Ashmore investiga apetite por fundo internacional | Idéia é criar...

Edição 198

A Ashmore Brasil está de olho na demanda dos investidores para decidir sobre o lançamento, no País, de um veículo de investimento no fundo que sua matriz está lançando em Londres – o Global Special Situation 5 (GSS 5). Trata-se do quinto fundo da Ashmore na categoria, que tem como foco private equity e distressed assets. “Estamos muito animados, porque vemos nesses ativos oportunidades semelhantes às de 1998, que achávamos que eram únicas”, diz Eduardo Câmara Lopes, diretor- executivo da Ashmore no Brasil. Ele afirma que “se houver demanda por parte dos investidores institucionais brasileiros, será avaliada a criação de um veículo local que investiria no fundo global, já em fase de captação”.
Atualmente, a Ashmore administra entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em special situations globalmente.
Hoje, a Ashmore Brasil conta com dois fundos abertos no País, que cumprem dois dos três objetivos que a empresa estabeleceu como prioridades. Um dos fundos, lançado em fevereiro deste ano, capta recursos no exterior para investimento em ativos brasileiros de renda fixa, e o outro, um multimercado macro aberto no final de abril, capta recursos localmente para alocar também por aqui. O que falta, agora, é levantar recursos junto aos investidores brasileiros e investir lá fora. No caso do GSS 5, mesmo que seja criado um veículo local, a gestão do fundo global fica por conta da Ashmore de Londres, e não sob a batuta da unidade brasileira. A Ashmore Brasil administra por volta de R$ 200 milhões em recursos (segundo dados de 31 de outubro último); a Ashmore de Londres, por sua vez, conta com algo entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões administrados no Brasil, diretamente da matriz. O País divide com a Rússia o topo da lista de países com mais recursos administrados pela gestora.
Os mercados brasileiro e russo não estão nessa posição por acaso. A Ashmore tem como principal característica dedicação a investimentos somente em mercados emergentes. “Um dos nossos objetivos é convencer os fundos de pensão americanos e europeus a investir em papéis da dívida de países emergentes em vez de investir em treasuries.
Tentamos convencê-los a aplicar pelo menos 10% do portfólio nesses países”, afirma Jerome Booth, gestor de investimentos da Ashmore em Londres. “O segundo passo é convencê-los a diversificar suas aplicações em vários ativos nos mercados emergentes, assim como fazem nos EUA”, completa. Booth lembra que os países emergentes representam hoje 30% do PIB mundial. “E os fundos de pensão têm que pensar no longo prazo.
Em 50 anos, por exemplo, é provável que os países emergentes representem 50% do PIB mundial. Então, poderíamos pensar que os fundos de pensão teriam de ter ao menos 50% de seus ativos em emergentes”, analisa. Na opinião de Booth, a crise fará com que mais recursos entrem nesses mercados. “O mundo desenvolvido tem mais instituições financeiras alavancadas que os emergentes, onde o risco hoje é menor”.
Com escritórios de representação comercial em Nova York e Cingapura, a Ashmore mantém unidades com estrutura semelhante à brasileira na Turquia e na Índia, sendo que as diferenças são apenas do foco maior da gestão, de ações no caso turco e de private equity no indiano. Segundo Lopes, a intenção é de que a Ashmore Brasil se torne uma casa de gestão diversificada, com renda fixa e variável, crédito e private equity. Tanto que, segundo o executivo, a empresa já está preparando o lançamento de alguns novos fundos que estarão prontos “nos próximos meses”. “Temos um de renda fixa que está bem encaminhado”, conta, sem dar mais detalhes.

Diversificação – O multimercado que a Ashmore Brasil já oferece no País se enquadra naquele limite de 3% dos recursos garantidores da fundação para aplicações, de acordo com a Resolução número 3.456 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Para Lopes, por mais que a utilização desse limite pelas entidades seja ínfima, chegará a hora em que os fundos de pensão terão de diversificar investimentos. Ele lembra que, no primeiro semestre de 2007, a redução na taxa de juros começou a fazer as fundações se mexerem em busca de outras classes de ativos, mas, com a reversão na tendência dos juros, as entidades “ganharam tempo”. “Com o novo aumento dos juros, as fundações estão mais confortáveis e a pressão por diversificação ficou menor. Mas um dia isso vai acabar”, aponta.
Ele comenta que o aumento do limite para aplicação em multimercados já deve ser um tópico em discussão, pois, apesar de nesse momento não haver tanta necessidade, a diversificação dos investimentos será inevitável. “Veja o caso chileno. Lá os investimentos já são bastante diversificados. É um movimento que vai acabar acontecendo no Brasil”.