
O Banco Central do Paraguai (BCP) iniciou nesta terça-feira (3/11) um processo de intervenção no Ueno Bank, após constatar que seu índice de solvência era menos da metade do mínimo exigido. Os serviços da instituição foram suspensos, deixando cerca de 3 milhões de clientes temporariamente sem acesso aos recursos depositados.
O Ueno Bank administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aplicações do Instituto de Previsión Social (IPS), responsável pela previdência dos trabalhadores paraguaios. O IPS investia nos Certificados de Depósito de Poupança (CDAs) do banco.
Além do IPS, também investiam nos produtos do Ueno a Caixa de Aposentadorias e Pensões dos Empregados de Bancos (Caja Bancária), a Caixa de Aposentadorias dos Funcionários da Itaipu Binacional (Cajubi) e o fundo de previdência dos trabalhadores da Administração Nacional de Eletricidade (Caja de Jubilaciones de la ANDE).
Sociedade – Ao final do ano passado o Uene era o 5º maior banco privado do país. A instituição mantém vínculos empresariais anteriores com o presidente do país, Santiago Peña, que foi sócio do antigo controlador do banco até março de 2025.
A crise provocou a renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo. Antes de assumir o comando do órgão regulador, em 2023, ele havia presidido a financeira Ueno, que posteriormente deu origem ao banco Ueno. Carvallo chegou a anunciar que permaneceria temporariamente no cargo para acompanhar o processo, mas formalizou sua saída depois que Peña solicitou sua renúncia.
A Justiça paraguaia determinou a prisão de oito dirigentes da instituição, entre eles o presidente do Ueno Bank, Miguel Vázquez, que se entregou à polícia. As autoridades investigam as responsabilidades pela insuficiência patrimonial e pelas irregularidades detectadas nas demonstrações financeiras.
A intervenção provocou filas diante das agências, protestos no centro de Assunção e manifestações da oposição em favor da abertura de um processo de impeachment contra Peña.
O BCP afirmou que a situação do Ueno Bank é um caso isolado e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio. O órgão anunciou um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis (R$ 9,18 mil) aos correntistas. A garantia legal dos depósitos, contudo, alcança 228,3 milhões de guaranis (R$ 209,67 mil) por cliente e instituição financeira.