Edição 222
O Banco Panamericano, cujo rombo exigiu do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um aporte de R$ 2,5 bilhões para não ir à falência, está fazendo o que devia ter feito desde o início das suas operações com fundos: separando as áreas de gestão e de administração fiduciária. Com isso, o banco espera deter a sangria de recursos de investidores institucionais que começou logo após o Banco Central (BC) apontar o problema, no início de novembro.
Uma das primeiras providências do controlador do banco, o empresário Silvio Santos, após a descoberta do rombo, foi afastar a diretoria do banco.
Uma equipe da Caixa, instituição que detém 35% do Panamericano, assumiu o lugar da diretoria afastada. O novo diretor de captação e relação com investidores do Panamericano, Celso Zanin, diz que a terceirização da gestão e da administração fiduciária dos FIDCs do Panamericano é a principal medida da nova diretoria do Panamericano, no intuito de tentar recuperar a confiança dos investidores. “Estamos providenciando a entrada de um novo gestor e de um administrador fiduciário para nossos FIDCs.
Acredito que isso será uma sinalização positiva para os cotistas”, revela ele.
Zanin era diretor da área de fundos da Caixa até o início da crise do Panamericano, tendo sido transferido para lá em regime de urgência urgentíssima. Ele estava na Caixa desde 2008, tendo exercido antes a função de gerente de relações com investidores institucionais. Nesse segmento, a principal atuação da Caixa é junto aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), que aplicavam pouco mais de R$ 11 bilhões na instituição em 31 de junho deste ano, segundo o ranking Top Asset publicado semestralmente por esta revista.
Para o Panamericano, essa especialização da Caixa é muito bem vinda. O banco contabilizava, no mesmo ranking Top Asset, R$ 337 milhões em recursos de RPPS (cerca de 15% do total). A ida da equipe da Caixa para o banco tenta acalmar essa classe de investidores, uma das mais afetadas pela quebra do Banco Santos ao final de 2004 e, por isso mesmo, escaldada. “Registramos muitos resgates nos primeiros dias após o anúncio dos problemas do banco, mas depois de entrarmos em contato com nossos clientes e explicarmos a situação o ritmo dos saques foram diminuindo. Agora está mais tranquilo”, diz Zanin.
Congresso da Aneprem – Lea Praxedes Santana, presidente do Ipsemc – RPPS de Cabedelo (Paraíba) estava nervosa no primeiro dia do Congresso da Anepem, realizado entre os dias 17 e 19 de novembro em Belo Horizonte (MG). Do patrimônio de R$ 32,6 milhões do instituto, R$ 4,3 milhões estavam aplicados no fundo Master Panamericano. Num dos intervalos do evento ela procurou um consultor de investimentos e perguntou se deveria resgatar. Se já passou o prazo de carência, resgate