Especialista em Ásia visita as fundações brasileiras | JP Morgan ...

Edição 226

 

Adam Matthews, diretor do JP Morgan Asset Management para o Japão e região do Pacífico, veio ao Brasil no início de abril para conferir como está o apetite dos investidores locais por aplicações do outro lado do mundo.
Ele conversou com fundos de pensão brasileiros, junto aos quais pretende levantar recursos para um produto da asset focado em ações na Ásia.
Em setembro do ano passado, foi lançado no Brasil o JPM Asia Pacific Ex- Japan Feeder FIC FIA INV EXT, veículo local que compra cotas de um fundo da asset na Ásia que já tem histórico de 20 anos. “É um fundo Ásia- Pacífico sem Japão. Inclui 11 países, entre eles Austrália, China, Coreia e India”, detalha o executivo. No fim de março, a maior parte dos ativos do Asia Pacific Ex-Japan Master FIA – o fundo lá de fora – estava em Austrália, seguida de China, Coreia do Sul, Hong Kong, India e Taiwan.
Matthews visitou entidades fechadas de previdência complementar de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Ele comenta que ainda é cedo para dizer se esses encontros se efetivarão em negócios, mas garante que as fundações demonstraram interesse pelo produto. “Acredito que esse tipo de diversificação faz sentido para os fundos de pensão. A correlação entre os ativos é baixa e, se formos analisar os números, veremos que o fundo local tem superado significativamente o Ibovespa nos últimos meses”, argumenta. De fato, desde o início até março de 2011, o produto constituído no Brasil acumula rentabilidade de 19,73%, contra uma variação de 2,26% do Índice Bovespa. No acumulado de 2011 até março, o JPM Asia Pacific Ex-Japan Feeder trouxe retorno de 2,11%, diante de um Ibovespa de – 1,04%. “Ainda não é um período longo de análise, mas já podemos considerar como um ponto de partida”, ressalva o executivo.

Desafio – Para Matthews, o Brasil apresenta o mesmo desafio de outros mercados emergentes quando se trata da venda de produtos de investimento no exterior. “Quando falamos com investidores qualificados da China ou da Índia, por exemplo, encontramos o mesmo problema. A mentalidade é de que, se eles estão em países com um grande mercado, que está indo bem e crescendo rápido, qual motivo teriam para investir fora. Convencê-los a alocar recursos em outro mercado é um desafio. Por outro lado, esses investidores sabem, no fundo, que precisam fazer isso.
É uma questão de necessidade de diversificação”, aponta.
O executivo lembra que os fundos de pensão chilenos, hoje grandes investidores na região, não conheciam muito bem as oportunidades que a Ásia trazia há alguns anos. “Os cinco maiores fundos de pensão do Chile são investidores de longo prazo em ativos asiáticos. Mas quando nós olhamos para trás, seis ou sete anos atrás, recordamos que eles não conheciam a China muito bem, nem a Índia. Até que eles deram o primeiro passo, foram em busca de mais informação sobre esses mercados e se sentiram mais confortáveis para investir neles. Hoje, posso dizer que o nível de conhecimento deles sobre Ásia é muito grande”, observa o diretor, que também esteve em Santiago durante a viagem para conversar com investidores chilenos já tradicionais no segmento. Ele reforça que essa mudança de comportamento no Chile demorou alguns anos para acontecer. “Nós esperamos que o Brasil evolua por esse mesmo caminho. Os investidores vão precisar de um tempo para pesquisar e entender o que o investimento no mercado asiático pode oferecer. A partir daí, eles ficarão mais confortáveis para realmente fazer algo nesse sentido”, estima.
Matthews conta que não há uma meta de captação de recursos para o fundo. “Por enquanto, não estamos com essa preocupação, mesmo porque sabemos que esse é um negócio que leva um tempo para acontecer. Em alguns casos, podemos levar dois ou três anos de conversas com clientes antes de algo efetivo ser fechado. Esse é um segmento em que devemos ter bastante paciência”, sublinha. Os esforços da asset em contatar investidores insitucionais para saber do interesse por investimentos na Ásia começou de forma efetiva nos últimos seis meses.