
A sede da Macapá Previdência (MacapaPrev), instituto responsável pela previdência dos servidores municipais de Macapá (AP), foi invadida durante a madrugada do último sábado (14/3). Segundo o boletim de ocorrência, foram levados notebooks utilizados por dois ex-dirigentes da entidade: o ex-diretor financeiro Fabiano Gemaque Valente de Andrade e a ex-chefe de gabinete da presidência, Karyna Santos Ramos.
Ambos haviam sido exonerados semanas antes, após o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), e seu vice, Mario Neto (Podemos), terem sido afastados dos cargos por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo. A investigação apura um suposto esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, obra estimada em R$ 69,3 milhões com recursos de emendas Pix.
Um dia após o afastamento de ambos, Furlan renunciou ao cargo para disputar o governo do Amapá nas eleições deste ano. O duplo afastamento resultou na passagem do comando da prefeitura para o presidente da Câmara Municipal, Pedro DaLua (União Brasil).
Na MacapaPrev, a então presidente, Janayna Gomes da Silva Ramos, pediu exoneração e para seu lugar foi indicada, interinamente, Lucélia Quaresma. Sua posse ocorreu na segunda-feira passada (9/3), em meio a questionamentos sobre a situação financeira da MacapaPrev por parte do Ministério da Previdência Social. O MPS solicitou ao Tribunal de Contas do Estado do Amapá esclarecimentos sobre um possível rombo no caixa do RPPS, que teria encolhido de aproximadamente R$ 176 milhões para pouco mais de R$ 30 milhões.
A invasão da sede da MacapaPrev e o roubo dos computadores dos ex-dirigentes são investigados pela Polícia Civil do Amapá sob suspeita de “queima de arquivo”, diante das suspeitas envolvendo a gestão financeira do instituto. Além dos computadores, também desapareceram documentos e foram apagadas imagens do sistema interno de segurança.
A invasão foi detectada no início da tarde de sábado, pouco antes da abertura para atendimento ao público. A perícia realizada no local indicou que não houve sinais de arrombamento externo e que os sistemas de comunicação da autarquia foram interrompidos durante a ação, o que reforça a hipótese de que o acesso possa ter ocorrido com algum tipo de conhecimento interno sobre a estrutura do órgão.
Segundo fontes da área de segurança pública, a principal linha de investigação considera a possibilidade de destruição ou ocultação de provas relacionadas à gestão da previdência municipal. O fato de os computadores do setor financeiro terem sido o principal alvo da invasão chamou a atenção dos investigadores. As investigações seguem sob sigilo.