A volta dos estrangeiros | Mudanças políticas e econômicas atraír...

Edição 293

 

Mercado externo (em pdf)

O Citi manteve com folga a primeira colocação no ranking da Anbima do mercado externo de custódia, com crescimento de 18,53% nos doze meses encerrados em março de 2017, para R$ 637,34 bilhões. No período, o banco reduziu sua atuação no mercado doméstico e reforçou sua estratégia na área internacional, que tradicionalmente já era o ‘core business’ do banco no país. Na segunda colocação no ranking de custódia de mercado externo da Anbima vem o JP Morgan, que teve evolução de 11,32%, para R$ 208,91 bilhões, mas nesse caso o banco faz somente a custódia de seus próprios ativos, sem a oferta do serviço para terceiros no país. O Itaú segue na terceira posição, com R$ 172,17 bilhões, após crescimento de 14,37%, o Bradesco mantem-se em quarto, com evolução de 87,55%, para R$ 145,13 bilhões, beneficiado pelos ativos do HSBC; o Santander segue em quinto, com R$ 74,12 bilhões, alta de 20,05%, e o BNP Paribas vem em sexto, com R$ 29,77 bilhões, após apresentar crescimento de 96,24%.
Roberto Paolino, diretor responsável pela administração dos fundos do Citi, explica que parte do crescimento do banco no mercado externo de custódia no Brasil decorreu de um movimento mais amplo observado ao longo do ano passado, que não se restringiu somente ao banco, de estrangeiros aportando novos recursos no país em busca de oportunidades após as mudanças políticas e na equipe econômica observadas ao longo do ano passado. “O investidor internacional se sentiu mais confortável em aumentar sua exposição ao Brasil no ano passado, após o país apresentar uma melhora sensível de seus fundamentos econômicos”, afirma Paolino. A valorização da Bovespa diante das mudanças no quadro doméstico, e os juros locais em patamares ainda elevados junto à percepção de redução do risco país, formaram uma combinação que teve força para atrair o capital estrangeiro para a região no período, explica o diretor do Citi.
A atual crise política que o país atravessa no momento tem sido acompanhada com atenção pelos estrangeiros, comenta o executivo. Ele ressalta, no entanto, que até por se tratar do maior mercado da América Latina, os ativos brasileiros são sempre considerados e avaliados nas discussões sobre investimentos em mercados emergentes por parte de grandes investidores. “Qualquer fundo que tenha posição em mercados emergentes obrigatoriamente tem alguma exposição, seja ‘under’ (abaixo da média) ou ‘over’ (acima da média), em Brasil. Obviamente se tivermos uma elevação muito grande das incertezas políticas e econômicas ninguém vai querer ficar comprado em um mercado assim, mas com uma estabilidade maior enxergamos um potencial de crescimento significativo para o país”, afirma Paolino.

Oportunidades – Para o diretor da área de ‘security services’ do BNP Paribas no Brasil, Andrea Cattaneo, as decisões de alguns grandes bancos internacionais de reduzirem sua atuação no país nos últimos meses, como HSBC, Deutsche Bank e o próprio Citi, contribuíram para o forte avanço de 96,24% em relação ao ranking anterior. Apesar desse crescimento expressivo, a casa de origem francesa fechou março de 2017 com R$ 29,77 bilhões de custódia de investidores externos, até por ter iniciado a atividade no país há “apenas” sete anos. “Esses movimentos dos concorrentes claramente nos abriram novas oportunidades. Participamos de diversos processos de concorrência e ganhamos alguns mandatos significativos, principalmente de bancos que aportaram novos recursos”.
De acordo com Cattaneo, o forte crescimento do banco no mercado externo reflete o sucesso da estratégia comercial adotada nos últimos anos, voltada para conquistar mandatos de estrangeiros com interesse no mercado brasileiro. Nos últimos doze meses a casa contratou dez novos profissionais para sua área comercial de ‘security services’ para atender a demanda crescente de investidores não residentes por ativos do mercado brasileiro. “Essas contratações deixam claro o nosso foco comercial e a proximidade da equipe com os clientes no Brasil, suportada pela estrutura global do banco, que muitas vezes trabalham em conjunto”, diz o diretor do banco.
Até por conta dessas decisões dos concorrentes globais de reduzirem a atuação no Brasil, que tornou o mercado de custódia bastante dinâmico, o diretor do BNP Paribas no país acredita que 2017 poderá ser, assim como já foi 2016, um novo ano recorde em termos de crescimento da área de ‘security services’ do banco na região. “Ainda não tenho como afirmar isso com certeza, mas temos uma boa percepção sobre o que pode acontecer nos próximos meses”, afirma Cattaneo, que ainda espera por novas entradas de recursos de clientes oriundos dessas outras casas globais.
Por se tratar de uma área dentro do banco que não consome grande monta de capital, e que não corre o risco de crédito como outros segmentos, o executivo entende que o ritmo acelerado de crescimento dos últimos meses desse nicho do mercado pode prosseguir no segundo semestre e também em 2018. “A área de ‘security services’ vai ajudar no crescimento do BNP Paribas no país”, afirma Cattaneo. Ele lembra que o mercado de custódia no país é muito concentrado na mão de poucos bancos, o que pode ser visto como uma oportunidade para casas que ainda estão sendo conhecidas pelos investidores no segmento. O BNP Paribas atua na área de custódia para terceiros há relativamente pouco tempo; o banco iniciou as atividades no país em 2010.
Ainda de acordo com o profissional, o ambiente do mercado de custódia no Brasil, que passou por mudanças significativas nos últimos meses, com a movimentação de players importantes, deve fazer com que nos próximos meses tenhamos um período de consolidação do setor, prevê o especialista. Inclusive o diretor do BNP Paribas não descarta acelerar o crescimento da casa por meio inorgânico, com a aquisição de outra casa. “A palavra que vejo para o futuro nesse mercado é consolidação”, diz o profissional. “Até agora crescemos de maneira orgânica, mas estamos abertos para avaliar a possibilidade de apostar na estratégia inorgânica também”.
Cattaneo diz também que o banco ainda não trabalha no mercado local com a custódia de ativos de fundos de pensão para o mercado externo, mas ressalta que esse seria um nicho com forte potencial de crescimento, por isso não descarta no futuro iniciar a oferta do serviço no país. “Esse é um segmento importante para o banco a nível global, e também poderia ser interessante para o BNP Paribas no Brasil”, pontua o executivo.

Voto à distância nas assembleias de companhias abertas

O diretor responsável pela administração dos fundos do Citi, Roberto Paolino, explica que a partir deste ano o Citi começou a oferecer aos seus clientes estrangeiros da área de custódia a possibilidade de realizar o voto à distância nas assembléias promovidas pelas companhias abertas com ações listadas na Bovespa. Segundo ele, o Citi é hoje o único custodiante internacional que oferece esse serviço aos clientes internacionais, que na sua avaliação é um diferencial importante para atração de novos mandatos e aumento dos volumes custodiados dos investidores já atendidos. “Tivemos mais de 90% das assembléias com esse serviço, o que permite uma eficiência muito maior para o cliente e para a empresa”.
Paolino diz ainda que o Citi também tem trabalhado junto à Receita Federal, Anbima e outros bancos para tentar tornar mais clara as regras tributárias que incidem sobre os investimentos de investidores não residentes no país, tema que costuma gerar desconforto entre os players internacionais com alguma exposição à região. “Sempre recebemos questionamentos sobre esse assunto”, pontua o diretor do Citi.
Além dos estrangeiros que visam o investimento no Brasil, o executivo da instituição financeira tem notado também um movimento crescente de investidores locais que começam a avaliar investimentos em outros países. O especialista acredita que essa tendência deve aumentar nos próximos meses, conforme a taxa básica de juros local seja reduzida pelo Banco Central. “Temos dado bastante atenção aos clientes locais que querem investir no exterior”.