Não temos vagas! | Assets começam a demitir e a mudar o perfil do...

Edição 124

Os fechamentos de vagas ou demissões estão por toda parte na indústria de asset, seja em consequência das consolidações acumuladas nos últimos anos, do enxugamento dos quadros por conta da queda da rentabilidade ou da mudança do perfil da indústria. Um sinal claro dessa tendência é o número de pessoas que, escolhidos por nossos leitores como os melhores profissionais do mercado financeiro, estão sendo apresentados como ex nesta edição (ver pág. 25). Dos 18 eleitos para receber o prêmio Investidor Institucional, nada menos que quatro deixaram as instituições pelas quais foram premiados.
Deles, o nome mais destacado pela mídia nas últimas semanas foi o de Alexandre Póvoa, eleito pela terceira vez para o Prêmio Investidor. Ele deixou a asset do ABN AMRO na primeira semana de agosto, onde exercia a função de diretor de gestão, juntamente com outros 15 profissionais da áreas de gestão, comercial e back-office. Desses, alguns foram absorvidos pelo banco e outros não.
Segundo o diretor comercial da asset do ABN AMRO, Fernando Meibak, a mudança tem a ver com uma simplificação das estruturas da asset, reduzindo as áreas de gestão de renda fixa e renda variável e juntando as equipes de vendas para clientes institucionais, corporate, middle e setor público. “O modelo de asset com equipe voltada exclusivamente para relacionamento com institucionais não se sustenta mais”, avalia Meibak. “Os negócios passaram a ser cada vez mais técnicos e menos baseados em relacionamento”.
Outro que concorda com essa visão é o diretor da asset do Alfa, Marcio de Moraes Emery. “A própria legislação está empurrando as fundações para serem mais técnicas e precisamos acompanhar essa tendência”, diz ele. A área de asset do Alfa promoveu, recentemente, uma verdadeira reestruturação na sua estrutura, deslocando a área de relacionamento com clientes institucionais para as 8 agências do banco, onde deveriam cuidar também de outros tipos de clientes. Alguns dos profissionais deslocados, que não quiseram ser transferidos, não foram aproveitados.
O diretor comercial da asset, Cassiano Guitton, que tinha 40 anos de trabalho na instituição de Aluisio Faria (primeiro no Real, depois no Alfa), deixou o banco recentemente, sendo que uma parte de suas atribuições foi assumida pelo próprio Emery e outra pelo responsável pela área de gestão, Otávio Espírito Santo. Duas semanas depois de deixar o Alfa, Guitton já tinha se recolocado numa nova área, passando a trabalhar na organização dos planos de saúde de um hospital de Campos dos Goytacazes (RJ), sua cidade natal.
Outro que deixou a área recentemente foi Ailton Garcia, que cuidava de clientes institucionais na UAM. Suas atividades foram incorporadas à função do novo estrategista-chefe da asset, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, que tinha deixado o Dresdner após esse ser incorporado pelo ABN AMRO. Na época daquela incorporação, 27 pessoas trabalhavam na asset do Dresdner, das quais apenas oito foram para o ABN e outras 19 não foram aproveitadas, inclusive o diretor comercial da asset, Sérgio Sayeg. “Nosso foco era o mercado de renda variável, mas como esse mercado não crescia não tivemos como nos sustentar”, conta Sayeg, que há 26 trabalha no mercado de capitais.
No Citigroup, uma reestruturação interna também simplificou as estruturas, reduzindo postos nas áreas de gestão e na equipe comercial. O diretor de vendas e distribuição de fundos, Glen Johnston, deixou o Citi em julho e voltou para os Estados Unidos, passando a sua função a ser acumulada pelo diretor de investimentos, Roberto Apelfeld. A gestora da carteira de renda variável do Citigroup, Noriko Yokota, também saiu na mesma data. “A volta dos empregos na área terá que passar pela volta do crescimento do país”, diz Noriko.
Mesmo em assets de menor porte, como é o caso da BMG, demissões tiveram que ser feitas. “Tivemos que demitir algumas pessoas na gestão e na área de análise e terceirizamos algumas funções”, conta o diretor Bruno Amadei. “Fizemos os ajustes e estamos partindo para novos produtos, para a especialização”, complementa.
Outros pesos pesados da indústria vinham saindo há mais tempo, o que mostra que esse enxugamento já vem de antes da crise da marcação a mercado. É o caso do ex-diretor comercial do Icatu, Carlos Garcia (atualmente fazendo cursos no Canadá), da ex-diretora comercial
do HSBC, Alice Aoto (mudou-se para Florianópolis-SC), e do ex-diretor comercial do Deutsche, André Rosa (hoje diretor comercial da Tishman).