Resseguro e previdência: desafios e possibilidades | Com Leonardo...

Edição 218

 

O velho namoro entre o sistema fechado de previdência complementar e o mercado de resseguros ainda não mostra sinais muito concretos de que acabará em casamento. Uma força a mais para que essa relação se torne realidade, porém, pode ser exercida a partir da chegada de Leonardo Paixão ao posto de presidente do IRB – Brasil Resseguros, ressegurador que antes de 2008 tinha o monopólio desse segmento no País.
Paixão foi titular da então Secretaria de Previdência Complementar (SPC) entre 2006 e 2008 e, por isso, conhece a fundo o mercado de entidades fechadas. Em maio deste ano, ele assumiu a presidência do IRB. O que resta saber é se, com isso, os dois setores finalmente encontrarão uma forma de se aproximar.
“O IRB-Brasil Re tem feito vários negócios no ramo de seguros para dirigentes [seguro D&O ], inclusive os de fundos de pensão. Mas isso é muito pouco quando comparado ao potencial que existe para o desenvolvimento de novos produtos. Hoje, o IRB-Brasil Re já apoia a previdência aberta com produtos ligados a benefícios de risco. Falta oferecer tais coberturas para as fundações”, constata Paixão. Segundo ele, há uma apreensão por parte dos resseguradores em aceitar riscos como o da sobrevivência além da esperada ou invalidez acima da prevista (coberturas chamadas stop loss), uma vez que existe uma carência de dados que possibilitem o cálculo atuarial do risco. “O risco da população participante de fundos de pensão é diferente do risco da população em geral”, analisa Paixão.
Em sua opinião, no entanto, o entrave principal à oferta de resseguro para as entidades fechadas de previdência complementar consiste na dúvida jurídica quanto à possibilidade de oferecimento de resseguro diretamente aos fundos de pensão, sem intermediação de seguradoras. “É a interpretação corrente no mercado segurador, mas essa intermediação encarece os produtos. Pessoalmente, entendo que os fundos de pensão são detentores primários do risco, de modo que podem contratar resseguro diretamente”, argumenta o presidente do IRB. Recentemente, a imprensa publicou que o próprio Leonardo Paixão havia levantado a hipótese de os fundos de pensão criarem uma “seguradora cativa” que faria o papel de intermediadora entre as entidades e o ressegurador.

Passo natural – É claro que os fundos de pensão não são o único nicho promissor para a expansão dos negócios do IRB. Entre os próximos passos que o ressegurador está para tomar está a internacionalização de suas operações. Paixão lembra que o IRB já atua no exterior há 70 anos como clientes de outros resseguradores, para quem transfere parte dos riscos que toma no Brasil. Além disso, o IRB também aceita alguns riscos vindos de outros resseguradores sediados no exterior, cobrando para isso. Mesmo assim, o foco principal do trabalho da empresa sempre foi o Brasil. “Essa atuação, que foi bem sucedida no período do monopólio, não é sustentável no longo prazo, pois o resseguro é um mercado global. Os concorrentes do IRB dispersam geograficamente os riscos que assumem, conseguindo, com isso, reduzir o preço da cobertura que oferecem. Se o IRB mantiver os riscos que assume concentrados no Brasil, pode perder uma ferramenta importante de diversificação e consequentemente de redução de preços cobrados. Após o fim do monopólio, a internacionalização é um passo natural para o IRB”, aponta o presidente da empresa.
Ele completa que o Brasil vive um momento especial, em que muitas companhias nacionais, capitalizadas e favorecidas pela taxa de câmbio, estão encontrando oportunidades para se transformar em multinacionais.
“No exterior, elas certamente vão precisar de seguro e resseguro, o que constitui uma via atrativa para o IRB se expandir. Afinal, como ele já conhece o perfil das empresas brasileiras que estão se internacionalizando e até já aceita riscos dessas empresas no Brasil, tem uma vantagem comparativa para ressegurá-las no exterior, por meio de seguradoras brasileiras ou estrangeiras”, explica Paixão. Ele informa que o IRB atua em todos os ramos de resseguro, mas os principais são os riscos patrimoniais, de transporte e de energia. “Além disso, começamos agora a viver uma fase de forte expansão dos ramos de seguro ligados aos grandes projetos de infraestrutura, como garantia e engenharia”, cita. O presidente do IRB afirma que entre esses projetos que podem gerar boas oportunidades de negócios em resseguros estão as obras ligadas ao PAC, à exploração do pré-sal, ao trem de alta velocidade e aos grandes eventos esportivos que o Brasil sediará ainda nesta década.