Presidente da Amprev renuncia em meio à investigação da PF

Jocildo Lemos, agora ex-presidente da Amprev

O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (11/2), menos de uma semana após a Polícia Federal deflagrar operação para apurar a aplicação de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Macapá, capital do Amapá, na última sexta-feira (6/2), na operação denominada Operação Zona Cinzenta.

A Amprev é responsável pela gestão da previdência dos servidores estaduais e reúne cerca de 30 mil segurados ativos e aproximadamente 2.100 aposentados e pensionistas, entre civis e militares.

Em nota divulgada pela entidade, Lemos afirmou que deixa o cargo para garantir independência às investigações. “Faço isso para que a Justiça atue com total independência e para que fique plenamente comprovado que todos os procedimentos adotados sob minha gestão observaram rigorosamente a legalidade”, declarou. Ele também afirmou confiar na atuação do Judiciário e sustentou que, sob sua gestão, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025.

Segundo relatório da Polícia Federal, o RPPS do Amapá aplicou R$ 400 milhões em Letras Financeiras do Banco Master em um intervalo inferior a 20 dias, em julho de 2024. As decisões foram tomadas em três reuniões sequenciais do comitê de investimentos.  Na primeira deliberação, foi aprovada aplicação de R$ 200 milhões. Em seguida, outras duas decisões autorizaram aportes adicionais de R$ 100 milhões cada. O principal argumento favorável à operação foi a remuneração oferecida pelo banco, de 8% ao ano, com prazo de dez anos.

De acordo com a PF, Lemos e outros dois integrantes do comitê votaram favoravelmente às aplicações, mesmo diante de alertas internos sobre concentração de recursos na instituição e negativa da Caixa Econômica Federal à aquisição de títulos semelhantes. A investigação também aponta que não houve exigência prévia de documentação técnica complementar antes da aprovação das aplicações.

Além da investigação federal, o Ministério Público do Estado do Amapá instaurou procedimento para verificar a compatibilidade das aplicações com a política de investimentos do RPPS e apurar se houve alertas formais sobre os riscos da operação.

Jocildo Lemos foi indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), que declarou publicamente que o caso deve ser apurado com transparência e respeito ao devido processo legal. O parlamentar não é alvo das investigações.