Conservadorismo em 2015 | Regimes próprios como a ParanaPrevidênc...

Marcos Baraldi, do TaboãoPrevCelso Luiz Pilati, da ParanaPrevidênciaEdição 265

 

Passadas as eleições, os regimes próprios de previdência aguardam os próximos passos da presidente reeleita Dilma Rousseff para dar início ao desenvolvimento e aprovação de suas políticas de investimento de 2015. A volatilidade do mercado de ações e dos títulos públicos ainda se fazem presentes mesmo após os resultados das urnas, inviabilizando a perspectiva de grandes mudanças nas alocações das carteiras no ano que vem. Enquanto os novos rumos da economia não ficarem mais claros, as estratégias de investimento devem ser mantidas no ano que vem.

Segundo Celso Luiz Pilati, coordenador de investimentos da ParanaPrevidência, a tendência é manter o conservadorismo de 2014 também no ano que vem. O instituto realocou R$ 1 bilhão em títulos públicos, que venceram em agosto, em fundos DI para fugir da volatilidade e porque o rendimento dos papéis não estava nos patamares ideais para reinvestimento. “Não é a aplicação mais apropriada, mas é segura. Assim que os títulos públicos retornarem com taxas mais atrativas vamos voltar a investir”, afirma.
Ele conta que, no primeiro semestre, conseguiu montar um estoque de NTN-Bs a taxas próximas de 7%, mas, atualmente, não há muitas opções acima de 5,5%. “No primeiro semestre o mercado não foi tão agitado, conseguimos bater meta (IPCA+5,5%) sem problemas. Mas no segundo, por conta das eleições, o cenário mudou. Até setembro tínhamos uma gordurinha acumulada. Agora, estamos receosos de ficar aquém da meta”, diz.
A meta é um assunto que será bastante discutido na primeira reunião de discussão da política de investimentos, que deve ocorrer na primeira quinzena deste mês. Apesar de ser um regime próprio, o instituto vinha seguindo as regras dos fundos de pensão, que devem cortar a taxa atuarial em 0,25 ponto percentual por ano para chegar a 4,5% até 2018. A ParanaPrevidência praticava taxa de 6% em 2012, que foi reduzida gradualmente para 5,5% até 2014. O plano inicial era chegar a 5,25% em 2015, mas Pilatti acredita que, por conta da manutenção de um cenário de incertezas também no ano que vem, a taxa atuarial fique inalterada.
“Talvez a melhor estratégia seja buscar investimentos que remunerem a Selic, pois a expectativa é de que os juros voltem a subir para conter inflação. Mas ainda é muito cedo para traçar um cenário. Tudo vai depender da nomeação da nova equipe econômica do governo. Enquanto isso, a tendência é uma volta do conservadorismo nos investimentos”, destaca Pilati.
A ParanaPrevidência possui patrimônio de R$ 8 bilhões, dos quais 30% estão alocados em fundos de renda fixa, 60% em títulos públicos, 6% em ações e, o demais, em imóveis. No ano passado, o instituto cumpriu metade da meta (6,26%). Para este ano, a expectativa é no mínimo empatar com a meta.

Grau de investimento – Seguindo a linha do conservadorismo, Marcos Baraldi, superintendente do TaboãoPrev, destaca a possibilidade de perda do grau de investimento no ano que vem, conforme sinalizaram as principais agências de classificação de risco. A possibilidade de rebaixamento da nota tende a manter o mercado bastante volátil até meados do ano que vem. No segundo semestre, os ingressos de contribuições ao RPPS foram alocados para CDI, com o intuito de proteger a carteira. “O Banco Central acabou de elevar juros, surpreendendo o mercado e, como a tendência é de que os preços administrados sejam reajustados, haverá inflação maior em 2015, o que indica novo ciclo de alta da Selic”, afirma.
O fundo acumula até setembro um patrimônio de R$ 320 milhões, dos quais 75% estão em renda fixa e o restante em renda variável. Para 2015, Baraldi acredita que haverá manutenção nesses percentuais. “Aguardamos os próximos passos da presidente, tanto no âmbito da política fiscal quanto da nomeação da nova equipe econômica, medidas que serão imprescindíveis para a manutenção do nosso rating”, diz. Este ano, o movimento maior foi de encurtamento da carteira, alocando recursos em títulos públicos de curto prazo.
Até agosto o instituto estava batendo a meta atuarial, de 6% mais IPCA. Entretanto, com a retomada da volatilidade da família IMA no período eleitoral, o fundo ficou aquém do objetivo em setembro e outubro, e hoje bate apenas 80% da meta. “Ainda assim, a rentabilidade está positiva, diferente do ano passado, que fechamos com queda de mais de 2%”, complementa.
Uma estratégia que o instituto vem adotando para evitar perdas maiores é a renegociação de taxas de administração de fundos. “Trocamos um fundo de IRF-M que tínhamos no Santander por um mais barato na mesma instituição”, exemplifica.
Contratação de consultorias – Já o IMPU, instituto de previdência de Ibatuba, acabou de contratar uma assessoria para definir o melhor caminho para 2015, a Crédito & Mercado Consultoria em Investimentos. O regime próprio também manterá a Risk Office enquanto consultoria. Até então, a estratégia de alocação tem sido mais conservadora, de redução da duração da carteira por meio de títulos públicos de curto prazo e de aumento na alocação de fundos DI. Para isso, a carteira de fundos da família IMA foi reduzida em 15%. Atualmente, somente 6% do patrimônio do fundo está alocado em renda variável, percentual que provavelmente será mantido em 2015.
“Nosso conselho foi renovado em 70% em setembro, então não é possível prever ainda como será a política de investimentos de 2015, mas não devemos ter grandes mudanças nas alocações que fizemos este ano”, destaca Flavio Bellard Gomes, presidente do IPMU. O fundo acumula R$ 212 milhões de patrimônio e, até setembro, estava colado na meta, de INPC mais 6%.
A política de investimentos de 2015 também deve ser mantida no SBCPrev, de São Bernardo dos Campos. Segundo Antonio Gilmar Giraldini, diretor administrativo e financeiro do regime próprio, os percentuais de 75% em renda fixa e 25% em variável devem permanecer. “O mercado, até agosto, apresentou uma recuperação muito importante para rentabilidade dos investimentos, apesar da enorme volatilidade, motivada pelas mudanças na economia internacional e pelas eleições no Brasil”, avalia Giraldini. A rentabilidade do SBCPrev até agosto ficou positiva em 14,38%, superando a meta atuarial de 8,06%.
“A partir de agora com a situação eleitoral já definida, acreditamos que haverá um retorno gradual à normalidade, reduzindo-se a volatilidade e possibilitando que encerremos o ano de 2014 acima da meta”, diz Giraldini.