Edição 215
Quero ser uma das assets mais focadas em fundo de pensão do Brasil. É assim que resume seu objetivo na asset management Gap Prudential o executivo Roberto Pitta. Segundo ele, hoje, a companhia possui cerca de R$ 4 bilhões em ativos, com aproximadamente R$ 1 bilhão desse montante em recursos de fundos de pensão. “A minha ideia é fazer com que, em pouco tempo, nós tenhamos um total de R$ 8 bilhões em ativos, com pelo menos R$ 5 bilhões vindos das entidades”, projeta.
Pitta chegou à companhia após 12 anos no grupo BNY Mellon para aprofundar a relação da gestora com investidores institucionais de forma geral. Com essa meta ambiciosa, a intenção é fazer com que a Gap tenha uma estrutura de ativos parecida com a da norte-americana Prudential International Investments, sua parceira desde 2008. “Dos cerca de US$ 580 bilhões que a Prudential possui em ativos, de 60% a 70% vêm de fundos de pensão. Esse é exatamente o modelo que queremos ter no Brasil, e por isso me propuseram essa sociedade”, afirma o diretor.
Para alcançar essa relação entre os ativos, o executivo diz que não há uma “prateleira” de onde os produtos serão retirados e oferecidos aos investidores. “Somos uma empresa que gosta de trazer as necessidades do cliente para o colo do gestor e fazer tailor made, produtos sob medida”, justifica.
A costura para chegar ao crescimento projetado em ativos e no aumento da participação dos fundos de pensão deverá ser feita principalmente com o tecido de fundos estruturados. “Pretendemos nos transformar em uma casa reconhecida pela estruturação de crédito privado”, afirma Pitta.
Segundo ele, a gestora busca uma atuação forte não só nos mercados tradicionais de renda fixa e variável, mas também nos de crédito estruturado, misturando financiamento imobiliário com mercantil. “A Gap trabalha muito bem com produtos voltados para crédito privado, algo que fazia muita falta na Mellon”, constata.
Para o executivo, os produtos imobiliários devem crescer bastante nos próximos anos, tanto na incorporação como para os fundos de investimento, com instrumentos como a Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) ou o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI). “Nós pretendemos montar produtos de crédito estruturado para fundos de pensão com base nisso. Já estamos conversando sobre o assunto em várias frentes”, indica.
Porém, como toda casa começa pelo alicerce, Pitta tratou inicialmente de conhecer a estrutura da GAP e adequar essa base à construção que gostaria de levantar. Segundo ele, o primeiro movimento foi estreitar relacionamento com os gestores e conhecer os produtos da casa. Logo, alguns fundos tiveram suas políticas de investimento modificadas, enquanto outros passaram por uma reclassificação. “Preparamos todos os instrumentos para começarmos a trabalhar. Agora, nossos fundos estão todos enquadrados e adequados à [Resolução do Conselho Monetário Nacional] 3.792, prontos para receber recursos de fundos de pensão.” Daqui em diante, o momento é de sair, fazer visitas, participar de seminários, enfim, “mostrar a face”.
Novo cenário – Na opinião de Pitta, os títulos públicos federais ainda serão, por algum tempo, o “porto seguro” dos fundos de pensão. No entanto, essa postura caminha para uma mudança. “O governo hoje tem uma outra postura, e não precisa mais pagar caro pela remuneração dos seus títulos.
Quando se coloca a necessidade atuarial do fundo de pensão vis a vis com o que um título público paga de juro real, o ativo já não é mais muito atraente para os fundos”, opina. Por isso, uma nova configuração, com produtos mais sofisticados, é fruto de uma mudança de cultura no sistema financeiro nacional. “Nessa onda, será recompensado aquele gestor que tiver mais competência na entrega do retorno prometido, com uma boa relação entre risco e retorno”, analisa.
Outro ponto positivo do amadurecimento do sistema financeiro é a atração que o País está exercendo sobre investidores internacionais. Enquanto Pitta deverá focar esforços nos fundos de pensão, municípios e tesourarias de grandes empresas, o também diretor da Gap José Eduardo Louzada de Araújo se aterá em buscar recursos junto a bancos, distribuidores, family offices e no mercado internacional. Para ele, no atual momento, o Brasil oferece segurança e taxas atrativas. “Se continuar esse movimento dos últimos anos, com segurança e estabilidade econômica interna, o Brasil vai ser foco de investimento por um bom tempo”, diz Araújo. O executivo considera, no entanto, que ainda há uma preocupação do investidor estrangeiro com a questão fiscal nacional. “O que os candidatos à presidência da República falarem a respeito do tema poderá ser um diferencial”, aponta.