Da calmaria à agitação | Os desempenhos dos fundos de investiment...

Edição 244

A meta de IPCA mais 6% ao ano, que ficou em 11,84% em 2012, ficou bem abaixo da média da rentabilidade, por exemplo, dos fundos IMA-B 5+ que bateram incríveis 34,21% no ano. Já os fundos IMA-B 5 (com títulos até 5 anos) ficaram em 16,98% na média, enquanto o IMA-B Total marcou 26,68%. Como a maior parte do patrimônio dos RPPS está concentrada neste tipo de fundos, a projeção dos resultados, ainda não fechados pelo Ministério da Previdência Social, deve mostrar mais um ano de boa rentabilidade, a exemplo do que ocorreu em 2011.

“A maior parte dos regimes próprios conseguiu bater as metas com folga, pois a rentabilidade dos fundos IMA foi impulsionada para cima na mesma proporção da queda das taxas de juros dos títulos federais”, explica José Eduardo Toledo, economista-chefe da consultoria Plena, especializada no assessoramento de RPPS. Nem o fraco desempenho do Ibovespa e nem do CDI no ano passado atrapalharam a performance das carteiras dos RPPS, devido à baixa exposição nestes segmentos. Mas se o ano passado foi de relativa tranquilidade, o mesmo não se pode esperar de 2013. Ainda que os fundos IMA tenham começado bem o ano, e vários gestores afirmem que esses produtos continuem performando positivamente por mais alguns meses, também preveem que dificilmente repetirão os mesmos resultados de anos anteriores.

“Vai depender do comportamento dos juros. Em todo caso, se for confirmada a tendência de estabilização da Selic, os fundos IMA poderão dar sustos aos investidores”, prevê Toledo. O economista acredita que os fundos IMA continuam performando bem no começo de 2013 devido à entrada de maior volume de recursos de investidores pessoa física e até estrangeiros. Porém, em algum momento podem reverter os ganhos dos últimos meses. A saída, então, para os gestores de carteiras dos regimes próprios, será apostar na diversificação dos segmentos de aplicações. “Não tem muita saída, os gestores terão que migrar para um risco maior, seja em renda variável ou estruturados, como fundos de participações e imobiliários”, diz o economista da Plena.

Outras opções para a maior diversificação das carteiras dos RPPS são os fundos multimercados, os FIDCs (direitos creditórios), além de opções de crédito privado. Com desempenho fraco em 2010 e 2011, os multimercados voltaram a oferecer boa rentabilidade no ano passado. Os RPPS não se beneficiaram dos resultados dos multimercados, devido à baixa exposição em fundos deste segmento. “O desafio para bater as metas em 2013 será muito maior que nos anos anteriores. Será necessário realizar um esforço de diversificação e, ao mesmo tempo, considerar os níveis de risco adequados”, diz Toledo.

Há muitos que acreditam que os fundos IMA ainda continuem como “porto seguro”, pelo menos no primeiro semestre de 2013. “Os fundos IMA devem continuar com bons retornos devido principalmente à alta da inflação”, diz Herickson Rubim Rangel, diretor financeiro do Ipamv (Vitória) e diretor da Aneprem (Associação Nacional das Entidades de Previdência Estaduais e Municipais). O dirigente admite, por outro lado, que o processo de diversificação é uma necessidade que se impõe de imediato. O instituto de Vitória fechou 2012 com rentabilidade global de 22,51%, bem acima da meta atuarial de INPC mais 6% ao ano, que ficou em 12,57%.

Como uma das principais opções de diversificação, que conta com incentivo do Ministério da Previdência Social, são as aplicações em FIPs (fundos de participações) de projetos de infraestrutura locais. “O próprio ministério tem incentivado o surgimento de maior número de fundos de participações voltados para regimes próprios”, diz Rangel. Ele explica, porém, que uma das dificuldades é a pouca experiência que os gestores possuem em relação ao segmento, em que os regimes próprios apresentam baixíssima exposição.

Segundo dados da consultoria Risk Office, os RPPS possuem apenas 0,2% do patrimônio alocados em FIPs. Já em renda variável, a alocação média é de 7,5%, enquanto os recursos concentrados em fundos IMA, representam 84% dos recursos dos regimes próprios que contratam serviços da consultoria. De acordo a estimativas da Aneprem, os investimentos dos regimes próprios devem ter fechado 2012 acima de R$ 60 bilhões – na metade do ano eram de R$ 54 bilhões. O ministério ainda não tem os dados consolidados até o final do ano.

ParanaPrevidência – O regime próprio com a maior carteira de investimentos do país, a ParanaPrevidência, com mais de R$ 6 bilhões aplicados no mercado, está programando a destinação de recursos para os fundos de participações. “Queremos ser sócios de empresas nos setores de energia, portos e aeroportos. Estamos participando na estruturação de alguns FIPs que visam financiar projetos de infraestrutura local”, diz Jayme Azevedo Lima, presidente da ParanaPrevidência. O dirigente cita o exemplo de um fundo que está sendo criado em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano do Paraná para aplicar em projetos de infraestrutura do estado. Outra iniciativa é de um fundo que investe em construção de imóveis residenciais também no estado do Paraná (ver nota).

A ParanaPrevidência também se prepara para investir em quatro fundos imobiliários, como parte da estratégia de diversificação das carteiras. A medida que vão vencendo os títulos federais que fazem parte de sua carteira e também com a entrada de recursos novos, o regime próprio busca alternativas de aplicações que privilegiem os investimentos estruturados baseados na economia real. “São investimentos que representam uma alternativa que pode dar melhor retorno que os títulos públicos, ao mesmo tempo que impulsionam o desenvolvimento econômico local”, diz Lima.

O regime próprio do Paraná também não descarta a aplicação de recursos em fundos de ações ou FIDCs do mercado. Para isso, está realizando processo de credenciamento de administradores de recursos e cadastramento de gestoras. Pela primeira vez, podem participar desse processo instituições privadas, que antes estavam impedidas de concorrer devido a restrições impostas pelo Tribunal de Contas do Paraná. Um dos requisitos exigidos é que a instituição financeira tenha patrimônio igual ou superior ao da ParanaPrevidência. São cerca de 24 instituições em condições de participar do processo.

Outra novidade é que o RPPS dos servidores estaduais contratou a consultoria Risk Office, a partir de outubro do ano passado, para prestar serviços de assessoria de investimentos. “Estamos nos preparando para um novo momento de mercado, que precisamos de maior conforto para tomar as decisões adequadas”, diz o presidente da ParanaPrevidência.

Conaprev – Um dos temas que deve concentrar as atenções dos RPPS é a discussão em torno às propostas de novas fontes de financiamento. O tema tem sido discutido no Conaprev (Conselho Nacional de Dirigentes de RPPS) com o objetivo de criar propostas para incluir novas fontes para equacionar os déficits dos regimes próprios. “Queremos criar propostas para aproveitar recursos de loterias ou do DPVAT para aumentar a capitalização dos regimes próprios”, diz Jayme Azevedo Lima, que também é vice-presidente do Conaprev.

Outro tema que tem atraído a atenção dos membros do Conaprev é a formação de consórcios de regimes próprios com o objetivo de formar grupos de investidores. O projeto tem o objetivo inicial de alcançar maiores escalas de volume de recursos para investir no mercado financeiro. Mais adiante, os consórcios permitiram também uma unificação de funções administrativas, com a proposta de redução de custos dos planos.

Ainda no âmbito do conselho, os regimes próprios continuam discutindo um projeto para classificar os institutos em diferentes níveis de governança. A classificação também estaria associado ao porte do RPPS, que teria tratamento diferenciado em relação às regras de investimentos. “A ideia central é classificar os regimes próprios em diferentes níveis de tamanho e de acordo a isso, poderiam ter mais autonomia em relação aos investimentos. Se o projeto avançar, seria necessária uma mudança da Resolução 3922”, diz o presidente da ParanaPrevidência, referindo-se à legislação que rege as aplicações dos regimes próprios.