual favorece as oportunidades de posicionamento com ativos de crédito lastreados no mercado imobiliário. “Os preços dos ativos no Brasil estão aviltados e estamos com uma janela de oportunidade absurda no financiamento de desenvolvedores do mercado imobiliário”, explica Roberto Pitta. O executivo diz que há muitos ativos que pagam IPCA mais 11% ou 12% e que podem oferecer garantias reais atreladas a ativos imobiliários, que provocam a redução do risco do investimento.
Soberanos e fundações – O foco de captação da Novero continua centrada nos fundos de pensão domésticos, segundo Pitta. O profissional é um velho conhecido dos dirigentes de fundações, que vem atuando com Marcos Oliveira há mais de 20 anos juntos, desde a época em que trabalharam juntos no BCN Alliance. A dupla virou um trio quando se juntou a Gabriel Ramos, quando atuaram juntos e participaram da estruturação da operação do Mellon no Brasil, há 16 anos. O trio abriu uma distribuidora e firmou parceria com a GAP Asset em 2010, com o foco de captar recursos de institucionais.
Agora na nova casa, a equipe pretende manter o foco nas fundações, mas quer atrair também o investidor estrangeiro. “O fundo de pensão continua no foco, com certeza, mas agora queremos atrair também os fundos soberanos estrangeiros”, diz Pitta. Por isso, a parceria com a PGIM ganha importância neste projeto. Com um parceiro conhecido globalmente, é mais possível, mirar o investidor estrangeiro que tem interesse em investir no mercado de ativos imobiliários no Brasil.
Outro aposta para atrair o estrangeiro é a alta especialização da nova asset. “Acredito que as dificuldades do mercado de gestão estão impondo a necessidade de maior especialização para as assets. O investidor estrangeiro olha muito mais para gestoras com um foco específico do que para as casas multi-assets”, opina Pitta. O executivo aponta uma tendência do mercado de saída de equipes de gestores e profissionais das casas maiores para montar assets com expertise bastante focada.
Institucional estrangeiro aguardava melhoria do cenário político
O diretor e CIO da PGIM nas Américas, Alfonso Munk explica o interesse da empresa em ampliar a atuação no Brasil. Com mais de 15 anos de atuação no México e com uma equipe de gestão própria, o executivo acredita que o mercado de ativos imobiliários no Brasil deve atrair cada vez mais a participação dos institucionais estrangeiros. A empresa está iniciando um Road show com o objetivo de captar recursos para aplicar no mercado brasileiro em parceria com a Novero. Leia trechos da entrevista:
Investidor Institucional – Por que investir no Brasil agora?
Alfonso Munk – Acreditamos que o mercado imobiliário brasileiro oferece atualmente uma janela de oportunidade de investimentos especialmente através de dívida devido a fatores como a escassez de crédito, alta taxa de juros real e ótimas garantias disponíveis. Este conjunto de fatores acaba criando uma oportunidade de retornos reais mais altos e baixo risco para o investidor de longo prazo.
II – Como está a aceitação do risco Brasil junto aos investidores institucionais estrangeiros?
AM – Com as perspectivas de melhora dos cenários políticos e econômico, temos visto o interesse dos investidores estrangeiros aumentar de forma gradativa. Como estamos falando de investimentos de longo prazo, não há tanta preocupação por parte deste investidor de acertar o timing perfeito, mas sim uma tendência. Muitos estavam aguardando o desfecho do processo político de impeachment e uma sinalização dos principais indicadores econômicos do Brasil para voltar a investir.
II – Qual o volume de recursos que a PGIM planeja captar e investir no Brasil nos próximos 12 meses?
AM – Estamos iniciando um processo de Road show com o objetivo de captar US$ 200 milhões juntos a estrangeiros. Também estamos analisando a captação de investidores locais com a mesma estratégia de investimento, com coinvestimento da PGIM e da Novero em um processo compartilhado de seleção, aquisição e monitoramento de ativos imobiliários.