Agora são os institucionais | Gestora de recursos de origem corea...

Edição 226

 

Depois de se estabelecer no Brasil e lançar fundos locais para aplicadores domésticos, chega a hora de a Mirae Asset centrar esforços na conquista de investidores institucionais para incrementar a sua base de clientes. Hoje, a maior parte dos quase R$ 2 bilhões sob os cuidados da gestora no Brasil é proveniente de aplicações feitas por estrangeiros, principalmente asiáticos. O desafio colocado pela matriz coreana à filial brasileira é justamente fazer com que a captação local engorde o montante gerido por aqui. “Nosso objetivo é fazer a parte doméstica crescer. Queremos aumentar a base de clientes brasileiros”, avisa João Morais, diretor executivo da Mirae Asset. Nesse contexto, os investidores institucionais são um elemento-chave para que a gestora atinja a sua meta. Morais lembra que a asset se estabeleceu no País em 2008, quando abriu um escritório em São Paulo (SP). Na época, a atividade se restringia a gerir os ativos de Brasil e América Latina dos fundos globais da Mirae. Especialista em ações de mercados emergentes, a asset fazia a gestão desses ativos a partir de sua unidade em Londres, até que a participação de papéis brasileiros nas carteiras ganhou tal porte que justificou a instalação de um escritório local, onde passou a ser feito um “trabalho in loco”. “O Brasil começou a ganhar destaque na macroalocação dos fundos da Mirae. Como nós temos escritórios nos principais mercados em que investimos, passou a fazer sentido termos um escritório por aqui”, reforça Jorge Sierra, head de marketing da Mirae. Atualmente, o País responde por 10% da carteira de ações globais da gestora, sendo o quinto país com maior representatividade no portfólio – atrás de Coreia, China, Hong Kong e Índia. Em 2009, iniciou-se a segunda fase da atuação da Mirae no País, com a abertura de fundos locais e o estabelecimento de parcerias com distribuidores para atender pessoas físicas. Foi naquele ano que João Morais se juntou ao time da gestora. Com mais de 25 anos de mercado financeiro no Brasil e na Europa, ele foi executivo do Citigroup Asset Management e da Western Asset por vários anos, onde atuou como head de vendas e de produtos. Morais foi convidado a juntar-se à Mirae Asset em 2009 “com o objetivo de desenvolver o negócio local da empresa e expandir os serviços de gestão junto ao mercado de distribuidores e investidores institucionais”. Com a etapa dos distribuidores sendo cumprida ainda em 2009, no ano seguinte decidiu-se que seria o momento de começar a angariar recursos de clientes institucionais. “Era preciso criar um histórico de performance no Brasil antes de começarmos a falar com os institucionais”, afirma João Morais. No segundo semestre de 2010, a Mirae lançou um fundo adaptado às legislações específicas dos fundos de pensão (Resolução número 3.792 do Conselho Monetário Nacional – CMN) e dos regimes próprios de previdência social (CMN 3.922). Institucionais – Para estreitar o canal com as entidades fechadas de previdência complementar, a gestora trouxe para sua equipe, em novembro do ano passado, o profissional Marcos Colombo, que desde 2007 atuava na área de atendimento a institucionais da Schroders. Anteriormente, ele havia passado pelo Itaú e pelo Citigroup, sempre em departamentos dedicados a esse nicho de clientes. “Cheguei na Mirae e poucos dias depois já estava no Congresso da Abrapp”, lembra Colombo, referindo-se à 31ª edição do Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, realizada pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) entre os dias 17 e 19 de novembro de 2010 em Olinda (PE). Entre as estratégias da gestora, inclusive, está uma maior aproximação com a Abrapp e a participação em eventos que contam com organização e apoio da associação. Iniciativas semelhantes devem ser postas em prática também junto à Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais (Abipem). Além disso, para acessar os regimes próprios, a Mirae deve contratar em breve um profissional dedicado ao relacionamento com o segmento. “Já começamos a visitar os regimes próprios, mas esse é um mercado muito pulverizado. Para darmos uma atenção especial ao segmento, faz todo sentido termos uma pessoa focada em atendê-lo”, argumenta Morais. O Mirae Asset Institucional Ações, lançado em 30 de julho de 2010, foi estruturado especialmente para os fundos de pensão e institutos de estados e municípios, uma vez que é aderente às legislações específicas de ambos os segmentos. O fundo é classificado na categoria de Ibovespa Ativo e toma decisões com base em análise fundamentalista. “As ações não têm em nossa carteira o mesmo peso que têm no índice”, esclarece Morais. Jorge Sierra completa que faz parte da estratégia um contato com os gestores das empresas para analisar dados e entender como o comando dessas companhias funciona. Apenas a título de exemplo, em 31 de março deste ano o fundo estava mais exposto aos setores de materiais básicos, consumo não cíclico e financeiro do que o Ibovespa; com exposição inferior à do índice em energia, indústria e consumo cíclico; e zerado em setores que têm peso no Ibovespa, como utilidade pública, telecomunicações e tecnologia da informação. Após oito meses de sua abertura, o fundo contava com R$ 19 milhões de patrimônio. Em 31 de março, o produto acumulava rentabilidade de 7,80% (desde o início, em 30/07/2010), contra um Ibovespa de 1,59% no mesmo período. A taxa de administração é de 2% ao ano e a de performance, de 20% sobre o que exceder a variação do Ibovespa. Para João Morais, conta a favor da Mirae o fato de o grupo ser especialista em mercados emergentes. “Hoje, o que acontece na China tem influência sobre o mercado no Brasil. Essa interação que temos com outros países é um diferencial em termos de estratégia”, considera. Expansão – A abrangência global da atuação da asset também deve ser usada para atrair investidores interessados em aplicar recursos no exterior. A ideia da Mirae é que sejam estabelecidos fundos de investimento em cotas (Fics) locais que venham a investir em produtos que a gestora tem lá fora. Morais indica que o objetivo é já colocar em prática alguma iniciativa nesse sentido ao longo de 2011. Mais uma vez, os institucionais estão no foco da estratégia da gestora . “Sabemos que o fluxo de investimentos no exterior não vai surgir da noite para o dia, mas queremos nos posicionar nesse segmento uma vez que somos especialistas em mercados emergentes. Temos bastante oferta, seja com fundos regionais ou específicos de um país determinado. Estamos conversando com potenciais investidores para saber quais são as demandas, que produtos se encaixariam mais no interesse deles”, conta o executivo. Marcos Colombo completa que, por conta dos limites impostos pela legislação dos fundos de pensão, a asset pretende alocar capital próprio nos fundos dedicados ao exterior para não gerar desenquadramento. A CMN 3.792 estabelece que as aplicações das entidades não podem superar a parcela de 25% do patrimônio líquido de um mesmo fundo de investimento no exterior. E apesar de ser especialista em ações, a Mirae está estruturando por aqui uma equipe dedicada a fundos multimercados. “Como a taxa de juros é elevada, ainda há muito apetite por renda fixa. Essa nossa atuação em multimercados é mais recente”, conta Morais. No caso dos fundos de pensão, os produtos da Mirae nessa área entrariam no segmento de investimentos estruturados e o limite para aplicação seria de 10% dos recursos das entidades. Por mais que a legislação permita o investimento das fundações nessa área, por enquanto os esforços de venda da Mirae para esse nicho de clientes é de fato o fundo de ações. “Não temos amarras, mas por enquanto estamos nos concentrando no Institucional Ações. O time de multimercados ainda está sendo estruturado e mais para a frente, quando tivermos mais histórico, trabalharemos esse tipo produto com os fundos de pensão”, pondera Jorge Sierra. Globalmente, a Mirae tem algo como US$ 50 bilhões sob gestão, sendo que cerca de um terço desse montante se refere a recursos aplicados por fundos de pensão. Brasil não perde atratividade Recentemente, a melhora de cenário em países desenvolvidos – especialmente os Estados Unidos – e a valorização de ativos nos mercados emergentes têm gerado um redirecionamento do fluxo global de investimentos. Alguns investidores já estão se voltando para mercados desenvolvidos em detrimento dos emergentes, uma vez que acreditam que, assim, será maior a possibilidade de ganho. Na opinião de João Morais, isso não quer dizer que o Brasil está perdendo atratividade. “Com a melhora nos Estados Unidos, é natural que os investidores aloquem uma parte de seus recursos lá, mas isso não significa que tenha deixado de ser bom investir no Brasil”, garante o executivo. Ele argumenta que o País ainda demanda investimentos em infraestrutura e em setores ligados a temas demográficos, como educação por exemplo. “Ainda há uma grande frente de desenvolvimento no País, o que torna o ambiente bastante positivo para investimentos”, defende o diretor executivo da Mirae Asset.